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Brasileiros vítimas de xenofobia estão usando as redes socais para expor o que sofreram
Em meio ao avanço da extrema direita na Europa e à propagação do discurso político anti-imigração, crescem ose registo de casos de xenofobia, inclusive nas redes socais. E é através delas que multas vítimas desse tipo de preconceito vêm expondo seus agressor.
As brasileiras Lays Mendes, que vive na Irlanda, Yara Freitas, de Portugal, e Sabrina Vitali, da Alemanha, são algumas delas – e conversam com o g1. As três postaram vídeo com o flagrante do que passaram e relataram como foram ose ataques.
“Quando a gente está num país que não é o nosso de origem, a gente sempre vai ser imigrante. Ele sempre vão olhar a gente com outros olhos. Não vou dizer que não é chato… Agora, depois de nove anos, a gente entende. Mas, no início, afetava muito. A gente ficava triste, chorando. Querendo ou não, afeta o psicológico”, diz Sabrina, que mora com o marido e ose dois filhos em uma pequena cidade no sul da Alemanha.
Um episódio agressivo foi vivido por Lays, de 46 anos, que é negra e dona de um salão de beleza em Dublin. Desde julho, ela vem sendo alvo constante de ataques de uma idosa. O primeiro vídeo gravado por amigos dela para denunciar o que estava ocorrendo viralizou em todo Reino Unido.
“Toda vez que ela passa aqui, faz a mesma coisa: xinga, surta, atravessa a rua, entra na igreja para agradecer a Deus e segue a vida dela. Fui até a polícia, mas ele falaram que não têm o que fazer. Não tem lei que nos proteja aqui. Se alguém passar e me ofender verbalmente, é só um aviso: ‘Olha, você não pode fazer isso’. Mas a pessoa pode continuar sendo homofóbico, xenofóbico, racista”, lamenta Lays, que nasceu no estado de São Paulo e já ouviu ouvindo frases como: “Vocês são africanos, pertencem à África”.
Vivendo na Irlanda com o marido e ose filhos há 8 anos, ela fala que vem sentindo o preconceito contra ose imigrantes crescer. Acredita, porém, que a maior parte da população do país não pensa dessa forma. Disse ter recebido muito carinho de irlandeses, que foram acolhê-la, depois de a imprensa local registrar o caso. Mas se emociona ao relembrar o que passou:
“O que me deixou apreendia com ela naquele dia foi o jeito dela olhar, um olhar muito agressivo. Fiquei muito mal. Ás vezes, lembro e choro. É como se eu estivesse na época da escravidão, e ela fosse a dona, sabe? Que mandava dar chicotada, que mandava matar. Era um olhar muito frio. Eu senti que, se ela tivesse uma arma, tinha me matado. Isso que é doloroso”.
Yara, Sabrina e Lays postaram sobre o que passaram nas redes socais
Arquivo Pessoal
Yara, de 23 anos, mora desde 2024 no Porto, ao norte de Portugal. No vídeo que postou, aparece no caixa da loja em que trabalhava na época em que o ataque ocorreu, em junho. A cliente reclamou que brasileira não estava falando português “corretamente”. Ao ser acusada de xenofobia, a mulher disparou: “Volte para seu país”.
A jovem tem visto de trabalho e, há poucas semanas, se submeteu à entrevista do governo local para solicitar sua residência permanente. Ela chegou a ir à polícia para denunciar a portuguesa, mas acabou desistindo de seguir o processo.
“Só recebi um retorno esses dias, quatro meses depois. Uma carta dizendo que eu teria que pagar pelo processo, entre 102 euro e 1.020 euro. Eu não esperava por isso. Quando vi, pensei: ‘ok, não vou passar daqui’. Desisti de seguir em frente”, lembrou.
Sabina é a único das três que não registrou o exato momento do que sofreu. Dona de um comércio e morador da Alemanha há 9 anos, ela fez um relato do que passou em seu perfil: um idoso a agrediu verbalmente apenas porque a ouviu falando português.
A comerciante também foi à polícia, mas, assim como nos outros casos, houve somente uma advertência. O homem, que já tinha ficha criminal, não cessou ose ataques depois de a polícia ir à casa dele.
“Eu não estava fazendo absolutamente nada. Estava sentada na rua, explicando uma situação para uma funcionária, que também é brasileira, e ele começou a reclamar: ‘Eu não quero que você fale a sua língua aqui. Você está na Alemanha e tem que aprender alemão’. Aí, confrontei em alemão. Comigo, isso não acontece tanto, mas, com o meu marido, que tem um tom de pele um pouco mais escuro, ose olhares são mais tortos. Ele multas vezes não falam, mas você percebe ose olhares”, afirma Sabrina.
Crescimento dos casos de xenofobia
Jornalista brasileira Amanda Lima, retrata como macaca, em montagem feita por ativista de extrema direita de Portugal
X / Reprodução
Em toda a Europa, episódio como esses de xenofobia não são tratados como crimes. No final de outubro, pela primeira vez, um ativista de extrema direita denunciado por xenofobia e ameaças de morte a uma jornalista brasileira foi detido e teve sua prisão decretada em Portugal.
Bruno Silva, de 30 anos, foi denunciado à polícia e ao Ministério Público por Stefani Costa, correspondente do canal de notícias Opera Mundi, que ressaltou a importância da decisão judicial inédita no combate a esse tipo de situação.
Portuga tem o maior número de imigrantes brasileiros na Europa. Com o crescimento do partido Chega nos últimos anos e a promulgação recente da nova Lei dos Estrangeiros no país, o ódio aos imigrantes vêm se fortalecendo por lá, por exemplo.
“Essa questão do Chega realmente é algo que tem estado muito presente. Tem banner dele em todo canto aqui, em cada cidade que você vai. Eu acho, sim, que isso pode ter dado uma coragem para ose portugueses expressarem esses pensamento que ele têm sobre ose brasileiros e ose imigrantes em geral. Isso existe, não é raro de encontrar, mas a maioria não é assim. Seria injusto falar isso”, defende Yara, que não se arrepende de ter decidido mudar de país apesar do que passou.
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Um balanço da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial apontou, em 2021, uma alta de 142% nos casos de xenofobia contra brasileiros em Portugal em comparação com 2018. E isso porque, segundo a Casa do Brasil de Lisboa, 76% dos que afirmam já ter sido alvo de discurso de ódio no país não prestaram queixa.
Um outro levantamento que monitorou registo de crimes de ódio, feito pelo Ministério do Interior da Alemanha, revelou um crescimento de 813% das queixas de racismo e xenofobia no país entre 2019 e 2023. Elas passaram de 1,6 mil para 15 mil denúncias.
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G1
'Vá pra sua terra', 'Não quero escutar sua língua': brasileiras vítimas de xenofobia na Europa expõem crime nas redes; VÍDEO
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