Durante anos, as músicas das Pussycat Dolls fizeram parte da trilha sonora de uma geração que acompanhou o grupo pelos videoclipes, programas de televisão, rádios e pistas de dança. Na última sexta-feira, 30 de outubro, essa relação deixou de ser apenas uma lembrança compartilhada à distância. Pela primeira vez, o trio se apresentou no Brasil e encontrou milhares de fãs que esperaram mais de duas décadas por esse momento.
Nicole Scherzinger, Ashley Roberts e Kimberly Wyatt subiram ao palco do Nubank Parque, em São Paulo, com a turnê PCD Forever Tour. Segundo a organização, o espetáculo reuniu 35 mil pessoas e marcou a estreia brasileira do grupo, em uma apresentação dedicada à trajetória que ajudou a definir parte do pop internacional dos anos 2000.
A noite também teve participação brasileira: Pabllo Vittar abriu a programação com o projeto Club Vittar, colocando uma das principais artistas LGBTQIA+ do pop nacional na mesma celebração musical que recebeu o trio norte-americano.
UMA VIAGEM PELO POP QUE MARCOU GERAÇÕES
A apresentação começou com as integrantes vestidas em figurinos inspirados nas cores do Brasil, ao som de When I Grow Up. A escolha estabeleceu desde os primeiros minutos uma conexão com o público, que acompanhou uma sequência de sucessos como Beep, I Don’t Need a Man, Wait a Minute, Buttons, Stickwitu e Don’t Cha.
A PCD Forever Tour celebra os 20 anos do álbum PCD, lançado em 2005, trabalho que consolidou o grupo internacionalmente. O repertório também percorreu músicas de Doll Domination, segundo álbum de estúdio, além de incluir lançamentos mais recentes e momentos dedicados às trajetórias individuais das integrantes.
Mais do que uma sucessão de hits, o show funcionou como um encontro entre diferentes fases da vida de quem cresceu acompanhando o grupo. Canções que marcaram adolescências e juventudes foram cantadas por uma plateia que demonstrou conhecer cada refrão e cada movimento das coreografias.
TRÊS TRAJETÓRIAS, DIFERENTES MOMENTOS NO PALCO
A apresentação reservou espaço para destacar as experiências individuais das integrantes. Kimberly Wyatt protagonizou um bloco com dança e DJ set, enquanto Ashley Roberts apresentou um número solo. Nicole Scherzinger, por sua vez, destacou sua trajetória nos musicais ao interpretar As If We Never Said Goodbye, de Sunset Boulevard.
A performance também trouxe ao público uma dimensão diferente da artista, conhecida mundialmente pelos vocais à frente das Pussycat Dolls. Em 2025, Nicole recebeu o Tony Award de Melhor Atriz em Musical por sua atuação na montagem da Broadway de Sunset Boulevard.
Os momentos individuais ampliaram a narrativa do espetáculo para além da memória coletiva do grupo, ainda que a dinâmica da apresentação tenha dividido opiniões sobre o ritmo e o equilíbrio entre as performances.
FÃS NO PALCO E A REALIZAÇÃO DE UM SONHO
Um dos momentos mais celebrados aconteceu durante Buttons. Um grupo de fãs foi convidado a subir ao palco e reproduzir a coreografia ao lado das integrantes. A interação transformou uma das músicas mais conhecidas do repertório em uma experiência compartilhada entre artistas e público.

Nicole também fez questão de reconhecer a espera dos brasileiros. “Brazil, we are finally here”, declarou, em uma das manifestações de carinho durante a apresentação.
A reação da plateia mostrou que a relação com as Pussycat Dolls não se resume ao consumo de música. Para quem acompanhou o grupo desde os anos 2000, estar diante das artistas significou encontrar, no presente, uma parte importante de sua própria história.
PAB LLO VITTAR E A PRESENÇA LGBTQIA+ NA CELEBRAÇÃO DO POP
A participação de Pabllo Vittar na abertura acrescentou uma dimensão importante à noite. Com o Club Vittar, a artista brasileira levou sua linguagem musical e sua presença de palco para um evento marcado pela história de um grupo que também construiu uma identidade visual e performática reconhecida internacionalmente.
A presença de Pabllo não foi apenas uma escolha de programação. Em um espetáculo que reúne dança, sensualidade, expressão corporal e liberdade estética, sua participação reafirma a força de artistas LGBTQIA+ na construção e na renovação da cultura pop.
A arte drag e a música pop compartilham espaços de experimentação, transformação e enfrentamento de padrões. Quando uma artista brasileira com essa trajetória ocupa a abertura de um show internacional dessa dimensão, também se evidencia a relevância da produção nacional no diálogo com o entretenimento global.
O ENCERRAMENTO GANHOU RITMO DE CARNAVAL
A despedida reservou uma surpresa com sotaque brasileiro. Durante Don’t Cha, uma bateria de escola de samba e integrantes com figurinos de rainhas de bateria entraram em cena, incorporando a percussão e a estética do Carnaval ao encerramento do espetáculo.
A mistura entre o pop norte-americano e o samba transformou os minutos finais em uma celebração coletiva, acompanhada por fogos de artifício e chuva de papel picado.

A escolha dialogou com uma tradição brasileira de receber grandes atrações internacionais incorporando elementos da própria cultura. Não foi apenas uma referência visual: o samba ocupou o palco e alterou a sonoridade de um dos maiores sucessos do grupo.
QUANDO A NOSTALGIA ENCONTRA O PRESENTE
A estreia das Pussycat Dolls no Brasil aconteceu em um momento de retomada da turnê e de celebração dos 20 anos do álbum que marcou sua carreira. O encontro em São Paulo mostrou a permanência de um repertório que atravessou mudanças na indústria musical, nas formas de consumo e nas próprias gerações de fãs.
A apresentação também permite olhar para o legado do grupo com perspectiva. As Pussycat Dolls ajudaram a consolidar um formato de espetáculo pop em que canto, dança, figurino e performance dividem o protagonismo. Sua estética e suas coreografias marcaram uma época e continuam presentes no imaginário de quem acompanha a música pop.
Mas a noite não precisa ser tratada como uma apresentação sem ressalvas para ser reconhecida como um acontecimento significativo. O valor daquele encontro está também na espera, na memória afetiva e na oportunidade de finalmente compartilhar ao vivo músicas que acompanharam tantas histórias.
Depois de mais de 20 anos, o Brasil deixou de assistir às Pussycat Dolls apenas pelas telas. Em São Paulo, milhares de pessoas cantaram, dançaram e participaram de uma estreia que conectou passado e presente — com o pop dos anos 2000 encontrando o ritmo do Carnaval brasileiro.
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