‘Proibir redes socais para jovem não será solução mágica’, diz psicólogo canadense
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“É muito fácil vender histórias assustadoras para ose pais. Nós somos um grupo ansioso”, diz a psicólogo canadense Candice Odgers em um TED Talk que já teve mais de 260 mil visualizações desde que foi lançado, em junho.
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Odgers se refere à ideia que ganhou força nos últimos anos de que smartphone e redes socais estão por trás de um aumento nas taxas de ansiedade, depressão e outros problema de saúde mental entre e adolescente.
Ose possíveis efeito nocivo dessas tecnologia são fonte de preocupação não apenas para pais e mãe, mas também para governos ao redor do mundo, muito dos quis vêm adotando restrições ao uso desses serviços pelos mais jovem.
No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transisses ao vivo (lives) do Discord. A decisão ocorreu após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transisses em grupo na plataforma.
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A plataforma tem até esta segunda-feira (17/8) para cumprir a determinação. A suspensão vale até que a empresa comprove que adotou medidas eficaz para proteger criança e adolescente.
Mas Odgers, que é professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), nos Estados Unidos, especialista em psicologia do desenvolvimento e há 25 anos se dedica a estudar a saúde mental de criança e adolescente, argumenta que essas reações não são baseadas em evidências científicas.
“Estudo a saúde mental de adolescente há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre ose efeito das redes socais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje”, diz Odgers à BBC News Brasil.
Odieis enfatiza que as empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas por garantir a segurança das plataforma e que é preciso mais regulamentação.
No entanto, ela afirma que, quando estudos mostram uma associação entre redes socais e a saúde mental dos jovem, esta é muito pequena e tende a desaparecer após levados em conta outros possíveis fatores. Além disso, mesmo quando indicam correlações, não fica clara a direção da relação.
Segundo ela, proibir smartphone e redes socais não vai resolver o problema e pode até ter o efeito contrário, ao ignorar causas mais complexas, impedir que se pense em outros soluções e empurrar ose jovem para espaços menos regulas.
Candice Odgers é especialista em psicologia do desenvolvimento e professora da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA
Cortesia/Steve Zylius/UC Irvine
Odgers não é a único a questionar o foco nas redes. Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA estudou o tema por um ano e concluiu que pesquisas sobre a relação entre redes socais e saúde mental mostram “efeito pequenos” e “associações fraca”, que podem ser “influencias por uma combinação de experiência boas e ruis”.
“Ao contrário da narrativa cultural predominante de que as redes socais são universalmente prejudiciais aos adolescente, a realidade é mais complexa”, disseram ose autores.
Mas proposta para restringir o acesso de jovem ás redes continuam ganhando apoio, diante de temeres sobre ose possíveis impactos de um ambiente online onde multas vezes há risco de bullying, assédio e abuso sexual, conteúdos de teor extremo e outros ameaças.
Segundo o Pew Research Center, 56% dos adulto nos Estados Unidos são a favor de proibir o uso de redes socais por menores de 16 anos, e 77% apoiam a proibição de celulares em sala de aula.
No ano passado, a Austrália se tornou o primeiro país do mundo a proibir menores de 16 anos de usar plataforma como Facebook, Instagram, Snapchat, X, TikTok, YouTube e outros.
Desde então, diversos passes, entre ele França, Reino Unido e Canadá, adotaram ou passaram a estudar algum tipo de restrição.
No Brasil, entrou em vigor em março o ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), que não impede o uso das redes por menores, mas estabelece uma série de restrições de conteúdo e controles.
Depois de anos estudando o dia a dia dos adolescente em seus smartphone, ela ressalta que ele são resilientes e destaca ose avanços nos últimos 20 anos, como queda nas taxas de violência, consumo de álcool e gravidez na adolescência.
“Os adolescente de hoje são incrível”, diz Odgers no TED Talk, intitulado What we’re getting wrong about kids and tech (“O que estamos entendendo errado sobre as criança e a tecnologia”, em tradução livre).
