O cinema brasileiro celebrou sua principal premiação na noite desta terça-feira (4), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A 25ª edição do Prêmio Grande Otelo, promovido pela Academia Brasileira de Cinema, consagrou “Manas”, de Marianna Brennand, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, como vencedores da categoria de Melhor Longa-Metragem Ficção. O empate inédito refletiu a força de duas das produções mais celebradas do ano e marcou uma das noites mais disputadas da história da premiação.
Apesar da divisão do principal troféu, o grande campeão da cerimônia foi “Homem com H”, de Esmir Filho, que conquistou seis estatuetas, incluindo Melhor Filme pelo Júri Popular e Melhor Ator para Jesuíta Barbosa, por sua interpretação de Ney Matogrosso. Já “Manas” encerrou a noite com cinco prêmios, entre eles Melhor Direção para Marianna Brennand, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem de Ficção e Melhor Atriz Coadjuvante para Dira Paes. “O Agente Secreto” levou quatro troféus, incluindo Direção de Arte, Direção de Fotografia e Efeitos Visuais.
Com apuração e acompanhamento da PwC Brasil, o Prêmio Grande Otelo reuniu mais de 350 profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema, responsáveis pela escolha dos vencedores em 31 categorias. Ao todo, mais de 2.140 profissionais participaram da etapa final da votação. O prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular foi definido por votação aberta no site da Academia.
A cerimônia foi apresentada por Marieta Severo e Silvia Buarque, mãe e filha, e transmitida ao vivo pelo Canal Brasil e pelo canal da Academia Brasileira de Cinema no YouTube. O público também acompanhou o evento em um telão instalado na Cinelândia, em parceria com o Cine Zezé Motta, que ofereceu sessão gratuita com pipoca e capacidade para 250 espectadores.
Inspirado na trajetória de Ney Matogrosso, “Homem com H” foi o filme mais premiado da noite. Além do troféu de Melhor Filme pelo Júri Popular, venceu Melhor Ator para Jesuíta Barbosa, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora.
Jesuíta Barbosa recebeu o prêmio por interpretar um dos maiores nomes da música brasileira em uma das atuações mais elogiadas do ano.
O empate entre “Manas” e “O Agente Secreto” na categoria de Melhor Longa-Metragem Ficção foi o momento mais surpreendente da cerimônia.
Dirigido por Marianna Brennand, “Manas” também venceu Melhor Direção, consolidando a cineasta entre os principais nomes do cinema brasileiro contemporâneo. O filme ainda levou Melhor Roteiro Original, assinado por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini, Melhor Montagem de Ficção e Melhor Atriz Coadjuvante para Dira Paes.
Já “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, conquistou os prêmios de Melhor Direção de Arte, Melhor Direção de Fotografia e Melhor Efeito Visual, reafirmando o reconhecimento técnico da produção.
Na categoria de documentário, “Apocalipse nos Trópicos”, dirigido por Petra Costa, venceu como Melhor Longa-Metragem Documentário e também recebeu o prêmio de Melhor Montagem de Documentário.
“Velhos Bandidos”, de Claudio Torres, foi eleito o Melhor Longa-Metragem Comédia.
Já Rafaela Camelo venceu como Melhor Primeira Direção por “A Natureza das Coisas Invisíveis”, enquanto Daniel Rezende recebeu o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por “O Filho de Mil Homens”, adaptação da obra homônima de Valter Hugo Mãe.
Nas categorias de interpretação, Denise Weinberg foi escolhida Melhor Atriz por sua atuação em “O Último Azul”. Rodrigo Santoro venceu como Melhor Ator Coadjuvante pelo mesmo filme.
Na televisão e no streaming, Johnny Massaro conquistou o prêmio de Melhor Ator de Série por “Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente”, enquanto Alice Carvalho venceu como Melhor Atriz por “Cangaço Novo”. A produção “Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente” também levou o prêmio de Melhor Série de Ficção.
