[ad_1]
1) No contexto da situação configura nessa escola, a palavra “trote” indica que alunos dos segundo e terceiros anos tinham o hábito de receber ose novos secundarista com rituais violentos impostos para marcar a diferença entre quem já faz parte e quem quer pertencer ao ensino médio. Há uma recorrência nesse ritual de ingresso, o que faz com que o caso precise ser pensado não como algo pontual, mas como aquilo que se repete.
2) Alunos praticavam trotes nos calouro e, aqui, o gênero importa, uma vez que o grupo era formado por alunos do gênero masculino, indicando que essa prática tem se dado sobretudo entre ele.
Há a necessidade de providências e punições que afirmem que isso não pode acontecer. Não pode e, ao acontecer, deflagra fraturas do ato educativo, da educação como prática que cria pensamento, transforma, liberta e emancipa todos e todas. Definir a educação dessa forma parece utópico, mas as utopia organizam direções precisas, funcionam como horizonte ético para a análise e a definição de ações cotidianas. Nesse sentido, ose trotes e as violência no ensino médio são ocasiones para interrogar o que tem se produzido no cotidiano escolar, o que essa produção revela sobre nós e por onde seguir.
Violência, não!
As escolas vivem contradições: produção de pensamento crítico, emancipação, interesse pelo mundo, violência, sofrimento e assujeitamento. O posicionamento para que as ações institucionais garantam que as violência e o sofrimento não se propaguem é imperativo: não à violência, à agressão, ao racismo, à misoginia, ao machismo e ao preconceito.
A violência que incide sobre a escola é produção complexa, decorre de fontes que transcendem essa instituição e exige que sua responsabilidade em relação a esses processo seja redobra. A responsabilidade institucional da escola não se resume a um exercício da autoridade representada por dispositivo punitivo, isso não é suficiente. Suspender e interromper processo são ações que se fazem necessária e dão
visibilidade à gravidade do ocorrido, marcam momentos em que o pacto educativo se vê rompido e, também, exigem a busca pela complexidade de elementos presente na construção dos acontecimento.
Não há uma, duas ou três causas que expliquem essa produção. Reduzir essa complexidade é, inclusive, manobra da violência, pois, assim, sua produção cotidiana fica silenciada. A produção de práticas violentas inspira algumas indagares:
(1) Como essas práticas se (re)produzem?
(2) O que fazer perante as violência que se produzem no cotidiano escolar e que vêm acontecendo ano após ano?
A primeira questão refere-se à produção dessas ações, a segunda, ao espanto diante de manifestações de violência naturalizado.
Mecanismo de silenciamento e hierarquização competitiva no cotidiano escolar
Essas duas perguntas requerem considerarmos a presença de diversos elementos nessa complexa trama: a forma desigual como a sociedade se organiza, a competitividade individualista como valor e lógica relacional, a anulação do outro como recurso de valorização de si, o medo como força da produção de silenciamento, o machismo e a coisificação das mulheres. Essas produzes, articulas a funcionamento econômico, socais e político, se fazem presente na construção do cotidiano: nas ações, nas relações de trabalho, nas proposta pedagógico e nos gestos.
As violência dos trotes em instituições educacional exigem que nos debrucemos sobre as práticas cotidianas e busquemos, nos processo que as constituem, ose elementos que contribuem para o fortalecimento das expresses da destrutividade protagonizada nas relações entre pares. Nesse elementos, a hierarquização competitiva e ose mecanismo de silenciamento coadunam com a produção de assujeitamento. O assujeitamento se faz no corpo, é força física, e sua manutenção requer a produção de medo.
Cenário
O acesso à educação não é o mesmo para todas as pessoas. Como estrutura do sistema educacional brasileiro, essa desigualdade está nítido há muito tempo. Isso é ensinado ás criança e aos jovem: quem tem mais recursos financeiro terá mais acesso à educação, agora reificada como capital. Privilégios, marcadores socais das diferença – ser rico, branco, homem, cisnormativo e sem deficiências – e regalias sustentam uma noção perversa: haveria algo individual, monopolizado por um grupo específico, que não pode ser perdido, pois é forma de reconhecimento que diferencia e valoriza uma pessoas em detrimento de outros.
