Dia Nacional do Documentário Brasileiro homenageia o legado de Olney São Paulo

Portal Inhaí
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Por Helô Alves

O Brasil celebra nesta sexta-feira (7) o Dia Nacional do Documentário Brasileiro. A data foi instituída em 2011 pela Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) para dar visibilidade à produção documental do país e homenagear o cineasta baiano Olney São Paulo, nascido em 7 de agosto de 1936.

Olney nasceu em Riachão do Jacuípe, na Bahia, o mais velho de sete irmãos. Ainda criança, mudou-se com a família para Feira de Santana, onde teve contato com o cinema nas salas da cidade. Começou a carreira no fim dos anos 1950, com equipamentos amadores, e, ao longo de sua trajetória, dirigiu 14 filmes, entre longas e curtas, de ficção e documentário.

O nome do cineasta está diretamente ligado à origem da efeméride por conta de “Manhã Cinzenta”, filme rodado em 1968 e concluído em 1969. A obra acompanha um grupo de estudantes que resiste a um regime ditatorial e é julgado por um cérebro eletrônico, em uma narrativa que mistura cenas ficcionais e documentais.

Antes de submeter o filme à censura, Olney exportou cópias que circularam em festivais no Chile, na Alemanha, na Itália e na Quinzena dos Realizadores de Cannes. Em 1969, um avião foi sequestrado por guerrilheiros e desviado para Cuba. Um dos envolvidos havia pedido ao cineasta, semanas antes, uma cópia de “Manhã Cinzenta”. Olney passou a ser investigado sob a suspeita, nunca comprovada, de que o filme teria sido exibido durante o sequestro.

O cineasta foi preso e torturado pelo regime militar, ficando incomunicável por 12 dias. Cópias de seu filme foram apreendidas e destruídas pelas autoridades. Uma das poucas sobreviventes só escapou da apreensão porque o curador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna trocou a lata que guardava a película. O processo judicial contra Olney só foi arquivado em 1972.

Debilitado pela prisão, o cineasta sofreu sequelas pulmonares que evoluíram para câncer e o levaram à morte, no Rio de Janeiro, em 1978, aos 41 anos. Mesmo perseguido, seguiu produzindo filmes, entre eles o longa “O Forte” e o curta “Sob Ditame de Rude Almajesto: Sinais de Chuva”.

Com informações da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) e de Yves São Paulo.



Por Midia Ninja

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