Por Evelyn Ludovina
O ator, diretor e multiartista amazonense Eric Max, de 28 anos, vive uma fase de consolidação no audiovisual brasileiro, com projetos que atravessam território, ancestralidade e memória familiar, além de refletirem as transformações sociais e ambientais da Amazônia. Natural de Novo Airão (AM), o artista tem retornado à cidade natal para desenvolver obras que conectam sua trajetória pessoal às urgências contemporâneas da região.
No início deste ano, Eric voltou a Novo Airão para integrar o elenco do longa-metragem independente “Contigo”, dirigido por Sarah Margarido. No filme, interpreta Aruã, um jovem que vive com a mãe, Maria — personagem de Joce Mendes — em uma comunidade ribeirinha amazônica. A narrativa se constrói a partir da relação íntima entre mãe e filho, atravessada por conflitos sociais e pelos impactos cada vez mais visíveis da crise climática no cotidiano local.
“Voltar para Novo Airão para realizar um trabalho não foi apenas uma escolha geográfica, mas uma decisão estética e política. É o lugar onde minha história começa e de onde minhas narrativas fazem sentido”, afirma o artista. Sobre o personagem, Eric destaca que Aruã representa muitos jovens amazônidas que crescem entre o afeto familiar e as ameaças constantes ao território. A estreia de “Contigo” está prevista para o primeiro semestre deste ano.
Paralelamente, Eric também integra o elenco de “Quem é que vai nos proteger”, atualmente em fase de finalização, ampliando sua presença no cinema independente nacional e reforçando seu interesse por produções que dialogam com questões sociais urgentes.
Além da atuação, o artista desenvolve o documentário autoral “Mãe Rosa”, que retrata a trajetória de sua avó, Dona Rosália, curandeira de 76 anos e figura emblemática de Novo Airão. O filme aborda saberes tradicionais, espiritualidade, oralidade e memória coletiva. “Contar a história da minha avó é um gesto de afeto, mas também de responsabilidade. Ela representa um conhecimento que não está nos livros, mas que sustenta comunidades inteiras”, destaca.
Eric também finaliza o livro “Madadá”, com lançamento previsto ainda este ano pela Editora Viseu. A obra conecta a história das grutas de Madadá, na Floresta Amazônica, à trajetória de sua família paterna, em um exercício literário de resgate e pertencimento. “Escrever esse livro foi como caminhar por histórias que estavam soterradas dentro de mim. Descobri memórias da minha família que eu não conhecia e entendi melhor quem eu sou”, conclui.