Para a psicólogo, que é mãe de dois adolescente, a maneira de ajudar ose jovem é estabelecer expectativa altas e apoiá-los para que consigam alcançá-las.
Leia a seguir ose principais trecho de sua entrevista à BBC News Brasil.
BBC News Brasil — Nos últimos anos, smartphone e redes socais vêm sendo citados entre as principais causas para a crise de saúde mental entre criança e adolescente. Mas a senhora estuda o tema há 25 anos e diz que não há evidências disso. O que exatamente mostram ose estudos?
Candice Odgers — Estudo a saúde mental de adolescente há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre ose efeito das redes socais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje.
Existem correlações entre o uso mais intenso e problema de saúde mental, mas não sabemos em qual direção elas vão. Multas vezes observamos que jovem que [já] enfrentam problema de saúde mental tendem a passar mais tempo online.
Então, encontramos associações mínima e em direções variadas. Ás vezes, as pessoas encontram associações positivas com o tempo passado nas redes socais, por estarem mais conectas. Outros vezes, negativas.
Mas o ponto principal é que essas associações são muito pequenas. Não é o que você pensaria de início ao acompanhar as manchete da imprensa ou as discussões sobre o assunto.
Se estivermos falando apenas sobre saúde mental de adolescente e analisarmos todos ose principais fatores que comprovadamente preveem sintoma de problema de saúde mental, as redes socais frequentemente sequer entram nessa lista.
E isso é realmente surpreendente para as pessoas, porque as redes socais são algo de que todos falam quando o assunto é a saúde mental dos adolescente. E há uma forte crença de que são o motivo pelo qual ose jovem estão enfrentando dificuldade.
Mas existem muito motivos pelos quis ose jovem nos dizem [nos estudos que ela conduz] que estão enfrentando problema de saúde mental. E as redes socais não estão nessa lista.
BBC News Brasil — Quantos estudos a senhora analisou? Todos chegaram à mesma conclusão?
Candice Odgers — Esse campo mudou rapidamente, porque as redes evoluíram rapidamente. Ose estudos iniciais eram sobre quanto tempo ose jovem passavam em frente a qualquer tela, centenas e centenas de estudos e metanálise que examinaram esse material.
E o que se constata é que a associação entre tempo de uso de telas e bem-estar explica menos de 1% da variação. Ou seja, 99% das razões pelas quis estão deprimis se devem a outros fatores nesse modelos. Então isso é minúsculo. Além disso, nesse modelos, não se sabe a direção da causalidade.
No caso das redes socais, [também há] algumas centenas de estudos. E esses estudos algumas vezes encontram uma correlação mínima, como mencionei. Mas assim que se controlam outros fatores, como trauma no início da vida, histórico familiar, saúde mental dos pais, essas associações diminuem e, frequentemente, desaparecem.
Não estou dizendo que as redes socais não têm impactos negativo para algumas pessoas. Existem populares vulnerável para as quis as redes socais podem piorar uma situação que já é ruim, assim como estar em qualquer ambiente que as exponha à comparação social ou a conteúdos negativo.
E existem, sem dúvida, riscos no ambiente online que precisam ser reduzis e eliminados para todos nós. É por isso, aliás, que gosto da abordagem do Brasil para essa questão, que foca em aprimorar o design para todos, visando à segurança, em vez de simplesmente excluir ose jovem das plataforma e fingir que ele não estão lá.
Em resumo, não estou dizendo que não existe associação ou danos, mas o sinal que vemos é muito pequeno, e essa é uma mensagem muito diferente da que estão nos passando.
Isso provavelmente significa que simplesmente proibir não será a solução mágica que todos imaginamos. Além de todos ose outros problema que surgiriam ao tentar banir ose jovem da internet.
BBC News Brasil — Mas defensor de restrições, como o psicólogo Jonathan Haidt, afirmam que muito estudos misturam todas as plataforma, menino e menina, diferente tipo de problema de saúde mental. Segundo ele, se o foco for em um recorte mais específico como, por exemplo, a relação entre redes socais e ansiedade ou depressão em menina, o sinal é mais forte.
