Santo André viveu no último final de semana um dos momentos mais marcantes da sua história recente de luta por direitos. A 23ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ levou mais de 3 mil pessoas para as ruas do centro da cidade em um ato que uniu celebração, incidência política e reafirmação do direito de existir com orgulho, respeito e liberdade.
É preciso lembrar que realizar uma Parada no ABC é sempre um gesto de coragem. Em uma região marcada por disputas políticas intensas, colocar 3 mil corpos LGBTQIA+ nas ruas é afirmar que a diversidade faz parte da cidade e que não aceitaremos retrocessos.
A edição deste ano ganhou ainda mais força política com a presença de lideranças de todo o estado. Estiveram em Santo André a presidência e a vice-presidência do Conselho Estadual LGBT de São Paulo, conselheiros e conselheiras estaduais, representantes de conselhos municipais, de Paradas de diferentes regiões, de coletivos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
Essa articulação amplia o significado da Parada. Ela deixa de ser apenas um evento local e passa a ser parte de uma rede estadual de defesa de direitos, de construção de políticas públicas e de enfrentamento à LGBTfobia.
Ao longo do percurso, o que se viu foi a potência do encontro. Famílias, jovens, pessoas mais velhas, trabalhadores, artistas e ativistas ocuparam o espaço público com cartazes, leques, abraços e palavras de ordem que lembraram que orgulho é também memória e luta por dignidade.
A 23ª Parada de Santo André reafirma um compromisso que atravessa gerações: seguir ocupando espaços, levantando vozes e construindo uma sociedade onde todas as pessoas possam viver com segurança, respeito e liberdade para ser quem são.
Ghe Santos é ativista LGBTQIA+, comunicador, consultor em políticas públicas e colunista do Portal Inhaí. Atua na defesa dos direitos humanos, da diversidade sexual e de gênero e da memória dos movimentos sociais no Brasil.







