
Mulher morre após ser jogada de altura de 40 metros sem cordas em rope jump
Três pessoas de 42, 32 e 27 anos serão investigadas por homicídio com dolo eventual após a morte da jovem lançada sem corda em um salto de rope jump, neste sábado (13), em Limeira (SP). Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, não resistiu ao cair da plataforma de 40 metros de altura.
As identidades dos suspeitos não foram divulgadas até a publicação dessa reportagem, mas a polícia informou que eles atuavam na atividade. Um era bombeiro civil e os outros ajudavam nos preparativos para os saltos. Inicialmente, seis haviam sido detidos, mas três foram liberados.
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Homicídio com dolo eventual é quando a pessoa não quer diretamente matar alguém, mas assume o risco de que a morte possa acontecer ao praticar determinada conduta. No Direito Penal, existe diferença entre:
dolo direto: quando há intenção clara de matar;
dolo eventual: quando a pessoa prevê que sua atitude pode causar a morte, mas mesmo assim decide agir;
culpa: quando não há intenção nem aceitação do risco, mas ocorre negligência, imprudência ou imperícia.
Vídeo registrou salto e desespero
Mulher morre em salto de bungee jump no interior de SP; testemunha diz à PM que empresa esqueceu de colocar corda
Reprodução
Uma testemunha disse à PM que os funcionários da empresa responsável esqueceram de colocar o equipamento antes do salto. Em um vídeo divulgado nas redes sociais é possível ver o momento em funcionários carregam a vítima até a plataforma. Eles a jogam e, instantes depois, é possível ouvir vozes exclamando: “a corda”, “gente, a corda”. Assista acima – as imagens são fortes.
Os homens das imagens aparecem usando camisetas das empresas Entre Cordas e Ih Voei. Até a última atualização desta reportagem, o g1 não havia conseguido contato com representantes de nenhuma das duas.
Nesta tarde, a Prefeitura de Limeira informou que vai processar o Governo Federal por omissão na Ponte do Esqueleto, de onde a jovem saltou. Segundo a administração municipal, a esfera seria responsável por pela fiscalização, manutenção e controle de acesso do local (entenda mais detalhes abaixo).
Seis pessoas foram presas
Imagem mostra suspeitos chegando na delegacia após exame de corpo de delito
Reprodução
A ocorrência foi na trilha da Ponte do Esqueleto. Ainda segundo a PM, dois homens fugiram do local e só foram localizados com a ajuda do helicóptero Águia, que precisou realizar buscas na mata.
Ao todo, seis pessoas foram presas, mas três foram librados. O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas o óbito foi constatado ainda no local.
O caso foi levado ao 2º Distrito Policial de Limeira.
Jovem fez post antes do acidente: ‘quem deixou?’
Jovem morta após salto de rope jump sem corda em Limeira fez post antes do acidente
Reprodução/Redes Sociais
Maria Eduarda havia publicado registros do passeio momentos antes do acidente. Em uma sequência de stories postada no Instagram, ela mostrou o local da atividade, as pulseiras de identificação para o salto e imagens de representantes da empresa responsáveis pulando da ponte com equipamentos.
Uma das postagens, que marca o horário de 7h31, mostra o local onde ocorreria a atividade. Na foto é possível ver um banner da empresa “Entre Cordas” e a frase deixada pela vítima: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???”.
No perfil do Instagram, Maria Eduarda, que era de Jandira (SP), publicava fotos de atividades ao ar livre e contato com ambientes de natureza. A descrição do perfil cita formações em educação física e gestão esportiva e torcida para o Santos Futebol Clube.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, morta após ser lançada em rope jump sem corda
Reprodução/Instagram
Empresa tinha outras cinco datas anunciadas em SP e MG
A empresa responsável pelo salto cobrava R$ 180 pela atividade e tinha outras cinco datas agendadas para os próximos meses. Ao procurar a empresa para comentar o acidente, a reportagem recebeu uma mensagem automática com a agenda de saltos da Entre Cordas.
O conteúdo listava eventos futuros em São Paulo e Minas Gerais, além dos valores cobrados dos participantes. Para a Ponte do Esqueleto, onde ocorreu o acidente, havia vagas para a última sexta-feira (12) e para este sábado (13).
A empresa também anunciava uma nova data no local para 11 de julho. Em Rio Claro (SP), os saltos marcados para 14 de junho e 12 de julho custavam R$ 210. Já em Minas Gerais, as atividades previstas para 18 e 19 de julho saíam por R$ 250.
Prefeitura diz que vai processar Governo Federal por omissão
A Prefeitura de Limeira (SP) informou que vai processar o Governo Federal por omissão na Ponte do Esqueleto. Em nota divulgada durante a tarde, a administração municipal disse que “vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis pela área” e que a tragédia “torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão”.
Segundo a Prefeitura, a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do Governo Federal. A administração municipal e a Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. “Nenhuma providência concreta foi adotada”, pontuou.
Infográfico – Mulher morre ao ser jogada sem cordas em salto de rope jump
Arte/g1
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Por G1
Morte em rope jump sem corda: três serão investigados por homicídio com dolo eventual
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