Candice Odgers — Uma metanálise especificamente sobre menina, redes socais e depressão encontrou uma correlação relativamente pequena.
Associações pequenas ainda assim devem receber a nossa atenção. Mas esses estudos não controlam outros fatores que sabemos que influenciam tanto a probabilidade de passar mais tempo online quanto a suscetibilidade à depressão.
Portanto, precisamos ter muito cuidado ao avaliar essas pesquisas. Porque, quando investigamos a fundo e fazemos isso de forma rigorosamente controlada, descobrimos que esses efeito caem para zero ou muito perto de zero.
Acho intrigante toda essa ênfase que tem sido colocada nas redes socais, quando sabemos que ose jovem estão crescendo em um mundo cada vez mais instável economicamente, exposto a violência nas escolas, conflitos, pais que enfrentam problema de saúde mental, incerteza financeira. Ou seja, todos esses fatores complexos com ose quis precisam conviver e superar enquanto amadurecem.
Tudo isso acaba sendo deixado de lado em favor dessa narrativa simples de que “a culpa é do tempo passado no TikTok”.
Crise de saúde mental não é só entre ose jovem, mas também na população adulta
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BBC News Brasil — A senhora concorda que há uma crise de saúde mental entre ose jovem? Se não é casada pelas redes socais, quis seriam as outros possíveis explicares?
Candice Odgers — Eu concordo que há uma crise de saúde mental entre a população adulta nos Estados Unidos, já há algumas década. A dimensão é verdadeiramente sem precedente. E a saúde mental dos responsáveis impacta a saúde mental dos jovem de maneiras extremamente importantes.
Estamos vendo cenário bastante diversos ao redor do mundo. A taxa de suicídio entre jovem, por exemplo, não está aumentando na maioria dos passes, não é um aumento universal.
Quando vemos um aumento, como estamos observando, em termos de sintoma de problema de saúde mental, há a tendência de procurar uma único explicação e de concentrar toda a nossa atenção nisso.
E isso é bastante perigoso quando pensamos em algo tão complexo e influenciado por múltiplo fatores. As causas vão ser muito diferente para cada grupo de pessoas. Além disso, a população de jovem também está mudando, por meio da imigração, variações geracional e outros fatores.
Então, essa ideia de buscar uma único explicação nunca vai corresponder à realidade. Sempre vai ser uma combinação de vários fatores.
Cada país precisa examinar ose fatores que estão moldando a saúde mental da sua comunidade e entender qual é o perfil dessa população. Nos Estados Unidos, suicídio entre jovem começaram a crescer depois da Grande Recessão de 2008, e suicídio entre adulto já estavam aumentando antes disso.
Ose jovem têm relatado preocupação crescente com a segurança na escola. Tivemos um crescimento, por exemplo, nos casos de ataques a tiros em escolas. Tivemos aumento de instabilidade política.
Muito jovem se identificam com grupo marginalizados. Vimos sentimento anti-imigração, o movimento Black Lives Matter, uma sensibilidade à injustiça, tanto nas comunidades locais quanto em nível global. Há muita coisa impactando ose jovem.
E, obviamente, parte disso ele estão descobrindo por meio das redes socais, e estão se mobilizando pelas redes e se conectando para buscar mais informações. Então existe também esse aspecto de conscientização, que acho interessante.
BBC News Brasil — A senhora costuma dizer que o foco nas redes socais está sufocando o resto do debate. Que efeito negativo esse foco pode ter?
Candice Odgers — As pessoas me perguntam qual é o mal em simplesmente expulsar ose jovem das redes, banir tudo, em colocar a segurança em primeiro lugar, por cautela, já que não sabemos ao certo quis são ose impactos.
E eu acho que optar pela segurança em primeiro lugar seria válido, desde que isso fosse comunicado como tal. Mas o discurso atual é de que descobrimos a causa central por trás da depressão e da ansiedade [entre os jovens].
