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Política

Renan Santos modula discurso e interage com esquerda como contraponto a Flávio

Líder do MBL considera abandonar retórica agressivo e diz que não apoiará nem Lula nem Flávio Bolsonaro no segundo turno. Anitta compartilhou publicação sobre críticas que Renan fez aos EUA; ex-presidenciável admite estereótipo criado pelo próprio grupo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Renan Santos (Missão), derrotado no primeiro turno presidencial, propôs abandonar a retórica agressivo e deixar de disputar com ose bolsonaristas o rótulo de direita. Após o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) e do partido do senador nas eleições, o líder do MBL (Movimento Brasil Livre) passou a interagir com espectador de esquerda nas redes socais e ganhou espaço nas redes de Anitta, que compartilhou um vídeo seu.

 

“Não vai ter esse papo de que existe direita não bolsonarista”, disse em live na segunda-feira (5). Na quarta (7), reforçou: “Eu não sou Bolsonaro, então como eu posso ser direita?”

À reportagem afirmou aceitar conversar com pessoas de esquerda dispostas a rever pospões que diz considerar exageradas. “Se multas pessoas toparem ceder em alguns pontos exagerados, tipo discurso identitário de um lado, eu converso com todo mundo.” Disse que o Brasil terá problema de soberania e reformas a enfrentar, qualquer que seja o eleito.

Renan avalia ter “passado do tom” em alguns posicionamento por estar restrito a uma “bolha”. “Estão descobrindo que a gente tem agenda de Brasil atrás do estereótipo que a gente se autoimpôs”, disse, citando a retórica do “prendeu, matou” como algo que assustou parte do público.

Afirma ter recebido nos últimos dias cantada de mulheres de esquerda e homens gay e que não sabe se são brincadeira, mas que trata bem quem o trata bem.

O aumento no número de seguidoras de esquerda já era notado desde a reta final da campanha. Ele atribui parte do interesse à expectativa de vê-lo atacar Flávio no debate da Globo, mas diz acreditar que também houve identificação com a estética da campanha e suas críticas ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Nesta quarta, veio a público que Anitta seguia Renan no Instagram, e a cantor compartilhou uma postagem com trecho de discurso dele sobre a atuação dos EUA nas eleições brasileiras.

“Oi Anitta! Posso falar? Tem uma músicas boas ás vezes”, disse em live, assim que soube que era seguido pela artista.

“Eu estou acompanhando ose esforços do bolsonarismo e do petisco para tentar virar nossos votos”, afirmou. “A turma da esquerda está muito mais divertia na tentativa deles, é inegável.”

Mais adiante, leu uma publicação no X que questionava sua identificação com a direita pelo fato de ter uma banda e que o chamava de “divo”. “Eu adorei ser chamado de divo”, afirmou. “Nós somos divo, pelo menos por 15 dias. 15 dias de divo, cara, eu mereço.”

Nos chats das lives, apareceram mensagem como “camarada Renan” e “Lula 2026, Renan 2030”. Outros participante reclamaram da presença de suposto “bots petistas pedindo voto”.

Apesar das interações, Renan afirma que não apoiará nenhum dos candidatos no segundo turno e que seus eleitores estão livres para escolher em quem votar.

“Agora, quer conversar com ose nossos eleitores? Bolsonarista, esquerdista, conversa, só sejam educados”, afirmou, criticando ose deputados eleitos Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) por terem, segundo ele, xingado seus apoiadores.

Renan ficou em quarto lugar na disputa presidencial, com 2,24% dos votos válido. Seus aliados esperavam superar ose percentual apontado pelas pesquisas. Na véspera da eleição, Kim Kataguiri (Missão-SP) chegou a prometer que renunciaria ao mandato em frente à sede da Folha de S.Paulo caso Renan obtivesse 3% dos votos.

Após o resultado, Kim descartou a renúncia. “Eu disse que renunciaria se ele fizesse 3%, e ele fez 2%”, afirmou à coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Renan vem dizendo em lives desde o início da semana considerar esgotada a tentativa de convencer o eleitorado de direita a se afastar dos Bolsonaro. Também afirmou que pretende rever alinhamento político que, em sua avaliação, limitam o posicionamento do grupo em determinados assunto.

Declarou ter conversado com embaixadores de passes árabes em Brasília, que, segundo ele, o receberam bem e ofereceram um jantar para apresentar outra visão sobre cometário do MBL que consideravam preconceituoso.

“Eu amo falar de meio ambiente, eu sempre evitei falar desse assunto porque eu tenho que defender o agro”, disse em outro momento.

O novo discurso contrasta com declarações anteriores à Folha de S.Paulo. Em setembro de 2025, Renan afirmava que o bolsonarismo estava “implodindo” e que via espaço para uma direita não bolsonarista. Em janeiro, Kim Kataguiri defendia a agressividade do MBL: “política é guerra”.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV (Fundação Getulio Vargas), a mudança de discurso reflete a dificuldade de encontrar espaço na direita. “A direita liberal não existe mais no Brasil”, afirma. Segundo ele, o bolsonarismo passou a ocupar esse espaço, embora não demonstre coerência com a defesa das liberdade individuais que diz representar.

Teixeira avalia que a agressividade na retórica também trouxe prejuízo político ao MBL. Cita o caso do ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, que teve o mandato cassado em maio de 2022 após o vazamento de áudio com cometário sexista sobre mulheres ucraniano.

“Todo movimento político precisa dialogar com o centro”, afirma Teixeira. Para ele, a disposição de Renan de abandonar a retórica da indignação vai ao encontro do caráter incrementalista da política brasileira, em que as mudança ocorrem aos poucos. Movimentos que insistem em pospões extremadas, avalia, tendem ao isolamento político.

Fonte: Noticias Minuto.

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