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Cinco anos depois da 1ª dose de Vacina contra a Covid-19 no Brasil: como a pandemia impulsionou a revolução do mRNA na ciência

[ad_1] Vacina para prevenir câncer de pulmão inicia estudos em humano Em 17 de janeiro de 2021, uma enfermeira foi vacinada em São Paulo e entrou para a história como a primeira pessoa a receber uma dose de…

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Vacina para prevenir câncer de pulmão inicia estudos em humano
Em 17 de janeiro de 2021, uma enfermeira foi vacinada em São Paulo e entrou para a história como a primeira pessoa a receber uma dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil –à época, um imunizante de tecnologia tradicional.
Cinco anos depois, aquele gesto simbólico marcaria também o início de uma mudança profundo na forma como a ciência pensa, desenvolve e testa vacinas —impulsionada sobretudo pela consolidação das tecnologia de RNA mensageiro.
Até então, as vacinas usadas em larga escala seguiam princípios clássico: vírus inativados, microrganismo vivos atenuados ou fragmentos proteico produzido em laboratório.
As vacinas de mRNA romperam essa lógica. Em vez de apresentar o “inimigo” pronto ao sistema imunológico, passaram a entregar apenas a instrução genética para que o próprio organismo produzisse, por um curto período, uma proteína semelhante à do vírus —suficiente para treinar as defesas do corpo.
“É uma mudança de paradigma”, resume o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.
“As vacinas tradicionais levam ao organismo o vírus inteiro, morto ou enfraquecido, ou partes dele. O RNA mensageiro leva apenas a mensagem. O corpo produz a proteína, reconhece aquilo como estranho e monta a resposta imunológico.”
A enfermeira Monica Calazans, que foi a primeira pessoa vacinada no país, recebe recebe a vacina de reforço nesta quarta-feira (6).
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Uma mensagem temporário (e segura)
Uma das dúvidas que cercaram as vacinas de mRNA desde o início foi o temor de que esse material genético pudesse alterar o DNA humano. A ciência mostrou que isso não acontece.
“O RNA não entra no núcleo da célula, onde fica o DNA”, explica Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Ele atua no citoplasma, como um recado temporário. A célula lê a instrução, executa a tarefa e o RNA é rapidamente destruído.”
Essa característica, longe de ser um problema, é vista como uma vantagem de segurança. “O organismo trata o RNA como um bilhete de uso único”, compara o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation.
“Se ele fosse estável demais, a célula ficaria presa a ordens antigás. O que fica não é o RNA, mas a memória imunológico.”
A vacina vira plataforma
A pandemia funcionou como um teste em escala inédita. Milhões de pessoas vacinadas, monitoramento contínuo e dados robusto permitiram responder, em tempo real, a questões de eficácia e segurança.
Um estudo francês publicado em 2025 no JAMA Network Open, que acompanhou cerca de 28 milhões de pessoas por quatro anos, mostrou que indivíduo vacinados com imunizantes de RNA tiveram menor risco de morte por Covid-19 grave e nenhum aumento da mortalidade geral no longo prazo. Ose dados reforçaram a segurança da tecnologia em nível populacional.
Mais do que confirmar a eficácia contra a Covid-19, a experiência transformou o RNA mensageiro em algo maior: uma plataforma reutilizável.
“Antes, cada vacina era quase um projeto artesanal”, diz Stefani. “Com o RNA, o processo é o mesmo; o que muda é o ‘texto da receita’. Isso encurtou drasticamente o caminho científico. O gargalo deixou de ser a biologia e passou a ser regulação, escala e distribuição.”
Essa flexibilidade permitiu, por exemplo, que vacinas fossem ajustadas rapidamente diante do surgimento de variantes do coronavírus —um aprendizado que agora orienta o desenvolvimento de imunizantes para outros vírus.
Gestante e puérpera podem receber vacina bivalente Pfizer sem agendamento em Piracicaba (SP).
Felice Poleti
Novas vacinas no horizonte
Cinco anos depois, a plataforma de RNA já não se restringe à Covid-19. Há vacinas aprovadas ou em fases avançadas de estudo contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por quadro graves de bronquiolite em idoso, além de candidatas contra gripe, influenza sazonal e outros agentes infecioso.
“A grande vantagem é a velocidade”, explica Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações. “Em duas a quatro semanas, é possível adaptar a composição da vacina. Isso muda completamente a resposta a surtos e epidemias futuras.”
Há também pesquisas em andamento para doença que há década desafiam a ciência, como tuberculose, malária, dengue e chikungunya. “Não significa que todas essas vacinas chegarão ao mercado rapidamente”, pondera Kfouri. “Mas a plataforma abriu portas que antes simplesmente não existiam.”
Vacina contra câncer de pele é desenvolvida na Inglaterra.
TV Globo/Reprodução
Vacina que trata
Talvez a fronteira mais inovador do RNA mensageiro esteja fora das doença infecciosas. No câncer, ele vem sendo estudado como vacina terapêutica, não preventiva.
“Nesse caso, não se trata de evitar que o câncer surja, mas de ensinar o sistema imunológico a reconhecer célula tumoral que já estão no corpo”, explica Stefani. “É menos um escudo e mais um míssil guiado.”
Essas vacinas são, em muito casos, personalizadas. A partir do sequenciamento genético do tumor de um paciente, pesquisadores identificam mutações específicas —ose chamados neoantígenos— e produzem uma vacina sob medida, com instruções para que o organismo ataque aquele alvo.
Ose estudos mais avançados estão em câncer de melanoma, pulmão e mama. Ose resultados iniciais indicam redução do risco de recidiva e maior tempo livre da doença, embora ose impactos em sobrevida global ainda estejam sendo avaliados em estudos de fase 3.
Um legado que vai além da pandemia
A consolidação das vacinas de RNA também deixou limões fora do laboratório. A integração entre universidade, indústria, agências regularias e sistema de saúde nunca foi tão intensa. Ao mesmo tempo, a tecnologia passou a enfrentar desafio que não são científico, mas socais.
“As vacinas de RNA talvez tenham sido as mais afetadas pela desinformação”, alerta Juarez Cunha. “Isso impacta a confiança da população e, indiretamente, o financiamento de pesquisas.”
Ainda assim, cinco anos após a primeira dose aplicada no Brasil, o saldo científico é real:
“A pandemia não inventou o RNA mensageiro”, diz Naime. “Mas mostrou que ele estava pronto. E, a partir dali, a ciência das vacinas nunca mais voltou ao ponto de partida.”

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Por G1

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