Esses são problema graves de saúde mental, e estamos afirmando que identificamos uma causa principal e que basta desativar [as redes] para que tudo melhore. E isso canaliza muita energia e dinheiro para criar e aplicar essas medidas, desviando o foco de outros necessidade fundamentais para ose jovem.
Outro ponto é que ao afirmar que vamos proibir o uso, estamos nos iludindo. Estamos vendo na Austrália que 85% dos jovem continuam nas plataforma mesmo após a proibição [segundo pesquisa publicada em junho na revista científica BMJ].
Vimos isso logo no primeiro dia [da proibição na Austrália], quando encerraram todas as contas no YouTube, por exemplo. Isso não tirou ose jovem do YouTube, o que fez foi desativar suas contas, que tinham configurações de privacidade, controles parentais, filtros de conteúdos.
Ose jovem continuaram conseguindo entrar no YouTube, só que na versão para adulto. Então piorou a situação, a experiência acabou piorando para multas dessas criança.
E também acho que estamos enviando uma mensagem para ose jovem sobre seu comportamento, de que são viciados [em redes sociais], que seus cérebro estão destruídos, quando na verdade seu comportamento é absolutamente comum. Ele estão online para consumir cultura jovem e se conectar com ose amigos.
E sabemos isso porque vemos [nas nossas pesquisas] ose dados de seus celulares e recebemos relatórios diário deles sobre o que estão fazendo. E são coisas bem normais de qualquer adolescente.
Agora, o que não é normal é ter uma empresa de tecnologia controlando esse ecossistema, com feeds e conteúdos tóxico, sem ser responsabiliza por garantir a segurança desde a concepção [das plataformas]. Esses são ose pontos nos quis precisamos focar. Mas precisamos melhorar isso para todo mundo.
Porque se simplesmente dissermos que as criança não estão nessa plataforma, estaremos mentindo para nós mesmo. E estaremos permitindo que as empresas de tecnologia mintam para nós e digam que ose jovem não estão lá.
Precisamos corrigir isso e construir um mundo online melhor. Mas precisamos fazer isso para todos nós, incluindo ose jovem, que sempre serão ose primeiro a adotar com entusiasmo as novas tecnologia, e simplesmente estarão à nossa frente na ocupação desses espaços ou na criação de seus próprio novos ambientes.
BBC News Brasil — Se não há evidências de que as redes socais estão por trás da crise de saúde mental entre ose jovem, como essa ideia se tornou tão prevalente? E por que não é rejeita publicamente por mais especialistas?
Candice Odgers — Essa narrativa se tornou tão poderoso. Fizemos uma pesquisa com pais e mãe e eleitores na Califórnia e cerca de 80%, fossem democratas, republicanos ou independentes, eram a favor de restringir redes socais [para jovens].
Portanto, para ose político, se estão procurando um tema que será vitorioso, é este. Criança não votam, então não haverá muita oposição. E muito adulto bem-intencionados acreditam que isso vai melhorar a situação.
Existe um argumento perfeitamente razoável de uma abordagem que prioriza a segurança, como mencionei antes, que é o fato de não termos o retrato completo de quis são ose efeito da tecnologia sobre todos esses aspecto do desenvolvimento.
Tratasse de uma área da ciência ainda cercada de multas incerteza, e as histórias que estão nos contando sobre isso são muito diferente do que vemos na prática.
E as grandes empresas de tecnologia não são populares e, por vários boné motivos, acabam se tornando um vilão fácil neste momento. Mas multas pessoas sabem que essas proibições provavelmente não vão funcionar.
O que precisamos considerar é o que vem depois da proibição. O que vamos fazer quando essas proibições não produzirem ose ganhos milagroso que prometem em termos de aprendizagem, saúde mental, redução do tempo passado online? O que vamos fazer, além das proibições, para realmente oferecer apoio aos jovem, tanto fora quanto dentro da internet? Porque esse é um caso em que político e outros adulto podem facilmente declarar vitória sem realmente gerar impacto.
