A SEDA SP 2026 anuncia os curtas-metragens selecionados para sua programação oficial após uma chamada aberta que recebeu inscrições de diferentes regiões do Brasil. O resultado reúne produções independentes que dialogam diretamente com os principais eixos da mostra — cinema negro, indígena, LGBTQIAPN+, PCD e linguagens periféricas — reafirmando o compromisso do evento com a circulação de novas narrativas e o fortalecimento do audiovisual fora do circuito comercial tradicional.
As obras selecionadas atravessam diferentes formatos, territórios e experiências sociais, reunindo realizadores de estados como São Paulo, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Sergipe, Pará e Rio de Janeiro. Entre documentários, ficções e experimentações audiovisuais, os filmes abordam memória, ancestralidade, identidade, violência de Estado, maternidade, sexualidade e resistência cultural.
Distribuídos ao longo das sessões “Mostra de Curtas 1”, “Mostra de Curtas 2”, “Mostra de Curtas 3” e “Mostra de Curtas 4”, os trabalhos selecionados evidenciam a pluralidade de vozes presentes no cinema independente brasileiro contemporâneo.
Mostra de Curtas 1
“Frutafizz” (SP) — direção: Kauan Okuma Bueno
Cinema Negro
Sinopse: Durante uma brecha na viagem de trabalho ao interior, Mauro, acompanhado de seu colega de trabalho, visita a cidade que marcou sua infância, confrontando memórias distantes que parecem ganhar vida a cada esquina.
“Nunca Me Viram Gritar” (SP) — direção: Luccas Araújo e Danilo Teixeira
PCD
Sinopse: Após a morte de um amigo, Cândido, um homem surdo e infeliz com sua vida, é obrigado a fazer terapia para manter o emprego. Ao conhecer Gil, um tradutor oralizado de LIBRAS, ele decide buscar a mesma transformação, enfrentando profundas questões internas.
“Marcia Antonelli: Das Palavras à Sobrevivência” (AM) — direção: Mariellen Kuma
LGBTQIAPN+
Sinopse: O documentário acompanha a trajetória da escritora trans manauara Marcia Antonelli, entre a força de sua literatura e os desafios da sobrevivência nas ruas do centro histórico de Manaus.
“Escudo” (SP) — direção: Cauê Santiago e Andrey Haag
Linguagens Periféricas
Sinopse: O filme propõe uma reflexão sobre o fim da ditadura a partir das operações genocidas que marcaram a história da Baixada Santista, incluindo os assassinatos de MCs e a Operação Escudo/Verão, considerada a segunda maior chacina do estado de São Paulo após o massacre do Carandiru.
Mostra de Curtas 2
“Entrevista com Fantasmas” (SP) — direção: Lincoln Péricles (LK)
Linguagens Periféricas
Sinopse: Existe um cinema que não existe.
“BICI, A História de uma Bicicleta no Afuá” (PA) — direção: Otoniel Oliveira
Linguagens Periféricas
Sinopse: Bici é uma mountain bike que viaja para a cidade de Afuá, no arquipélago do Marajó, em busca de aventuras. Após sofrer um acidente e ser abandonada, ela precisa aprender a se reconstruir enquanto conhece uma sociedade onde as bicicletas são o principal meio de transporte.
“Meu e Seu” (BA) — direção: Gabriel Freire
LGBTQIAPN+
Sinopse: Em meio às relações afetivas e aos atravessamentos da intimidade, o curta propõe um olhar sensível sobre vínculos, pertencimentos e subjetividades.
“Ô Celina, Ô Celina – Biu Neguinho” (PE) — direção: Jadson André da Silva e Sheila Moreno
Cinema Negro
Sinopse: O documentário reverencia a vida e a obra de Mestre Biu Neguinho, figura essencial para a história do Samba de Coco de Arcoverde. Criador da marcante batida do surdo, seu legado fortaleceu a identidade do ritmo e influenciou gerações de artistas e grupos culturais.
“Pupá” (RN) — direção: Osani da Silva
Cinema Indígena
Sinopse: Pupá vive em Acari (RN), dividindo sua rotina entre trabalhos domésticos, o ofício de cambista e a produção de lambedores. Nos fins de semana, encontra nas serestas e nos rios espaços de liberdade e reafirmação de sua autonomia.
Mostra de Curtas 3
“A Culpa é da Mãe” (SE) — direção: Luciana Oliveira e Manoela Veloso Passos
Linguagens Periféricas / Cinema Negro
Sinopse: Um conjunto de mulheres compartilha relatos íntimos sobre maternidade, revelando experiências frequentemente invisibilizadas por expectativas sociais e julgamentos morais.
“Mães” (RJ) — direção: Bruna Aguiar
LGBTQIAPN+
Sinopse: O documentário retrata a jornada de casais de mulheres lésbicas que buscaram realizar o sonho da maternidade, explorando desafios técnicos, legais e emocionais enfrentados ao longo desse processo.
“Canto” (GO) — direção: Danilo Daher
Linguagens Periféricas
Sinopse: Débora tenta conseguir um emprego para pagar os aluguéis atrasados da kitnet onde vive, enquanto Ryan precisa se esconder.
Mostra de Curtas 4
“Mukunã: Aprendiz de Pajé” (RN) — direção: Rodrigo Sena
Cinema Indígena
Sinopse: Mukunã se prepara para se tornar pajé da aldeia Potiguara Katu. Enquanto aprende com as plantas ancestrais, o filme denuncia o avanço do desmatamento sobre o território indígena.
“Xavier” (SP) — direção: Ricky Pop Mastro
PCD
Sinopse: Nicolas começa a perceber que a atenção de seu filho Xavier, de 11 anos, já não está apenas nas baquetas da bateria, mas também voltada para outros meninos.
“Como Nasce um Rio” (BA) — direção: Luma Flôres
LGBTQIAPN+
Sinopse: Ayla desperta em uma paisagem cercada por vegetação e rios. Ao explorar o espaço ao seu redor, embarca em uma jornada de autodescoberta.
“Couraça” (BA) — direção: Susan Kalik e Daniel Arcades
Cinema Negro
Sinopse: Após o massacre do bando de Lampião, dois cangaceiros amantes atravessam o sertão levando uma cangaceira grávida de volta para casa, enquanto enfrentam desejos e escolhas que já não cabem mais no mundo ao redor.
A programação da SEDA — Semana do Audiovisual SP 2026 acontece entre os dias 7 e 10 de maio, com entrada gratuita, na NAVE Coletiva, no Cambuci, e na Agência Solano Trindade, na Vila Pirajussara, em São Paulo.
