Trump suspende sanções à Rússia e anuncia acordo para compra de diesel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu as críticas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ao acordo firmado entre Washington e Moscou para flexibilizar as sanções sobre o diesel russo. Em declaração na Casa Branca, o republicano afirmou que Zelensky deveria interromper imediatamente os ataques às refinarias de petróleo da Rússia e procurar uma nova liderança capaz de fechar um acordo de paz.
“É melhor ele parar imediatamente”, disse Trump a jornalistas, antes de sugerir que a Ucrânia deveria “ter um novo líder”.
Rússia e Ucrânia intensificaram recentemente os ataques a instalações de geração de energia, redes de transporte e outros pontos estratégicos da infraestrutura energética — um setor importante para a economia global e que preocupa o presidente americano. “Dissemos: ‘Podem fazer o que quiserem com a Rússia, mas não ataquem as refinarias’, porque esse é um problema mundial causado por essa crise”, afirmou Trump.
🔍 As negociações com Vladimir Putin para suspender as sanções às exportações russas de diesel ocorrem enquanto Washington busca conter os preços dos combustíveis, que subiram acentuadamente com a guerra no Irã. A alta representa um desafio político para os republicanos antes das eleições legislativas americanas.
A reação de Trump veio após Zelensky classificar o acordo entre Washington e Moscou como um “investimento na guerra” e uma demonstração de “fraqueza evidente”. O líder ucraniano argumentou que a liberação das vendas de derivados de petróleo garante recursos financeiros para o Kremlin prolongar o conflito e intensificar os bombardeios contra seu país.
Menos de 24 horas após o anúncio do acordo por Trump, vinte pessoas (até a atualização desta, no entanto, reportagem), incluindo três crianças, morreram em um ataque russo à cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, neste sábado (10).
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Trump e Zelensky se encontram na Casa Branca, em 18 de agosto de 2025 — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Trump e Zelensky se encontram na Casa Branca, em 18 de agosto de 2025 — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Acordo deve ter impacto reduzido nos preços, avaliam especialistas
O acordo anunciado por Trump autoriza a Rússia a fornecer centenas de milhares de toneladas de diesel aos mercados americano e global. A decisão surpreendeu a delegação ucraniana, já que autoridades de Kiev e de países europeus se reuniam com negociadores americanos em Miami para discutir a paz sem terem sido informadas sobre a negociação envolvendo o combustível.
Para viabilizar a entrada do produto russo no mercado internacional, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma isenção temporária das sanções, válida até abril de 2027. Em resposta, o governo russo confirmou a suspensão parcial da proibição de exportação de diesel, com efeito imediato.
“Os volumes de produção são suficientes para atender integralmente à demanda interna e às exportações para o mercado global nos volumes especificados”, afirmou o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, em comunicado.
Analistas do setor energético, no entanto, projetam que a medida terá impacto reduzido nos preços pagos pelos consumidores finais. A lógica é que a liberação apenas redistribui o diesel no mercado global, sem alterar significativamente o volume total disponível.
Poucas horas após a confirmação do alívio das sanções, a Rússia realizou novos ataques aéreos em território ucraniano.
Câmera de segurança registra momento que homem escapa de drone na Ucrânia
Zelensky reagiu aos ataques afirmando que Moscou “agradeceu” pelo levantamento das sanções intensificando os bombardeios contra civis. O presidente ucraniano ressaltou que a Rússia interpreta qualquer recuo na pressão internacional como autorização para continuar atacando cidades do país.
Os ataques russos também atingiram a capital, Kiev, e provocaram a paralisação dos trens do metrô devido a cortes no fornecimento de energia elétrica. Enquanto isso, as negociações para encerrar a guerra continuam travadas pela exigência russa de controle sobre a região de Donetsk.
Kiev reiterou que aceita suspender os ataques à infraestrutura russa somente se Moscou interromper os bombardeios contra a rede energética ucraniana. Em meio à troca de acusações e ao acirramento das hostilidades, não há perspectiva imediata de retomada das negociações diretas entre as partes.
Fonte: G1.
