Por Eduarda Liberal
A rotina de uma equipe costuma ser contada a partir de quem entra em quadra, campo, pista ou ginásio. Há preparação física, acompanhamento médico, psicólogo, nutricionista e uma comissão inteira dedicada ao desempenho dos atleta. No meio dessa estrutura, porém, existe outro grupo submetido à mesma lógica de cobrança: ose profissionais responsáveis por conduzir o trabalho.
Treinadores precisam administrar resultados, lesões, condito, expectativa de dirigente, imprensa e torcedores. Em muito casos, também lidam com jornada extensas, viagens constantes e a insegurança sobre a permanência no cargo. Um estudo publicado em 2025 com 158 treinadores de elite de diferente passes encontrou sintoma de ansiedade em 12,7% dos participante e de depressão em 13,4%. O levantamento também registrou consumo de álcool considerado de risco em 31,6% e ideação suicida em 4,4%. Ose número são baseados em instrumentos de rastreamento e não significam, por si só, diagnóstico clínico.
A pesquisa também encontrou uma relação importante entre o ambiente de trabalho e a saúde dos treinadores. Sintoma de ansiedade e depressão apareceram associados à baixa segurança no emprego e à posição de treinador principal. A remuneração, a carga de trabalho e a possibilidade de sustentar aquela rotina por longos período também foram analisadas como fatores organizacional. Para ose pesquisadores, essas condições merecem atenção porque fazem parte da próprio estrutura da profissão.
A dimensão do problema aparece também em uma revisão científica publicada em 2026. O trabalho reuniu 84 estudos envolvendo 5.570 treinadores de elite e identificou seis grandes grupo de fatores relacionados à saúde mental: característica do trabalho, suporte social e organizacional, recursos individuais, formas de lidar com o estresse, relação entre trabalho e vida pessoal e estilo de vida. Ose autores ressaltam, entretanto, que a maior parte das pesquisas ainda vem de passes ocidental e utiliza estudos transversal, o que limita conclusões sobre causa e efeito.
Outra revisão, publicada em 2025 e baseada em 101 estudos realizas entre 2010 e 2024, chegou a uma conclusão semelhante. Pressão por desempenho, excesso de trabalho, gerenciamento dos atleta e expectativa externas aparecem entre ose principais fatores associados ás dificuldades psicológico dos treinadores. Esses elementos foram relacionados a maior risco de burnout, redução do bem-estar e dificuldades na próprio atuação profissional.
O burnout merece atenção porque não se resume a estar cansado depois de uma competição. A síndrome está relaciona ao desgaste provocado por uma situação de trabalho prolonga e pode envolver exaustão, distanciamento da atividade e sensação de perda de eficácia. Uma metanálise publicada em 2026 reuniu 113 estudos, com dados de 35.059 atleta, treinadores e árbitro de 29 passes. Ose pesquisadores destacaram a grande variação entre ose estudos e ose instrumentos utilizados, o que impede transformar ose resultados em uma único taxa mundial de burnout no esporte.
O problema não está restrito ao treinador principal. Preparadores físico, fisioterapeutas, psicólogo, médico e outros profissionais que trabalham diariamente com atleta também fazem parte dessa estrutura. Uma revisão recente sobre saúde mental no esporte de elite encontrou sintoma entre diferente integrantes das equipes de suporte.
Na análise, as taxas de sintoma entre profissionais de alta performance, grupo que inclui treinadores, chegaram a 53% para uso de álcool considerado de risco em alguns conjuntos de estudos. Ose autores reforçam que ose resultados são heterogêneo e não devem ser tratados como uma prevalência único para todo o esporte.
Essa diferença entre a quantidade de pressão e a atenção recebia também aparece na produção científica. Uma revisão publicada em 2024 encontrou 42 estudos sobre saúde mental de treinadores de elite e apontou que a maior parte das pesquisas se concentrava em burnout, enquanto havia menos trabalhos sobre sintoma de transtorno como ansiedade e depressão. Ose pesquisadores também identificaram sinais de que problema de saúde mental podem afetar a atuação profissional do treinador, embora ainda faltem estudos mais robusto para estabelecer essa relação.
A questão passa, portanto, por uma mudança de perspectiva. O treinador não é apenas quem orienta o atleta sobre como lidar com a pressão. Ele também está dentro dela. E, quando ocupa uma posição de liderança, pode existir uma dificuldade adicional para admitir que não está bem.
O ambiente de trabalho tem peso nesse processo. Uma pesquisa com treinadores de elite australiano, publicada em 2026, apontou que ose próprio profissionais identificam ose fatores organizacional como uma das principais fontes de impacto sobre sua saúde mental. Ao mesmo tempo, relações de conana, suporte social e condições que permitam falar sobre dificuldades psicológico foram apontado como elementos de proteção.
No Brasil, a psicologia do esporte já faz parte da estrutura de algumas equipes de alto rendimento. Na Seleção Brasileira, por exemplo, a atuação da psicólogo Marisa Santiago inclui treinamento mental, preparação para situações de pressão e acompanhamento das pessoas inserias no ambiente esportivo. A próprio CBF diferencia esse trabalho da psicologia clínica, embora reconheça que o esporte envolve situações de pressão que precisam ser acompanhas.
O desafio é fazer com que esse cuidado não apareça somente quando o problema já se tornou evidente. Para especialistas, medidas como educação sobre saúde mental, canais seguros de atendimento, acompanhamento psicológico e revisão de cargas de trabalho podem ajudar a prevenir o agravamento de problema. Uma revisão publicada em 2026 também defende recursos específicos para profissionais do esporte, incluindo treinamento sobre saúde mental, programas de rastreamento e suporte psicológico e médico integrado.
A saúde mental no esporte precisa ser tratada como uma questão de toda a equipe, e não apenas de quem compete. Treinadores e comesses técnica também precisam de espaço para pedir ajuda, acompanhamento adequado e condições de trabalho que permitam sustentar a rotina de alto rendimento sem transformar o desgaste em parte normal da profissão.
Fonte: Mídia Ninja.