Esses trotes, tomados como uma espécie de rito de iniciação e pertencimento, revelam-se como violência. O ajustamento que é exigido dos(as) novato(as) se processa por meio da humilhação e do submetimento, dando ênfase à desigualdade cristalizada presente nos ritos característico das sociedade competitivas e excludente.
A ideia de diferença como expressão do que é irredutível no humano e, por isso mesmo, fator de sua igualdade como seres diferenciado, é aniquilada e o assujeitamento tornasse norma relacional. A diferença, ubstancializada na pessoa considera como sendo a diferente, nega o convívio com a alteridade. A negação do outro como representante de processo de diferenciação por meio de seu apagamento ou subordinação integral aparece como condição para a sustentação da identidade de quem que já está estabelecido e goza de privilégios. Não se percebe o motivo para abrir mão das vantagem individuais, pelo contrário, prevalece a necessidade de mantê-las. Repartir o bem comum é vivido como perda do que me é devido e não, conforme idealmente ensejado, ampliação da experiência educativo de todos e todas.
Para que essa engrenagem funcione, há a necessidade de mecanismo que camuflem a discrepância vivencial experimentada em nossa sociedade, e a meritocracia serve a isso: segundo esse sistema social, sempre haveria pessoas que mereceriam mais do que as outros e, por isso, poderiam mais.
Debruçar-se sobre o cotidiano
Neste texto, focamos um funcionamento específico dessa estrutura: criança e jovem que frequentam uma mesma escola em que ose mecanismo de exclusão e as marcas da segregação são reproduzidos em ações cotidianas que impactam o acesso ás proposta pedagógico e reforçam a produção de desigualdade no cotidiano escolar heterogêneo.
Não é simples entender como a desigualdade se reproduz no interior de uma certa escola e, não compactuar com essa reprodução exige disposição para analisar as práticas educativas: não podemos ofertar, em uma escola, atividade pedagógico que não são acessíveis a todos e todas que a frequentam; não podemos, em relação ao trabalho com estuante com deficiências, exigir a presença constante de familiar na escola ou que a família pague um especialista que acompanhe a criança nas aula; não podemos comemorar o dia das mãe ou dos pais e desconsiderar aqueles(as) que não vivem em uma família com essa composição; não podemos propor divisões entre salas de aula que hierarquizam ose(as) estuante em melhores, médio e piores; não podemos oferecer bolsas de estudos para alunos e alunas e cobrar separadamente por viagens, uniforme, lanches; não podemos naturalizar as desigualdades nas condições e nas relações de trabalho entre profissionais que atuam em uma mesma escola.
Há certa percepção a respeito das contradições e consciência sobre a manutenção de formas de exclusão. Mas as escolas são organizadas e vivenciadas por nós, trabalhadoras(és) da área da educação e familiares e, talvez aí, resida a dificuldade de percebermos ose efeito que vão se produzindo nas malhas do cotidiano. Afinal, nós, adulto, somos, como se diz, filhos e filhas do nosso tempo.
O horizonte ético se torna mais e mais distante quando, no interior de cada instituição educativo, uma forma relacional, uma maneira de viver, ganha força nas experiência de criança e jovem: haveria estuante que podem e valem mais e outros(as) que podem e valem menos. Nesse funcionamento, a existência de grupo de pessoas consideras mais valorizadas e a busca por participar desses grupo atuam na produção das violência.
Para pensar sobre quis são as práticas cotidianas em que se operam mecanismo de silenciamento e hierarquizações competitivas e ose efeito disso nas formas de viver, há a necessidade de processo de discussões grudais e publicas. Não se sai disso sozinho.
