O Planet Hemp, um dos maiores símbolos da contracultura brasileira, escolheu dividir o palco com o BaianaSystem em um momento histórico: o encerramento da turnê de despedida “A Última Ponta”, no Allianz Parque, em São Paulo, dia 15 de novembro. O convite não é à toa — entre as duas bandas existe uma ponte construída há mais de uma década, feita de rebeldia, discurso político, música inventiva e resistência cultural.
Ao longo de três décadas, o Planet Hemp não apenas revolucionou a sonoridade brasileira ao misturar rap, rock, hardcore e psicodelia, como também levantou bandeiras políticas que seguem vivas até hoje — em especial a defesa da legalização da maconha. Esse grito ecoou em novas gerações de artistas, como o BaianaSystem, que surgiu em Salvador em 2009 e se firmou como um dos principais representantes da música contemporânea brasileira, misturando guitarras baianas, dub e crítica social.
“O Planet sempre foi um referencial. Quando começamos a entender que música também era enfrentamento, eles já mostravam isso. Se eu falar sobre o que nos une, volto 10, 15 anos atrás, quando encontrei BNegão, Roberto Barreto… O BNegão sempre foi um diplomata da música brasileira, juntando pedaços de cada lugar e montando esse quebra-cabeça chamado Brasil”, contou Russo Passapusso, vocalista do Baiana, em entrevista à Rolling Stone Brasil em 2024.
Essa conexão já rendeu encontros históricos: o BaianaSystem é presença constante no Navio Pirata, trio elétrico da banda no Carnaval de Salvador, e esteve ao lado do Planet em festivais e registros ao vivo, como no DVD “Baseado em Fatos Reais: 30 anos de Fumaça”. Agora, a abertura do show derradeiro em São Paulo simboliza uma passagem de tocha, de um grito que nasceu nos anos 90 para outro que pulsa nas ruas de hoje.
A turnê do Planet Hemp, realizada pela 30e, percorre várias cidades do Brasil antes da grande despedida. O grupo passa por Salvador (13/9), Recife (20/9), Curitiba (3/10), Porto Alegre (4/10), Florianópolis (12/10), Goiânia (17/10), Brasília (18/10), Belo Horizonte (31/10) e Rio de Janeiro (8/11). Em cada parada, o repertório mistura clássicos e novidades, além de participações especiais que marcaram a história da banda.
Formado atualmente por Marcelo D2, BNegão, Formigão, Nobru, Pedro Garcia e Daniel Ganjaman, o Planet Hemp encerra um ciclo com a mesma ousadia que o consagrou. Já o BaianaSystem, com Russo Passapusso e Roberto Barreto à frente, segue expandindo fronteiras e reafirmando o poder da música como arma de transformação.
Ingressos para a turnê estão à venda no site da Eventim (com exceção de Salvador, que utiliza a Sympla).
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