Ativista Duda Negretto sofre agressão transfóbica em Araras (SP)

Ghe Santos
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A ativista Maria Eduarda “Duda” Negretto, que atua no movimento LGBTQIAP+, denunciou ter sido vítima de agressão transexista na madrugada de 17 de julho de 2025, em Araras, interior de São Paulo. Ela relatou que, enquanto caminhava pela Avenida Dona Renata, foi surpreendida por um homem que a asfixiou com um golpe mata‑leão e a atirou no Ribeirão das Araras. O ataque deixou Duda desacordada, e ao despertar, desmaiou na lama do córrego antes de conseguir sair e buscar socorro. O episódio a levou ao hospital, com dentes quebrados e parte do cabelo arrancado .

O advogado da ativista, Lucas Silva, informou que o registro do caso deverá ser feito na Delegacia de Defesa da Mulher de Araras, e que serão solicitadas imagens de câmeras de monitoramento para identificação do agressor. Duda permanece medicada e em recuperação .

Contexto da agressão

O ataque ocorreu pouco antes da realização da Parada LGBT+ de Araras, agendada para 20 de julho de 2025, na Praça Barão de Araras, um evento que já contava com mobilização local e participação da comunidade LGBTQIAP+ .

Reações de solidariedade

Movimentos sociais e ativistas lamentaram o caso e reforçaram a necessidade de proteção e visibilidade para pessoas trans. Embora não haja declarações diretas de autoridades sobre o episódio, o clima de tensão se relaciona a outros atos de transfobia na cidade.

Em 2023, a vereadora Deise Olímpio Oliveira (União Brasil) causou polêmica ao assinar uma moção de repúdio contra a participação de crianças em eventos LGBT+, classificando tais eventos como “aberração” — o que levou a protestos e denúncias formais de transfobia por parte da comunidade local . Organizações como a ABRAI também condenaram o discurso público da parlamentar, qualificando-o como discriminatório e incongruente com os direitos que defendem .

Em setembro daquele ano, durante o 1º Fórum LGBT+ de Araras, Duda participava como ativista e compartilhou sua trajetória e desafios desde sua transição. O evento reuniu lideranças locais e estaduais, incluindo o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL), que destacou o aumento do número de denúncias em cidades como Araras e a importância de canais de denúncia e políticas públicas .

Voz de pessoas Trans

Embora não haja depoimentos diretos da vítima no local da reportagem, manifestações coletivas ecoam relatos comuns sobre o impacto emocional da transfobia:

A estudante Ana Carla Tozzo, ao comentar sobre a fala da vereadora Deise, afirmou:

“A fala realmente fomenta todo esse ódio que a gente já combate dia a dia” .

A ABRAI relembrou que discursos públicos que associam o movimento LGBT+ à pornografia ou aberração aprofundam o preconceito e dificultam a inclusão em municípios como Araras .

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