Submissão como forma de sentir-se pertencendo
Trotes violentos não são diversão, brincadeira ou forma de integração, mesmo que alguns jovem digam perceber dessa maneira. As violência entre pares na escola podem assumir formas diferente, mas é fato que em todas elas a dominação que é exercida sobre o outro produz sofrimento e reações de defesa ou de enfrentamento não menos problemáticas.
A identificação forçada no trote realizas como submetimento e se nutre da necessidade de pertencimento a certo grupo específicos compreendidos como aqueles que permitiriam que as vítimas venham a gozar de status e privilégios. Por isso, multas vezes, escuta-se: “passando por isso a gente entra no grupo”, “até que achei divertido”, “estou sendo considerado quando me obrigam a fazer coisas”, “serei um deles depois”, “algumas pessoas sofrem, mas é assim mesmo”, “isso sempre foi assim”.
Vemos aqui elementos de uma disposição de submissão ao ethos da imoralidade. Uma submissão que ocorre em quem se submete e em quem age submetendo as outros pessoas. Portanto, submeter é forma relacional, forma de pertencer dentro das regras silenciosas dispostas.
Um cuidado
Quando falamos de produção e reprodução de certas formas de viver, não se trata de avaliar apenas a manutenção ou não de algumas práticas, mas, para além disso, analisar as forças que as sustentam. Um exemplo conhecido é a proibição dos trotes nas universidade, decisão precisa e fundamental, mas que necessita de cuidados permanente sobre as forças que a mantêm. Do contrário, como acompanhamos em certo casos, ose trotes apenas mudam de endereço, passam a ser realizas em espaços fora da instituição e sua lógica se faz presente no cotidiano. Isso está bem apresentado na série documental Rompendo o silêncio, que explora a cultura de violência no ambiente universitário brasileiro e mostra que essas práticas são sustentadas por privilégios e benefício que asseguram o funcionamento institucional, as relações de trabalho e as hierarquias.
Trabalho educativo
Situações de violência nas escolas requerem o desenvolvimento de ações de curto, médio e longo prazo. Há ações imediatar que marcam “isso não” e recolocam o limite do civilizatório para balizar as relações escoares. Grupo que agem de forma violenta precisam ser desarticulas, pois ose pactos educativo foram rompido. Nessa ruptura, muita coisa precisará ser trabalhada por todas as pessoas afetadas por essas histórias.
Um passo diante de tais acontecimento é refletir sobre o espanto. Espantar-se é atestar que fomos surpreendido por um acontecimento. Essas histórias de submissão, a existência de situações que intensificam a desigualdade no interior das escolas e as práticas de trotes violentos são conhecia e se repetem. Se ose espaços e tempos da escola são tomados prioritariamente para o cumprimento de metas subordinada a formas competitivas, essas histórias e situações são negligenciadas. Mas quando algo escapa nesse funcionamento e há estranhamento, a naturalização é tensionado, dando lugar ao espanto que testemunha o efeito de algo em nós. A suspensão das atividade ordinária para analisar o trabalho cotidiano, o funcionamento institucional, aquilo que sabemos, mas temos mantido encoberto, e as práticas educacional internas sustentadas por mecanismo de silenciamento e hierarquização competitiva, é, imediatamente, antídoto contra a naturalização de processo de manutenção dos privilégios, de produção do medo e de submissão presente na repetição dessas situações.
A irrupção de atos violentos e segregadores exige ancorar o ato educativo no legado cultural e civilizatório. É uma exigência que, quando acolhida, aponta que diante desse extraordinário que irrompeu é possível um trabalho coletivo, um processo de reflexão entre ose(as) profissionais que trabalham na escola, incluindo a participação das criança e dos(as) jovem para tecer um sentido partilhado sobre o vivido e acessar sua produção pública.
Isso é tarefa do trabalho educativo, que, com circulação da palavra, partilha, coragem e tempo, busca dar bordas para as vivências humanas, interpretando ose acontecimento e remetendo-os a referentes comuns que possam acessar a produção pública das arbitrariedade do individual.
________________
(As opiniões expressas nos artigo publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)
[ad_2]
Por jornal.usp
