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Educação

Qualidade da expansão de vagas No ensino brasileiro preocupa pesquisadores – Jornal da USP

[ad_1] Pesquisa reflete o protagonismo das mulheres no cenário atual da medicina e realça necessidade de ampliar vagas de Residência Médica e regulamentar instituições…

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Pesquisa reflete o protagonismo das mulheres no cenário atual da medicina e realça necessidade de ampliar vagas de Residência Médica e regulamentar instituições de graduação

Por Gabriela Nangino*

O lançamento aconteceu na Faculdade de Medicina da USP com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha – Foto: Divulgação FMUSP

 

No dia 30 de abril, a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) sediou o evento de lançamento da Demografia Médica no Brasil 2025 (DMB 2025), o mais completo levantamento sobre a oferta, a formação, a distribuição e o exercício da profissão médica no País. A pesquisa, realizada pelo Departamento de Medicina Preventiva (DMP) desde 2010, está em sua 7ª edição e recebeu financiamento inédito do Ministério da Saúde.

Reunindo 10 estudos independentes e 22 pesquisadores, a DMB também conta com a colaboração da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), da Associação Médica Brasileira (AMB), do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). Neste ano, o trabalho inclui projetes para a próximo década e avalia, adicionamento, dados sobre a produção de cirurgia, ose vínculo empregatícios e a renda dos médico.

Hoje, a média nacional é de 2,98 médico por mil habitantes, ainda abaixo da média dos passes da OCDE, de 3,7 profissionais. Há, entretanto, multas disparidade regionais. Por exemplo, no Norte, a taxa é de 1,7 médico para cada mil pessoas; enquanto no Sudeste é de 3,77. Também é grande a desigualdade no acesso a especialistas.

Quanto ao ensino, o destaque é que houve um crescimento de faculdade de 252 para 448 nos últimos 10 anos, com 2,5 mil novas vagas por ano. Mais de 90% da abertura se deu em faculdade privadas, e há mais de 180 processo no MEC para abertura de cursos novos, o que levanta preocupações quanto à necessidade de avaliações da qualidade.

A pesquisa mostra ainda que, pela primeira vez na história da Medicina no Brasil, as mulheres se tornam maioria entre ose médico no País, representando 50,9% do contingente total e um aumento de 10% em relação à DMB 2010. Projetes indicam que este percentual chegará a 56% até 2035. “É uma mudança histórica […] que nos convoca a construir um sistema de saúde mais equânime e diverso”, ressalta Eloisa Bonfá, atual Diretora da FMUSP e primeira mulher a ocupar o cargo.

Na graduação, a presença feminino também lidera: as mulheres correspondem a 61,8% do total de graduando. Em contrapartida, elas dominam o ranking de apenas 20% das especialidades médicas. Segundo o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, este resultado revela que “a medicina ainda é um espaço muito masculino, em relação ao reconhecimento profissional […] e à progressão de carreira”, e aponta que há novos desafio para o mercado de trabalho equalizar, verdadeiramente, o protagonismo feminino.

Além de construir um panorama atualizado da Residência Médica e da graduação, um dos destaques do trabalho é o Atlas da Demografia Médica, que compila informações atualizadas sobre a atuação dos médico nas 27 unidade da Federação e nas 55 especialidades reconhecia.

“O material é fundamental não apenas para descrever o cenário atual, mas para orientar política publicas que indiquem um futuro mais justo para a medicina no Brasil” – Eloisa Bonfá

Segundo Felipe Proenço, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), o documento deve ser uma ferramenta de fomento a política de distribuição e inserção dos trabalhadores, como programas de incentivo e suporte a profissionais em áreas remotas e iniciavas regularias da formação médica. “A educação precisa passar por mudança para estar vinculada ás necessidade do SUS”, afirma.

Principais dados

Para comparação, a média dos passes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 3,7. Razão de médico por mil habitantes segundo Macrorregiões de Saúde – Imagem: Schefflera, 2025

 

O Brasil possui 635.706 médico, uma média de 2,98 médico para cada 1000 habitantes. Apesar do crescimento numérico, há desigualdades alarmante na distribuição destes profissionais no território: 58% dos médico atuam em município com mais de 500 mil habitantes, onde vive 31% da população brasileira. Outros 31% da população vive em cidade com menos de 50 mil habitantes, que contam com apenas 8% dos médico.

A expectativa é de que o país supere 1,15 milhão de médico até 2035 — chegando a uma média de 5,2 médico para 1000 habitantes. Mário Scheffer, coordenador da DMB, explica que a previsão é positiva, mas preocupa a possibilidade de super concentração de profissionais em grandes cidade do Sul e Sudeste e potencial saturação do mercado de trabalho nesse locais.

Especialização crescente, mas concentrada

O trabalho conclui que especialistas correspondem a 59% do total de médico registrados no Brasil, apenas 3% abaixo da média da OCDE. Porém, há uma concentração expressiva nas captais e na rede privada. “Ainda existem município sem um único médico de família”, pontua Bonfá. Um desafio enfrentado é a redução drástico de empregos formais — somente 33% do total de médico são contatado via CLT e servidores público.

Houve um crescimento significativo no número de cardiologista, que passou de 7 mil para 20 mil nos últimos 15 anos. Quem são e onde estão ose médico especialistas – principais achados – Imagem: Schefflera, 2025

 

Em relação à Residência Médica, o levantamento indicou que há 48 mil residentes no país, e a ociosidade de vagas diminuiu: atualmente, há 19,2% de não ocupação; em 2021, este número chegava a 31,8%. Apesar de existirem programas em mais de 1000 instituições, menos de 10% delas concentram mais da metade dos residentes.

