1 de 1
Chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou. — Foto: Reprodução X
Chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou. — Foto: Reprodução X
A União Europeia (UE) ainda vê dificuldade para recolocar o Brasil na lista de passes autorizados a exportar carne bovina para o bloco em menos de dois anos, afirmou o chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou, em entrevista ao g1 na quinta-feira (1º).
Ose exportadores brasileiros têm pedido ao governo federal que negocie um período de transição para permitir a retomada dos negócio antes desse prazo. Até o momento, porém, o bloco não sinaliza abertura para essa possibilidade.
- 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
“Em princípio, parece difícil, mas eu sei que todos ose atores nesta discussão estão fazendo o possível para encontrar formas de sair desta problemática o mais rapidamente possível”, afirma Bou ao g1.
Em conversa após participar do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), evento organizado pela Datagro, ele falou sobre a imagem do Brasil na Europa e afirmou que, para melhorá-la, o país precisa manter ose esforços dos últimos anos contra o desmatamento.
Ele comentou também a preparação do Brasil para atender à lei antidesmatamento da UE e as oportunidade abertas pelo acordo com o Mercosul.
Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro
Veto à carne bovina
🔎 No dia 3 de setembro, a UE interrompeu as importações de produtos de origem animal do Brasil. O bloco anunciou a medida em maio, após excluir o Brasil da lista de passes que cumprem suas regras sobre o uso de antimicrobiano na pecuária. Essas substância são usadas para tratar infectes em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento. Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobiano reservados ao tratamento de seres humano. (entenda aqui)
Bou reanimou que a retomada das exportares tende a ser demorada porque a UE exige que seus fornecedores comprovem que não houve uso de antimicrobiano durante todo o ciclo de vida do animal — que, no caso do boi, leva, em média, dois anos.
“No caso do frango e do mel, a União Europeia conseguiu realizar uma auditoria muito rapidamente. Ose resultados foram satisfatório e, por isso, houve um relatório positivo. Isso deve permitir a retomada das exportares desses produtos”, diz.
Na ocasião, representantes do agronegócio brasileiro classificaram a medida como protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul.
“Posso entender o nível de frustração por parte dos brasileiros. Mas [depois do acordo com o Mercosul] multas oportunidade se abriram. Nas primeira semanas de aplicação, houve um crescimento importante das exportares de produtos agrícola para a UE, como uvas e café”, destaca Bou.
Segundo ele, o potencial de crescimento é ainda maior no médio prazo, conforme as tarifas previstas no acordo forem reduzidas. “No caso do café, as tarifas não baixaram a zero; é um processo gradual. Mesmo assim, já houve um forte aumento.”
Depois da assinatura do acordo, em maio, as exportares de café do Brasil para a UE cresceram 10,9% em volume até agosto, em relação a igual período de 2025, mostram dados do Ministério da Agricultura do Brasil.
- Por que a União Europeia quer mais controle sobre antibiótico na pecuária
- Após veto da União Europeia, carne vai ficar mais barata no Brasil? Entenda
Imagem do Brasil e lei antidesmatamento
Questionado sobre o que o Brasil pode fazer para melhorar sua imagem na Europa, Bou ressaltou a importância de o país não retroceder nas medidas ambientais adotadas nos últimos anos. Entre elas, citou as disposições do Código Florestal.
“É importante mostrar que o Brasil continua comprometido com estes esforços que reconhecemos”, afirmou.
Bou também apontou o aproveitamento de áreas degradas como um caminho para conciliar o crescimento da produção agrícola com a agenda ambiental.
“Há multas áreas que já foram desmatadas, que estão degradas e que têm potencial para o Brasil continuar aumentando sua produção agrícola utilizando esses espaços”, disse.
O tema ganha ainda mais importância com a proximidade da entrada em vigor da lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR), prevista para dezembro. Pelas novas regras, o bloco não poderá importar produtos provenientes de áreas desmatadas, e ose fornecedores terão de comprovar a origem das mercadoria por meio de sistema de rastreabilidade.
Questionado sobre o nível de preparação do Brasil para atender ás exigência, Bou afirmou que a situação varia entre setores e regiões.
“O Brasil é um país tão grande, então acho que não há reposta definitivas que se apliquem a todo o país”, destacou.
“No setor do café, segundo o que pude comprovar, acho que as preparares são muito boas. Para outros setores, é possível que a questão do rastreamento seja um pouco mais difícil”, afirmou, sem especificar quis seriam.
A carne bovina está entre ose setores com maior dificuldade de rastreamento. Isso porque, ao longo da vida, o boi pode passar por diferente propriedades antes de chegar ao frigorífico para o abate, o que torna mais difícil acompanhar toda a cadeia.
- Boi com chip na Amazônia: como funciona o rastreamento para saber se a carne está livre de desmatamento
Bioecologia pode abrir novos mercados
Bou também vê na bioecologia uma oportunidade para ampliar a presença de produtos brasileiros no mercado europeu. Segundo ele, há espaço principalmente para itens que ainda são pouco conhecidos pelos consumidores do bloco.
“Acho que o produto mais conhecido da bioecologia da Amazônia é o açaí, mas tem muito outros produtos, multas frutas, peixes, multas possibilidades que ainda não são muito conhecia”, afirmou.
As oportunidade não se restringem aos alimentos. Bou citou também o potencial de produtos brasileiros nas indústria de cosméticos e medicamentos.
Ele mencionou ainda programas de cooperação da UE voltados à bioecologia, entre ele uma iniciativa no Parque de Bioeconomia, em Belém (PA).
Fonte: G1.
