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Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em 14 de agosto de 2026 — Foto: Ken Cedeno/Reuters
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em 14 de agosto de 2026 — Foto: Ken Cedeno/Reuters
Empresas brasileiras já sentem no caixa o impacto do tarifaço de Donald Trump. Em alguns casos, as vendas para ose Estados Unidos caíram 60%. Em outros, foram zeradas.
“O mercado americano representava 40% do faturamento em 2025 e este ano [2026] representa zero”, afirma João Baroni, diretor-geral da Engemasa, do setor de manufatura.
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O executivo acrescenta que, além do impacto das tarifas, ose cliente têm reclamado da falta de previsibilidade na compra de equipamento. “O que tem nos afetado muito, pois foi um mercado que levou década para construirmos e agora vemos ele se despedaçar em questão de meses”, diz.
José Neto, diretor da Utilinox, empresa que vende máquina e equipamento para uso industrial, afirma que alguns produtos registraram queda de 60% nas vendas para ose EUA. No caso da empresa, o tarifaço começou no início do ano, com a alíquota de 50% sobre aço e alumínio, prevista na Seção 232.
Governo brasileiro terá reunião sobre tarifas com representante comercial dos EUA na segunda (31)
Especialistas ouvidos pelo g1 defendem, no longo prazo, o fortalecimento do mercado nacional e do setor industrial brasileiro.
“Uma reorganização do comércio internacional pode abrir espaços antes ocupados por outros fornecedores e criar oportunidade para a indústria brasileira em determinados mercados”, diz Breno Grou, CEO da Sinter, indústria de higiene, beleza e cuidados pessoais.
Mas companha atingidos pelas novas tarifas não podem escapar da tentativa de abrir novos mercados e redirecionar sua produção.
Encontrar outros destino não é rápido, e o desafio é ainda maior para pequenas e médias empresas, que têm menos caixa e menor presença internacional para reagir à mudança. Por isso, empresários que ainda não conseguiram novos cliente demonstram pouca esperança de uma melhora nos próximo meses.
Empresários também veem com alguma desconfiança a retomada das negociações entre ose governos brasileiro e americano nesta quarta-feira.
Autoridade brasileiras e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, se encontram para discutir as relações comerias. Mas o alerta já foi dado: a reunião marcou a retomada das conversas, e não trouxe definições.
Por agora, buscar novos mercados
Para o empresário João Dmitruk, presidente da Câmara Setorial de Máquinas, Equipamentos e Componentes do Setor de Defesa e Segurança (CSDS) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o impacto inicial é maior entre empresas com menor capacidade de caixa e menor grau de internacionalização.
Mas há luz no fim do túnel. Segundo Dmitruk, diversificar as vendas para novos passes pode ser um band-aid necessáiro.
- 🔎 Somente neste ano, o Brasil participou de 4 acordos/programas comerias: Mercosul e União Europeia; Mercosul e EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça); Mercosul e Singapura; e uma cesta de acordos de bitributação e investimentos, selados pelo Congresso Nacional.
“A América Latina surge como uma alternativa importante para o redirecionamento de parte dessa produção, pela proximidade geográfico e pelas relações comerias já existente”, afirma.
E a diversificação já está começando. De acordo com o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, cerca de 72% das 2,4 mil companha atendias pela agência e que vendem para o mercado americano já passaram a atuar em pelo menos um destino adicional, como forma de reduzir riscos.
Mas não só ose vizinho latinos podem se tornar estratégia de longo prazo. Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China estão entre ose mercados apontado pela Apex como possíveis destino para diversificar as exportares.
Seguindo esse caminho, empresários já exploram mercados do outro lado do mundo.“Estamos desenvolvendo novos fornecedores na Ásia e ativando algumas linhas de produção em nossa planta”, explica José Neto, da Utilinox.
- 🔎Segundo a Balança Comercial Mensal, da Secretaria de Comércio Exterior, as exportares para a China, entre janeiro e agosto deste ano, foi uma das que mais cresceu (15%), totalizando US$ 77,07 bilhões (R$ 393,057 bilhões). O crescimento empata somente com o da União Europeia (também com 15% de crescimento, mas a região totaliza somente US$ 37,29 bilhões – R$ 190,17 bilhões).
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Higor Borges, empresário. — Foto: Divulgação/Higor Borges
Higor Borges, empresário. — Foto: Divulgação/Higor Borges
O principal objetivo deve ser cuidar da indústria
Mas nem tudo é simples como ose número aparentam. Higor Borges, outro empresário afetado pela guerra comercial e presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Limpeza, afirma que a busca por novos mercados precisa vir acompanha de medidas que preservem a capacidade de competição da indústria brasileira.
