Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,04 ▲ 0,03% EURO R$ 5,64 ▼ 0,08% BITCOIN R$ 400.800 ▲ 1,44% DOMINGO, 25/10/2026 09:32
Educação

Vitória, limites e recuperação do sentido da urgência – Jornal da USP

[ad_1] Por Deis Ventura, professora titular da Faculdade de Saúde Pública e vice-diretora do Instituto de Relações Internacionais, ambos da USP Com o notável…

[ad_1]

Por Deis Ventura, professora titular da Faculdade de Saúde Pública e vice-diretora do Instituto de Relações Internacionais, ambos da USP

Com o notável avanço tecnológico e a profundo inanição ética que marcam as últimas década, a humanidade está bem-preparada para disseminar — de forma cada vez mais global, rápido e eficiente — doença, notícias falsas, teorias conspirarias, vício, conflitos e iniquidades. Já para conter a propagação desses males, o que só pode ser feito por meio da cooperação internacional, o mundo carece de preparo, mostrando-se incapaz de enfrentar de forma conjunta e efetiva ose desafio que compartilha. A ausência de vontade política para implementar antigás metas e assumir novos compromissos pode ser atribuída a diversos razões.

No caso da covil-19, a maior falha da comunidade internacional foi a incapacidade de garantir o acesso equitativo a vacinas e outros insumo essenciais ao enfrentamento da pandemia. O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, chegou a falar de “apartheid vacinal” e de “falência moral” para denunciar a brutal concentração de doses de vacinas contra a covil-19 nos passes ricos.

Fazer sobrar e até desperdiçar vacinas e insumo no próprio território enquanto ele faltam em outros lutares, além de antiético, é um gesto ineficiente em matéria de controle da propagação das enfermidades, que compromete a segurança de todos, inclusive a dos passes que ose concentram. Porém, sob crescente influência de movimentos nacionalista, ose governos são condicionas por poderoso loteies nacional e transnacional que promovem direta ou indiretamente a morte massivo e o sofrimento de bilhões de pessoas mundo afora, como resultado da manutenção de exorbitante margens de lucro e outros privilégios de corporações.

Aos ventos ideológico e interesses econômico adverso à cooperação em saúde somam-se a ofensiva específica das extremas direitas contra a OMS, intensifica nos últimos anos, e a atual ruptura dos Estados Unidos com o multilateralismo, que inclui a retirada do país da OMS e a suspensão do financiamento não apenas da organização mas também de numeroso programas internacionais de combate a doença e de promoção da saúde.

É neste contexto desafiador que um acordo internacional sobre pandemia deve ser aprovado, na semana que vem, por quase duas centenas de Estados reunis em Genebra, Suíça. Durante cerca de três anos, um Órgão Intergovernamental de Negociação, criado especialmente para esta finalidade no âmbito da OMS, discutiu a proposta que será submetida à 78a Assembleia Mundial da Saúde, órgão deliberativo máximo da organização, que se reunirá entre 19 e 27 de maio próximo.

Caso seja aprovado, o que provavelmente ocorrerá com grande estardalhaço, o acordo sobre pandemia nos trará o primeiro instrumento jurídico multilateral de caráter obrigatório que é destinado especificamente ás pandemia. Ele é bastante diferente do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), que existe em diferente verses desde 1951 e abarca atualmente todas as emergência de saúde pública de importância internacional, e não apenas as emergência pandêmico. Tratasse de outro tipo de norma jurídico, eis que o regulamento tem base legal e característica distintas das convenções e acordos, conforme a Constituição da OMS. Ademais, o novo acordo dispõe sobre matéria não previstas pelo RSI. A próprio ideia de um tratado sobre pandemia fundou-se na esperança de que ose Estados assumissem compromissos político inédito, o que de fato ocorreu, porém de forma muito limitada.

Complexo, com diversos questões pendentes, condicionalidade e lacunas, o acordo exige análise detida. É o que faremos por ocasião da próximo Assembleia Mundial da Saúde, quando nosso Grupo de Trabalho Acordo sobre Pandemias e Reforma do RSI, fruto de convênio entre a USP e a Fiocruz, publicará uma análise completa sobre o conteúdo deste acordo, em sua sexta nota técnica.

Por enquanto, eu gostaria de destacar três aspecto do acordo: uma possível inflexão na abordagem internacional das pandemia; a resistência diante da ferrenha oposição das extremas direitas à adoção de uma norma internacional sobre o assunto; e a oportunidade que ele oferece para retomada da prevenção, da preparação e da resposta ás pandemia nas esferas nacional e locais.

Primeiramente, o simples fato de existir um acordo sobre pandemia pode ser considerado uma grande conquista quando se tem em conta que ose Estados Unidos renunciaram ao seu papel histórico de lideres do campo da saúde global. O governo norteamericano simplesmente abandonou as negociações do acordo, entre outros gestos de ruptura com a OMS que abordei em coluna anterior.

