No emblemático 11 de abril, data em que se celebra o Dia Nacional da Escola de Samba, a Mocidade Unida da Mooca (MUM) não apenas honrou o passado, mas traçou o seu futuro. A agremiação da Zona Leste anunciou oficialmente o enredo que levará para o Anhembi em 2027: “MODUPÉ, CARDEAIS!”.
A proposta é um mergulho profundo na ancestralidade e na resistência negra que moldaram o Carnaval de São Paulo, muito antes das luzes do sambódromo ou das canetadas oficiais.
A História “Empretecida” contra o Apagamento
O enredo nasce com uma missão clara: combater o embranquecimento histórico e devolver o protagonismo aos verdadeiros arquitetos da folia paulistana. O texto de apresentação da escola é contundente: “Os livros quiseram embranquecer a história, mas a realidade é empretecida”.
A MUM se propõe a ser a voz daqueles que ergueram as bases das comunidades e que, em muitos casos, não tiveram o privilégio de ver suas agremiações alcançarem o topo do pódio. É um agradecimento (Modupé) aos que abriram caminho com o suor e o batuque.
Nomes de Peso e Territórios Sagrados
O desfile promete reviver a trajetória de figuras lendárias que são o alicerce do samba paulista:
- Seo Nenê
- Madrinha Eunice
- Dionísio e Pé Rachado
Além das personalidades, a Mooca percorrerá o mapa afetivo do samba, do Largo da Banana ao Bixiga, passando pela religiosidade de Pirapora.
Porque antes do decreto, já havia tambor. Antes da avenida, já havia povo, já havia a negritude.” Trecho do manifesto do enredo.
O ano de 2027 marca o sexagenário da oficialização do Carnaval de São Paulo. No entanto, a Mocidade Unida da Mooca escolhe um caminho diferente para a efeméride: em vez de celebrar a burocracia do estado, celebra a resistência dos terreiros e das ruas.
Modupé, Cardeais! O tambor da Mooca já começou a ecoar para 2027.
Quentinhas: Na última semana houve audição de intérprete feminina.No próximo dia 18 de abril,acontece a apresentação do novo intérprete Pixulé e aniversário da escola.
