Carnaval SP 2027: A Homenagem estrutural que falta no Grupo Especial — Leci Brandão.

Éric Tomas
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História é legado: está na hora do Grupo Especial de São Paulo homenagear Leci Brandão

Memória é responsabilidade cultural. E no universo do samba, legado se constrói na avenida, mas também se reconhece em vida.

Se hoje a palavra comunidade ocupa lugar central no discurso das escolas de samba, é necessário reconhecer quem ajudou a consolidar esse olhar. Durante 18 anos em rede nacional, Leci Brandão exerceu um papel que ultrapassou o comentário técnico: ofereceu leitura histórica, social e cultural dos desfiles, valorizando os protagonistas reais das agremiações ritmistas, baianas, compositores, trabalhadores de barracão e a base comunitária que sustenta o espetáculo.

Sua trajetória é marcada por pioneirismo. Foi a primeira mulher compositora da Estação Primeira de Mangueira, rompendo barreiras em um espaço historicamente masculino. Sua atuação política e cultural consolidou-se como referência na defesa do samba enquanto patrimônio popular e instrumento de transformação social.

O reconhecimento já aconteceu em momentos importantes. Em 2012, a Acadêmicos do Tatuapé, ainda no grupo de acesso, prestou homenagem oficial. Em 2019, a Mangueira levou à avenida o discurso de que contaria “a história que os livros não contam”, reafirmando a importância de narrativas negras e populares.

Mais recentemente, em 2026, a Unidos de Bangu teve o olhar sensível com quem é de casa. A escola homenageou Leci reconhecendo também seus vínculos com a Zona Oeste carioca, onde residiu nas imediações de Bangu, Realengo e Senador Camará gesto de pertencimento e memória territorial.

São Paulo também conhece essa história. Foram inúmeras visitas a barracões paulistanos, presença constante na concentração, na grade e na dispersão. Incentivo público a diversas agremiações. Apoio declarado à cultura do samba como expressão da luta negra, feminina, social e LGBTQIAPN+.

Levar essa trajetória ao chão do Sambódromo do Anhembi seria mais do que uma escolha temática: seria um posicionamento histórico do Grupo Especial.

Homenagem em vida é reconhecimento estrutural.
Legado se celebra agora.
Ressalta Éric Tomas,


“Acompanho a obra de Leci Brandão há 24 anos e, há 10, também a interpreto como Leci Brandão Cover. Falo com propriedade de quem estuda, vivencia e respeita essa trajetória diariamente.”Já fui a Porto Alegre,ao Rio de Janeiro pela Acadêmicos do Sossego,União de Maricá e esse ano pela Unidos de Bangú,mas tô sentido falta desse enredo em São Paulo,onde Leci se consolidou e abriu portas para outras mulheres ocuparem como cantoras,sambistas e líderes.
Certamente quando um carnavalesco do grupo especial tiver esse olhar vai levar a força da mulher sambista para a avenida e e evidentemente ficarei grato,eu enquanto Presidente de Bloco de carnaval de rua ,fiz meu papel em 2024 ela foi tema na rua Augusta.Meu papel é esse reverenciar os nossos mestres e mestras .

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