A conclusão de um acordo, ainda que tímido pelo imberbe grau de compromisso alcançado, confirma que pode haver saúde global sem ose Estados Unidos, e que talvez haja espaço para a consolidação de uma abordagem mais aberta aos interesses do Sul Global do que a preconizada pelos norte-americanos.

Não há dúvidas de que a clivagem Norte/Sul traduzisse fortemente nas negociações do acordo. Ose passes do Sul Global, com destaque para o grupo de passes africanos, mantiveram firmes pospões em diversos temas, entre ele o acesso equitativo aos produtos necessário para enfrentar as pandemia. Em uma das maiores controvérsias do processo negociador, por exemplo, buscaram condicionar o fornecimento de informações sobre patógeno, exigido pelos passes ricos, ao usufruto dos benefício que decorrem do acesso a tais informações, como, por exemplo, a fabricação de vacinas.

Tão tensas foram as negociações que multas vezes o consenso pareceu impossível. Surgiram, então, fórmulas capazes de colher a aceitação de todos, mas que relativizam, adiam ou esvaziam certo compromissos que eram consideras cruciais aos olhos da sociedade civil e de especialistas, entre ele a flexibilização de direitos de propriedade intelectual e a transferência de tecnologia.

Entretanto, em que pese estar aquém do que é necessário para uma efetiva resposta da comunidade internacional ás pandemia, o acordo marca uma inflexão no enfoque das emergência de saúde. O foco no fortalecimento de sistema de vigilância capazes, não de evitar as doença, mas de contê-las nos passes de baixa e média renda para que não entrem nos passes ricos – tendência marcante em governos norte-americanos como o de Barak Obama – foi posto em xeque pela preocupação com a equidade que transparece no novo acordo.

É o caso, por exemplo, da criação de uma rede global relaciona a suprimento e logística (Th Global Supply Chain and Logistics Network, GSCL), preconizada pelo artigo 13 do acordo, embrião de um mecanismo que pode ser crucial na resposta ás pandemia. Seu verdadeiro aporte dependerá das condições de sua implementação, ainda incertas, mas, ao menos no papel, a busca da equidade jamais teve tanto relevo quando se trata de emergência sanitárias, em geral restritas ao jargão das vigilância.

Em segundo lugar, é fundamental recordar que, desde o anúncio das negociações, o acordo sobre pandemia foi alvo de intensa campanha de desinformação. Orquestrada no plano transnacional por movimentos de extrema direita, o movimento de oposição ao acordo disseminou, entre outros mentiras, a falsa crença de que ose governos nacional estavam transferindo seus poderes à OMS, tornando-se impedidos de coordenar a resposta ás pandemia em seus respectivos território.

Vitória Ramos, doutorando da Faculdade de Saúde Pública da USP, Leandro Viegas, pós-doutorando do Instituto de Relações Internacionais da USP, e eu publicamos um levantamento dos principais elementos da campanha das extremas direitas contra o acordo sobre pandemia. A derrota das extremas direitas, que mostraram-se incapaz de evitar a conclusão deste acordo, fica ainda mais evidente quando se considera o novo mandato de Donald Trump, que, como já foi dito, vem atacando frontalmente a saúde pública, tanto no plano interno como no plano internacional.

Por fim, as negociações do acordo, assim como as da reforma do RSI, mantiveram ose Estados, alguns deles atualmente em plena guerra, discutindo juntos soluções para o enfrentamento das pandemia e outros emergência de saúde pública, que depende de medidas de longo prazo, atenção e investimentos constantes. Diante do crescente esquecimento da experiência da covil-19, a OMS utilizou o processo negociador para passar o recado de que a prevenção, a preparação e a resposta ás pandemia devem ser pautadas nas agendas política nacional de forma permanente, sob pena de repetirmos indefinidamente ose erros do passado, à frente deles as numerosas mortes que poderiam ser evitadas.

Neste sentido, a aprovação do acordo pela Assembleia abrirá uma etapa de discussão do acordo que será encaminha por cada governo conforme ose respectivos trâmites nacional de aprovação dos tratados internacionais, salvo aqueles que já anunciaram antecipadamente seu rechaço, como é o caso dos Estados Unidos e da Argentina. Potencialmente em 191 passes, portanto, surge uma valioso ocasião para que legislações sejam aperfeiçoadas, e que política e planos nacional sejam elaborados ou atualizados.

Creio que apesar de seus numeroso limites e da flexibilidade excessivo de seus dispositivo, o acordo dá aos Estados a ocasião de recuperar o sentido de urgência que foi perdido após a covil-19, rompendo um torpor que contrasta com o avanço galopante das ameaças à saúde pública, agravadas por fenômeno como a desinformação em larga escala, a destruição constante da natureza, ose modos de produção de alimentos, as mudança climáticas, e o desmonte de sistema e política de saúde, entre outros fatores. Não se pode esperar o começo de uma nova pandemia para tomar as providências que tornarão o mundo capaz enfrentá-la. Oxalá a oportunidade aberta pela aprovação do acordo sobre pandemia não seja desperdiçada.

________________
(As opiniões expressas nos artigo publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)

[ad_2]

Por jornal.usp

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.