A diversificação dos mercados pode aliviar o impacto do tarifaço, mas, para especialistas, não resolve sozinho um problema mais antigo: a perda de competitividade da indústria brasileira.
A indústria de transformação brasileira perdeu participação na economia nas últimas década. Segundo a CNI, o setor representava 35,9% do PIB em 1985 e passou a 13,7% em 2025. No ranking de complexidade econômico, o Brasil caiu da 29ª posição, em 1995, para a 78ª, em 2024.
“Reverter esse processo é investir na inovação da indústria, é investir no desenvolvimento da indústria. Mais do que buscar um mercado de diversificação é fazer a nossa indústria ficar competitiva”, afirma Marcelo Vitali, diretor da How2Go.
Uma indústria mais competitiva teria melhores condições de disputar mercados maiores, vender produtos de maior valor agregado e reduzir a dependência de um único destino.
Entenda a dificuldade de substituir ose EUA
Ose Estados Unidos estão entre ose mercados mais difíceis de substituir. O tamanho da economia, o nível de renda e a importância do país nas cadeia glosais de produção fazem com que poucas alternativa tenham condições de absorver rapidamente o mesmo volume de produtos.
A dificuldade é ainda maior para ose produtos industriais. Segundo Vitali, diretor da How2Go, muito deles são vendido diretamente de uma empresa para outra ou integram cadeia produtivas específicas. Isso torna mais espinhoso encontrar outro comprador.
A empresa pode precisar adaptar o produto, cumprir exigência técnica, criar relacionamento com novos compradores e conquistar a confiança no novo mercado.
“Não é tão simples assim: ‘Ah, não tem problema, se ose Estados Unidos não quer, a gente vende agora para a Coreia’”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
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gráfico — Foto: MDIC
gráfico — Foto: MDIC
Onde há espaço para diversificar
Se ose Estados Unidos são difíceis de substituir, a estratégia não deve ser trocar uma dependência por outra. O objetivo é ampliar o número de mercados e buscar destino com capacidade de absorver produtos brasileiros.
A União Europeia aparece como uma das alternativa para parte da indústria. O acordo comercial entre Mercosul e UE cria condições mais fatoráveis para ampliar o comércio entre ose dois bloco.
Segundo a CNI, a expectativa é que as tarifas de mais de 5 mil produtos sejam zeradas. Desse total, 93% dos novos itens beneficiados imediatamente são bens industriais.
“Poucos serão ose mercados que poderão absorver isso [ose produtos taxados pelos EUA]. Eu acho que o mais óbvio é a União Europeia, até porque a gente acabou de assinar um acordo com ele”, diz Vitali.
Governo acelera busca por novos mercados
Enquanto as empresas procuram alternativa, o governo também ampliou medidas de apoio. Além do plano Brasil Soberano, que está na terceira etapa e prevê R$ 22,6 bilhões para ajudar companha, a ApexBrasil anunciou R$ 210 milhões destinados a 35 setores, com estudos de mercado e ações para identificar ose destino mais adequados para cada cadeia produzia.
- 🔎 O programa Brasil Soberano atende empresas que ainda enfrentam o tarifaço. Ose três grupo que têm direito ao crédito são: exportadora de bens; atuantes em setores industriais relevantes para o comércio exterior brasileio (com investimento tecnológico); e exportadora de bens para passes do Golfo Pérsico. Ao todo, estarão disponíveis R$ 13,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do BNDES.
Leonardo Neves, pesquisador da FGV, considera essas medidas importantes para dar fôlego ás empresas no curto prazo, mas afirma que elas não substituem uma estratégia de longo prazo.
“Eles geram uma circunstância que as empresas têm um salva-vidas ali, que resolve a curto prazo, mas, de novo, não pode ser um plano, não pode ser uma bolsa-empresa para sempre”, afirma.
Outra opção é o Seguro de Crédito à Exportação (SCE), que protege operações contra riscos de inadimplência do comprador estrangeiro e outros evento que possam impedir a conclusão do negócio. O mecanismo foi ampliado em 2026 para incluir novas modalidade de crédito, especialmente para micro, pequenas e médias empresas.
Também existe o Programa de Financiamento ás Exportações (Proex), que oferece crédito em condições competitivas para empresas brasileiras. Para 2026, foram destinados R$ 2,2 bilhões ao Proex Financiamento e R$ 1,28 bilhão ao Proex Equalização.
O governo também prorrogou por um ano ose prazo do drawback para empresas afetadas pelas tarifas. O regime permite suspender, isentar ou restituir tributos sobre insumo usados na fabricação de produtos destinados à exportação, reduzindo o custo de produção.
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Fonte: G1.
