Por Evelyn Ludovina
O jornalista José Xânxa, de Grajaú, município localizado no centro-sul do Maranhão, denuncia que vem sofrendo ameaças, intimidações e perseguição política após questionar publicamente a investigação sobre o assassinato do servidor municipal Wilasmar Santana. Além das ameaças, Xânxa afirma ter sido exonerado do cargo que ocupava na Prefeitura de Grajaú, medida que atribui a uma retaliação por sua atuação como comunicador. O caso já chegou ao Ministério Público, à Ouvidoria da Polícia, ao Conselho Estadual de Direitos Humanos e recebeu manifestação pública de apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
As denúncias apontam para uma sequência de constrangimentos praticados por um agente estatal após o jornalista levantar dúvidas sobre a condução das investigações do homicídio de Wilasmar Santana. Segundo Xânxa, desde que passou a questionar a rapidez com que a Polícia Civil anunciou a elucidação do crime, tornou-se alvo de intimidações que, posteriormente, se estenderam à sua vida profissional.
Wilasmar Santana era servidor da Prefeitura de Grajaú e foi encontrado morto há cerca de três meses. De acordo com a investigação da Polícia Civil, ele foi assassinado por asfixia, e o corpo foi carbonizado dentro do próprio veículo. Um adolescente confessou participação no crime e apontou o envolvimento de um segundo suspeito, de 20 anos, que teria ajudado a incendiar o automóvel. Conforme a polícia, a motivação seria uma dívida de R$ 7 mil.
Apesar da conclusão apresentada pelas autoridades, José Xânxa afirma que considerou insuficientes as explicações divulgadas sobre o caso e passou a fazer questionamentos públicos sobre a investigação.
“A Polícia Civil apresentou, em menos de 24 horas, o caso como resolvido com a apreensão de apenas um menor de idade. No meu papel de jornalista, fiz um vídeo apontando que aquilo não podia ser chamado de solução, de justiça. Curiosamente, foi só depois da minha cobrança e da repercussão que as autoridades apontaram outro envolvido, que foi solto na audiência de custódia. Tive notícia de que o menor já esteja em liberdade, mas o processo segue em sigilo”, afirmou Xânxa em entrevista ao Mídia NINJA.
Segundo ele, foi a partir desse momento que começaram as ameaças e os episódios de intimidação. Em entrevista à Agência Tambor, o jornalista afirmou que sua situação também está inserida em um contexto de perseguição política dentro da administração municipal. Ele relata que foi exonerado do cargo que ocupava na assessoria vinculada ao vice-prefeito de Grajaú e atribui sua demissão a uma retaliação pelos questionamentos feitos sobre o caso Wilasmar.
“O delegado regional, autoridade máxima da Polícia Civil local, e sua equipe passaram a me desqualificar publicamente nas redes sociais, em seus perfis públicos e profissionais, me rotulando de ‘antiético’ e ‘caça-likes’. Depois, escalaram para uma interferência direta e criminosa ao ligar para o meu contratante. Enviaram uma mensagem pelo perfil oficial da delegacia afirmando: ‘Que isso? Ele fez esse vídeo nos atacando’, para o meu contratante. Após minhas denúncias, uma blogueira fez um vídeo questionando o fato de jornalistas estarem denunciando ameaças ao trabalho da imprensa, pois ela nunca havia sido ameaçada e isso não era do conhecimento dela. A viatura na minha porta, às 23h08, foi um sinal vermelho. Depois seguiu para uma esquina, depois para outra, sempre devagar. Não havia nenhuma ocorrência, mas chegou com o giroflex ligado e parou de forma obscura”, diz.
Documentos cedidos à reportagem apoiam a versão apresentada pelo jornalista. Entre eles está o extrato do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), que registra o encerramento de seu vínculo empregatício com a Prefeitura de Grajaú.
“Acabei sem meu sustento apenas por exercer o jornalismo. Hoje, estou sem renda, sob constante alerta e temendo pela minha vida”, afirma.

Em junho, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) publicou uma nota de repúdio em solidariedade ao jornalista maranhense. A entidade manifestou preocupação com as denúncias de ameaças e intimidações e defendeu a garantia das condições necessárias para o exercício livre e seguro do jornalismo. A Fenaj destacou que ataques contra comunicadores não atingem apenas esses profissionais, mas também comprometem o direito da sociedade de acessar informações de interesse público.

Atualmente, o medo de sofrer violência física é um sentimento constante na vida do comunicador. Ainda assim, ele afirma que não irá recuar nem validar o coronelismo e o silenciamento de jornalistas e servidores públicos no interior do Maranhão.
“Eu não cometi crime algum, só fiz perguntas que as autoridades não queriam responder. O que está acontecendo comigo em Grajaú é pedagógico para o Brasil ver como funcionam as engrenagens da perseguição local. Vou até o fim para exigir que o Ministério Público e as redes de direitos humanos garantam a minha segurança e responsabilizem quem abusou do poder estatal contra mim”, conclui.
O caso passou a ser acompanhado pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos e foi encaminhado ao Ministério Público e à Ouvidoria de Polícia. Até o momento, segundo o jornalista, não foram adotadas medidas formais de proteção, apesar das denúncias apresentadas.
