Os Estados Unidos impõem ainda mais sanções a Cuba

Portal Inhaí
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Por Pablo Meriguet

Em meio a uma crise humanitária causada por fatores externos, conforme relatado pelas Nações Unidas há várias semanas, o governo dos Estados Unidos decidiu desferir mais um golpe contra a economia cubana, que vive sob embargo. As sanções passam agora a atingir o sistema financeiro do Exército cubano (GAESA) e outras empresas estatais, como a mineradora GeoMinera. Além disso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, decidiu sancionar a esposa de Alejandro Castro Espín, que já havia sido sancionado anteriormente.

“A GAESA continua a atuar como o braço financeiro por trás do aparato repressivo de segurança do regime cubano”, afirmou o Departamento de Estado dos EUA ao listar as “instituições financeiras ligadas à GAESA” e outros alvos das sanções.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, respondeu às novas sanções: “O governo dos Estados Unidos, liderado por seu desonesto e enganador secretário de Estado, continua adotando medidas para apertar o cerco à economia de Cuba, mesmo depois de Cuba ter demonstrado ser mais forte, mais capaz e mais eficaz do que ele esperava diante da agressão implacável e da punição coletiva impostas ao povo e às suas condições de vida. O que esse indivíduo está promovendo, a partir da maior potência do mundo, é um crime.”

Uma ofensiva prolongada contra Cuba

Desde a década de 1960, Washington impõe um bloqueio econômico e comercial à ilha de Cuba com o objetivo de enfraquecer, a partir de dentro, o projeto revolucionário iniciado em 1959. No entanto, ao longo dessas décadas, Cuba conseguiu se manter firme graças à forte convicção e à unidade nacional, bem como à colaboração de países aliados, como a antiga União Soviética, a China, o Vietnã e a Venezuela, entre outros.

Washington tem respondido a essa capacidade de resistência, periodicamente, com uma série crescente de sanções destinadas a enfraquecer os mecanismos criados pelo governo de Havana para contornar o bloqueio econômico. As sanções unilaterais dos Estados Unidos foram condenadas, em dezenas de ocasiões, por quase todos os países do mundo na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O mais recente grande golpe desferido pelo país mais poderoso do mundo contra uma ilha caribenha com pouco mais de 10 milhões de habitantes ocorreu em 3 de janeiro de 2026, após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que atualmente estão presos em Nova York. Durante grande parte do século XXI, a Venezuela foi o principal exportador de petróleo para Cuba.

Após esse ataque, os Estados Unidos proibiram o governo interino em Caracas de vender petróleo a Cuba, que rapidamente buscou alternativas para abastecer seus sistemas de geração de eletricidade, a indústria, o comércio, a saúde e a educação — setores dependentes quase exclusivamente de geradores movidos a combustível. No entanto, no fim de janeiro, o governo Trump, em seu esforço para estrangular permanentemente a economia cubana, advertiu que sancionaria qualquer país que vendesse petróleo à ilha.

Em resposta, apenas a Rússia ousou desafiar a decisão unilateral e controversa de Washington e conseguiu enviar um navio-tanque de petróleo para Cuba. Porém, esse combustível acabou há mais de um mês, e a situação no país é crítica. Milhares de civis sofrem as consequências de um bloqueio energético que os privou do acesso à assistência médica, à educação, à produção de alimentos e até mesmo à água, já que muitas pessoas dependem de caminhões-pipa para obter água potável, os quais agora estão parados devido à falta de gasolina.

No entanto, o sofrimento da população civil não parece estar entre as principais preocupações de um cenário geopolítico hemisférico que, mais uma vez, revelou toda a sua força imperialista, mesmo às custas de milhões de pessoas que nada têm a ver com essas divergências políticas.

Novas medidas econômicas para enfrentar a crise

Há alguns dias, sob enorme pressão dos Estados Unidos, o governo de Miguel Díaz-Canel decidiu abrir o mercado cubano aos interesses privados, em uma medida descrita como histórica. Cerca de 176 medidas integram um pacote destinado a atrair investimentos de capital privado, não apenas de pequenos investidores, mas também de grandes grupos econômicos.

As medidas permitem a criação de bancos privados, a concessão de empréstimos por essas instituições, novos canais privados para o envio de remessas do exterior, a criação de casas de câmbio privadas, a importação de insumos e combustíveis por agricultores e a importação e comercialização de combustíveis por empresas privadas.

Da mesma forma, estão sendo eliminados os limites para transferências bancárias, o controle estatal sobre o comércio exterior e a proibição de que uma mesma pessoa seja proprietária de mais de um negócio privado. As medidas também autorizam a criação de empresas com redes internacionais e franquias em Cuba, o investimento direto em empresas privadas e cooperativas cubanas, bem como no setor imobiliário, entre diversas outras iniciativas.

Apesar desse claro movimento em direção à liberalização do mercado, parece que os Estados Unidos não querem perder a oportunidade de derrubar o único país socialista das Américas — um país que lhes resiste de forma firme desde a década de 1960, ainda que tenha sido obrigado a se adaptar para sobreviver ao mais longo embargo econômico da história moderna.



Por Midia Ninja

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