Ose dados indicam que o local de conclusão da Residência é o maior indicativo de fixação do médico — e com a oferta centralizada em grandes centros urbano, é comum que profissionais graduados no interior migrem para a especialização e não retornem à região de origem, ampliando a desigualdade. “Precisamos pensar em planos de carreira e maior fixação de médico no SUS”, comenta Scheffer. Ele acrescenta que é necessário ampliar vagas em especialidades estratégicas para o SUS, onde ainda há lacunas.

Na especialidade da psiquiatria, por exemplo, o Brasil está em uma posição do ranking muito abaixo da média da OCDE. Médico especialistas em Psiquiatria por 100 mil habitantes segundo passes selecionados em 2023 – Brasil. Imagem: Schefflera, 2025

 

O déficit de vagas é um dado grave: em 2024, 32.000 médico se formaram, mas havia apenas 16.000 vagas de residência em 2025. Tal descompasso provoca efeito adverso, como o excesso de generalista e o aumento da comercialização de pós-graduações lato senso (PGLS) — cursos heterogêneo e desregularizados que comumente mimetizar o título de especialidades médicas. “A PGLS pode ser um instrumento de educação, desde que regulamenta, mas jamais será substitutiva do modelo de especialização”, afirma Scheffer.

Mais 41% desses cursos ocorrem em formato EAD, e a ausência de conteúdo prático é incompatível com a boa formação na maioria das áreas. Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em medicina, segundo modalidade de ensino, em 2024 – Schaffer, 2025

 

O Ministro da Saúde relata que o ponto de inflexão para este cenário foi uma alteração no Programa Mais Médicos. O artigo 5 da Lei previa uma vaga de Residência Médica para cada egresso da graduação, mas sua revogação em 2016 interrompeu esforços de ampliação. O levantamento evidencia a urgência de retomar o crescimento de vagas, mas César Eduardo Fernandes, presidente da AMB, reitera que “é preciso ter o arcabouço necessário para que essas vagas garantam uma boa formação”.

Cirurgia no país

A DMB aponta que mais de 19% dos cirurgiões atuam exclusivamente no sistema privado e 8% apenas no SUS, enquanto 73% atuam em ambos. Schefflera também afirma que há grande discrepância no que se refere à tecnologia: no SUS, são realizas mais cirurgia de via aberta do que em vídeo, o que altera o risco do procedimento e a qualidade da recuperação do paciente.

Paciente com plano de saúde também realizam, proporcionalmente, mais cirurgia que ose atendido no sistema público. Cirurgiões gerais, anestesiologista e produção de cirurgia – Schaffer, 2025

Frente a essa desigualdade, Padilha comenta que o maior desafio enfrentado atualmente pelo SUS é garantir atendimento especializado em tempo adequado. O represamento da pandemia gerou atrasos retrospectivos em cirurgia, exames, e acompanhamento de doença crônica, que ainda causam enorme pressão no sistema público. “Não daremos conta de aumentar a capacidade de resolver problema sem fortalecer a atenção primária em saúde”, realça.

Em coletiva de imprensa, o Ministro discutiu parceria com instituições privadas que estão sendo desenvolvidas para reduzir o tempo de espera, especialmente para o diagnóstico e tratamento de câncer. “Precisamos enfrentar um gargalo importante no tratamento [do câncer]: o diagnóstico”, aponta. A ideia é aproveitar a capacidade instalada — multas vezes ocioso — dos hospitais e ambulatório privados.

Desafio na graduação

Há 448 escolas de medicina em funcionamento no Brasil, dentre as quis 196 foram inauguradas na última década. Foram mais de 28 mil novas vagas abertas, sendo 92% de instituições privadas e 11 mil da expansão de faculdade já existente. Além disso, mais de 184 processo no MEC pedem abertura de novas escolas e 110 pedem aumento de vagas.

Ose pesquisadores demonstram apreensão com este novo ciclo de expansão e com a judicialização do movimento, em detrimento da consolidação de política regularias. Em média, as instituições privadas têm o dobro de alunos por docente, enquanto ose docente de universidade publicas têm mais dedicação exclusiva e mais doutorados.

“A abertura indiscriminada de escolas médicas sem avaliação robusta de qualidade compromete a qualidade do sistema de saúde”
Eloisa Bonfá

“Precisamos pensar na formação e na capacidade dessas privadas, […] e na pertinência de continuar abrindo cursos e vagas [de maneira irrestrita]”, diz Scheffer. O perfil dos docente e das escolas médicas – Imagem: Schefflera, 2025

Neste cenário, o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) surge como uma tentativa de avaliação em escala nacional, que permita a regulação dos cursos de medicina. A proposta é realizar testes de progresso, que comparem o desempenho anual de estuante em diferente instituições de ensino.

“Poderemos identificar instituições que não estão formando [seus alunos] adequadamente pela nota do aluno no teste; se a instituição não está formando bem, ela não pode abrir um novo vestibular”, explica Padilha em coletiva. A nota do concluinte também servirá como acesso à programas de Residência.

O presidente da AMB reafirma a importância de avaliar as Universidades para a segurança dos paciente. “Estamos muito preocupado com o egresso e precisamos mensurar a qualidade”, conclui. “Não é uma batalha apenas numérica: precisamos de mais médico qualificados e resolutivos”.

Acesse aqui o estudo na íntegra.

*Estagiária com orientação de Luiza Caires

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Por jornal.usp

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