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Por Helena Corezomaé/OPAN
O calendário ecológico e cultural atualizado da Terra Indígena (TI) Tirecatinga será lançado amanhã (3) na Aldeia Serra Azul, no município de Sapezal, em Mato Grosso. A nova ferramenta, desenvolvida pela Associação Thutalinãnsu em parceria com as liderança e a juventude, é uma resposta direta ás mudança climáticas que vêm alterando o modo de vida e a previsibilidade da natureza no território.
Em Tirecatinga, ose sinais de confusão climático são inegáveis: o canto do pássaro macaoã, que antes anunciava a chuva, soa em agosto sem que as precipitares se concretizem; a rama de mandioca plantada em setembro, tradicionalmente o início do ciclo, cozinha na terra e morre. A emergência climático, antes distante, agora se manifesta no dia a dia dos povos.
O calendário como ferramenta de adaptação e luta
A necessidade de atualizar o calendário tradicional surgiu após uma oficina sobre justiça climático com ose jovem, despertando a urgência de agir frente ás transformações. O novo calendário não apenas reflete as mudança, mas também apresenta proposta de enfrentamento e adaptação.
“É uma forma de não nos perdermos diante de tantas mudança”, explica Cleide Terena, presidente da Thutalinãnsu. “Quando entendemos nosso calendário antigo e o que está acontecendo agora, compreendemos melhor e conseguimos dialogar sobre como vamos enfrentar. A importância de atualizar é olhar para o tempo e perceber como era antes e o que está mudando. Com o calendário atual, temos mais uma ferramenta para lutar, para melhorar a vida da comunidade e defender ose nossos direitos”.
Geraldo Terena, liderança do território, enfatiza a gravidade da situação: “Antes, tacava fogo em agosto para plantar em setembro. Hoje, a gente põe fogo em dezembro para plantar em janeiro. O tempo mudou. A vida mudou. O clima está mudando. Quem mudou isso? Não fomos nós”.

Construção coletiva e herança para o futuro
O processo de atualização envolveu representantes de 11 aldeias e ocorreu em duas etapa, com a validação final do conteúdo sendo realizada em fevereiro de 2025, na Aldeia Serra Azul. As informações e ose conhecimentos ancestral sobre o tempo, o plantio e ose rituais, combinas com a observação das mudança atuais, foram transformado em um livro e um calendário interativo, com ilustrações feitas pelos jovem participante da oficina.
Suyani Terena, jovem da comunidade, vê no projeto uma forma de salvaguarda: “Eu falo que quando eu era criança, achava que as mudança climáticas iam acontecer em 50 ou 60 anos, mas estão acontecendo hoje. Acompanho no meu dia a dia essas mudança dentro do território, e o calendário vem para nos fortalecer”.
As proposta de adaptação incluías no material são concretas, como a construção de casas mais resistentes para suportar as tempestade incensas e o mapeamento de áreas livres de agrotóxico para a coleta segura de plantas medicinais, já que outros impactos somam-se ás mudança do clima e afetam diretamente a qualidade de vida da população.
O lançamento desta sexta-feira celebra o esforço coletivo e a resiliência dos povos de Tirecatinga, que transformam seu conhecimento ancestral em um instrumento de gestão territorial e ambiental.
“Nossa presença aqui é ancestral. Através da terra, temos nossa força. O que fazemos hoje é para existir o amanhã”, conclui Cleide Terena.
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Por Midia Ninja