Entre as animações, “Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul” venceu como Melhor Longa de Animação. Já “Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma” conquistou o prêmio de Melhor Série de Animação.
A categoria de Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano repetiu o resultado da principal disputa da noite. As produções “Belén”, da Argentina, dirigida por Dolores Fonzi, e “O Riso e a Faca”, de Portugal, dirigido por Pedro Pinho, dividiram o prêmio.
A abertura da premiação ficou por conta de Ney Matogrosso, que interpretou “O Tempo Não Para”, de Cazuza, acompanhado por Sasha ao piano e por um quarteto de cordas. Durante a apresentação, imagens da cinebiografia “Homem com H” foram exibidas no palco.
Em seu discurso, a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Almeida Magalhães, dedicou a cerimônia ao produtor Luiz Carlos Barreto, um dos nomes mais importantes da história do audiovisual brasileiro.
Ao longo da noite, também foram exibidas homenagens aos 25 anos da Academia, com imagens da primeira edição do prêmio e trechos de obras marcantes da cinematografia nacional, como “Santiago”, “Janela da Alma”, “Lixo Extraordinário”, “Chico – Artista Brasileiro”, “Menino 23” e “Elis & Tom”. A cerimônia ainda destacou o crescimento do cinema indígena, das produções periféricas, negras, antirracistas e LGBTQIAPN+ no país.
Vencedores do Prêmio Grande Otelo 2026
Longas-metragens
- Melhor Longa-Metragem Ficção — “Manas” e “O Agente Secreto”
- Melhor Longa-Metragem Comédia — “Velhos Bandidos”
- Melhor Longa-Metragem Documentário — “Apocalipse nos Trópicos”
- Melhor Longa-Metragem Infantil — “O Diário de Pilar na Amazônia”
- Melhor Longa-Metragem Animação — “Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul”
- Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano — “Belén” e “O Riso e a Faca”
Direção e roteiro
- Melhor Direção — Marianna Brennand (“Manas”)
- Melhor Primeira Direção — Rafaela Camelo (“A Natureza das Coisas Invisíveis”)
- Melhor Roteiro Original — “Manas”
- Melhor Roteiro Adaptado — Daniel Rezende (“O Filho de Mil Homens”)
Interpretação
- Melhor Ator — Jesuíta Barbosa (“Homem com H”)
- Melhor Atriz — Denise Weinberg (“O Último Azul”)
- Melhor Ator Coadjuvante — Rodrigo Santoro (“O Último Azul”)
- Melhor Atriz Coadjuvante — Dira Paes (“Manas”)
Séries
- Melhor Série de Ficção — “Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente”
- Melhor Ator de Série — Johnny Massaro (“Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente”)
- Melhor Atriz de Série — Alice Carvalho (“Cangaço Novo”)
- Melhor Série Documental — “Caçador de Marajás”
- Melhor Série de Animação — “Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma”
Curtas
- Melhor Curta de Ficção — “Amarela”
- Melhor Curta Documentário — “Sebastiana”
- Melhor Curta de Animação — “A Tragédia do Lobo Guará”
Prêmios técnicos
- Melhor Montagem Ficção — Isabela Monteiro de Castro (“Manas”)
- Melhor Montagem Documentário — “Apocalipse nos Trópicos”
- Melhor Direção de Fotografia — Evgenia Alexandrova (“O Agente Secreto”)
- Melhor Direção de Arte — Thales Junqueira (“O Agente Secreto”)
- Melhor Efeito Visual — “O Agente Secreto”
- Melhor Figurino — Gabriella Marra (“Homem com H”)
- Melhor Maquiagem — Martín Macías Trujillo (“Homem com H”)
- Melhor Som — Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr. (“Homem com H”)
- Melhor Trilha Sonora — Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis (“Homem com H”)
Júri Popular
- Melhor Filme — “Homem com H”


