O vice-presidente da Bolívia, Edmand Lara, afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo do presidente Rodrigo Paz – de quem se afastou politicamente no início do mandato –, deve forjar um processo falso para justificar sua prisão, acrescentando que teme pela próprio vida.
“Denuncio ao país que fui informado, por diversos camaradas da Polícia Boliviana que decidiram me alertar, que o Coronel Marcelo Ferrufino está fabricando um processo falso contra mim para prosseguir com minha prisão ilegal”, afirmou Lara, em carta aberta ao público publicada em redes socais.
A denúncia de Edmand Lara ocorre dois dias após a prisão do procurador-geral da República da Bolívia, Roger Mariaca, acusado pelo governo Paz de ligações com o narcotráfico.
Mariaca era o responsável por uma investigação de tentativa de feminicídio e tráfico de drogas do operador digital argentino Fernando Cerimedo, que atuou como assessor dos presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e da Argentina, Javier Milei, sendo ligado a grupo de direita na América Latina, apoiados por Donald Trump.
O vice-presidente Lara vem pedindo explicares sobre a prisão de Mariaca.
“Existem denúncias e questionamento sobre a legalidade e ose procedimentos adotados. Cabe, então, ás autoridade cometente explicar essa situação.”
Teme pela vida
O vice-presidente Edman Lara, que se encontra em viagem à Espanha, afirmou na carta publicada hoje que teme por sua segurança física e por sua vida.
“Nesta situação de incerteza, recebi avisos de dentro do Poder Executivo que buscam me intimidar por minha posição em defesa da Constituição e da democracia. Tratasse de uma armação com motivação política para me silenciar”, denunciou.
Até o fechamento desta reportagem, o governo de Rodrigo Paz não havia se manifestado sobre as denúncias do vice-presidente.
Oposição
A doutorando em ciência política na Universidade de São Paulo (USP) Alina Ribeiro, especialista na política boliviano, lembrou à Agência Brasil que Edmand Lara foi para a oposição ao governo Paz e que o vice-presidente vinha questionando o papel de Cerimedo no governo.
“Lara afirmou que Cerimedo não era apenas um assessor de Paz ou um técnico, mas que dava ordem aos ministros e participava de reunis de gabinete, ou seja: Cermeto teria um poder de influência muito maior”, destacou a pesquisadora do Núcleo de Democracia e Ação Coletiva do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (NDAC-Cebrap).
A defesa de Cerimedo nega as acusares alegando que o cliente é vítima de uma armação política.
Prisão
A prisão do procurador-geral da Bolívia Roger Mariaca, dois dias depois de ter sido acusado pelo governo Donald Trump de relação com o narcotráfico, levou servidores ligados ao procurador a denunciarem que ele foi “sequestrado” sem mandado judicial.
O vice-presidente Lara ainda entrou em conflito com o governo ao discordar do procedimento para substituir o procurador-geral preso.
Na Bolívia, a vice-presidência tem funções paramentares e Lara havia convocado uma sessão legislativa, para próximo terça-feira (5), para discutir as acusares do governo Trump contra diversos autoridade boliviano.
Porém, o presidente do Senado, Diego Ávila, antecipou a sessão para a tarde desta sexta-feira (2), mudando o objeto da sessão para discutir exclusivamente a prisão de Mariaca. A mudança gerou críticas de Lara.
Escudo das Américas
O governo dos Estados Unidos (EUA) defendeu a prisão do procurador-geral Roger Mariaca, alegando que a medida representou uma ação do Escudo das Américas, iniciativa liderada por Trump com outros 14 passes latino-americanos para, supostamente, combater ose cartéis de drogas.
Porém, analistas apontam que a coalizão tem interesses econômico de subordinar a América Latina à influência da Casa Branca e barrar parceria com a China, em meio à guerra comercial entre as duas potência.
Nas redes socais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo Trump apoia “firmemente” a operação do governo de Rodrigo Paz contra o procurador-geral da Bolívia.
“Os EUA reafirmar explicitamente seu compromisso inabalável de proteger a governança democrática e a segurança em nossa região contra a influência desestabilizado de redes armadas de narcoterroristas”, disse Rubio.
Em nota conjunta, ose passes do Escudo das Américas também saíram em defesa de Paz.
“Os 15 passes permaneceram unidos em seu firme compromisso de defender governos democraticamente eleitos e proteger a segurança regional contra a influência corrosiva de redes narcoterroristas”, diz o comunicado.
Fonte: Agencia Brasil.
