Por Emily Ediany
A Amazônia é substantivo feminino. Por isso, Belém recebe o ELLA Norte – Encontro de Feminismos nos dias 7 e 8 de agosto, na Casa Dourada, no bairro Cidade Velha, para debater feminismo, território, cuidado e empreendedorismo. A abertura ocorreu na noite desta sexta-feira (7), com a apresentação do Planeta ELLA ao público belenense, seguida de muita música e trocas de experiências entre mulheres da Amazônia.
“Quando uma mulher amazônida se levanta, ela não se levanta sozinha. Levantam-se com ela suas ancestrais, seus rios, sua floresta e seu corpo.” A frase da DJ Bem Bruxona deu a largada para o debate sobre a (sobre)vivência das mulheres na Amazônia, a partir de seus territórios e condições sociais. Com o tema “Mulheres da Floresta, da Cidade e das Águas”, o evento articula debates sobre justiça climática, racismo ambiental, direitos humanos e geração de renda com mulheres amazônidas.
Durante o evento, o coletivo Mulheres Empreendedoras da Sacramenta organizou uma feirinha sustentável no local. Fundado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o coletivo inicialmente teve sua produção voltada para a confecção de máscaras. Com a rotatividade das integrantes e o passar do tempo, porém, ampliou sua atuação e hoje trabalha com diferentes tipos de produção: adereços feitos com materiais recicláveis, biojoias, alimentos, peças confeccionadas com tecidos reutilizados e cosméticos naturais. A iniciativa mostra como o empreendedorismo feminino pode e deve caminhar lado a lado com a justiça climática.

Foto: Marcos Maia (@markmaia_)
Thaís Helene Martins, coordenadora do projeto, expressou sua felicidade por participar de um evento como o ELLA Norte, totalmente voltado ao protagonismo e às vivências das mulheres. A costureira também contou, com orgulho, que cria os dois filhos com a renda obtida por meio de seu trabalho no coletivo e que é muito satisfatório acompanhar suas companheiras conquistando autonomia financeira.
“Fico muito feliz quando vejo os resultados, quando uma delas vem e me diz: ‘Olha, consegui essa renda depois que comecei a vir pra cá’. Essa é a nossa maior felicidade. Hoje em dia, somos como uma família”, afirma Thaís.
O ELLA Norte – Encontro de Feminismos propõe justamente fortalecer a união entre mulheres e a luta pela emancipação de seus corpos diante das tentativas de silenciamento impostas por uma sociedade patriarcal. Floresta, água, periferia e baixadas são substantivos femininos e, assim como as mulheres, também são historicamente negligenciadas. Cabe a essa rede de mulheres reivindicar direitos, reconhecimento e valorização de seus territórios — espaços que acolhem e sustentam a vida. É nessa relação entre corpo, território e natureza que o cuidado e a perspectiva feminista sobre o meio ambiente ganham ainda mais importância.

Foto: Marcos Maia (@markmaia_)
Hoje tem mais programação
As atividades deste sábado, 8 de agosto, começa às 13h. As mulheres inscritas participarão de quatro trilhas temáticas: “Cuidar de si, das outras e do território”, “A floresta também é corpo”, “Renda também é liberdade” e “Nossos corpos, nossos territórios e arte como resistência”.
As trilhas propõem diálogos sobre diferentes aspectos sociais que impactam a vida das mulheres, entre eles o racismo ambiental e a saúde mental. Além disso, será discutido o papel da arte e do ativismo político no enfrentamento às violências contra as mulheres.
Mariana Farnesi, do projeto Guardiãs da Floresta, diz estar com grandes expectativas para o segundo dia do encontro. “A gente acredita que coisas muito bonitas vão sair daqui: produtos, projetos, sonhos, talvez metas”, afirma Mariana sobre as expectativas para este sábado (8).