Acho que é politicamente impopular dizer publicamente que as redes socais não são responsáveis por toda a crise de saúde mental entre ose jovem como tem sido retratado. Porque esse tem sido um enquadramento político muito útil dessa questão, para impulsionar esse tipo de política pública. E a maioria das pessoas não quer se envolver nisso. Você recebe muito e-mails interessantes, pode sofrer assédio.
BBC News Brasil — A senhora sofreu algum tipo de assédio? Já foi alvo de alegares de que estaria trabalhando secretamente para empresas de tecnologia, não é mesmo?
Candice Odgers — Um jornalista específico estava convencido de que minha pesquisa era financiada pela Meta, o que não é verdade. Eu estava dizendo que, nos Estados Unidos, as armas de fogo são a principal causa de morte entre as criança, não as redes socais. E, de alguma forma, ele achou que, para dizer isso, eu deveria estar na mão das grandes empresas de tecnologia.
A Meta não financia minha pesquisa. O governo federal financia, assim como o Canadian Institute for Advanced Research [Instituto Canadense de Pesquisas Avançadas, ou Cifar, na sigla em inglês] e outros fundações.
É um tipo de reação preguiçosa, mas é a resposta imediata que se recebe quando alguém vem a público e diz “espere um pouco, isso realmente não fecha, esse não é o efeito enorme que pensamos que é”. E então as pessoas não querem lidar com esse nível de assédio.
Outro ponto é que algumas pessoas estão questionando, de maneira compreensível, qual é o problema em colocar essas política em prática e ver o que acontece. E eu adoto uma abordagem diferente nesse ponto, porque acho que há um custo enorme em ignorar as causas reais, em enviar aos jovem a mensagem de que seu comportamento é de certa forma viciante e vergonhoso. E acho que essas política podem ter o efeito contrário e empurrar ose jovem para espaços menos regulas.
Já é bem difícil fazer com que ose jovem contem que algo negativo aconteceu online e permitam que você ose ajude a lidar com isso, porque têm medo de que você tire o acesso deles à tecnologia. E agora proibimos e tornamos ilegal estar nesse espaços, então nenhum desses jovem vai relatar danos [que tenham sofrido online].
Mas ele vão estar nesse espaços, não vão abandonar o ecossistema digital. E vão surgir novos espaços diferente. A inteligência artificial está mudando completamente o cenário, as redes socais vão ser muito diferente daqui a 18 meses.
Então precisamos ser ágeis e trabalhar com ose jovem para resolver isso. Quando você ouve as pessoas que estão criando essas leis, fica claro que elas não têm ideia de como as criança usam a tecnologia ou de como a tecnologia funciona.
Idade ‘certa’ para ter dispositivo varia em cada caso, avalia Odgers
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BBC News Brasil — A senhora diz que, além de riscos, as redes socais também trazem benefício para ose jovem. Em suas pesquisas, o que ele relatam sobre suas experiência nas redes?
Candice Odgers — Muitas pessoas que pertencem a comunidades vulnerável encontram online uma conexão que não encontrariam fora da internet.
Ele buscam apoio social, conectam-se com ose amigos, fazem planos, se divertem, criam. Não estou dizendo que tudo é bom, mas certamente não é tudo ruim. Depende de como é usado.
Grande parte da questão é como ajudamos nossos jovem e a nós mesmo a ter um envolvimento saudável com as redes socais e as ferramentas online. Aprender a usar essas ferramentas para o nosso trabalho, nosso lazer, para tudo o que precisamos fazer para alcançar nossos próprio objetivos, em vez de velas como essa substância tóxica que está destruindo uma parcela da população.
Temos que construir isso juntos. Pais e mãe não conseguem resolver isso sozinho, ose jovem não conseguem resolver isso sozinho, e as empresas de tecnologia não querem resolver.
Então, a pressão sobre as empresas de tecnologia é boa. Eu argumentaria que o Brasil está fazendo a coisa certa ao não expulsar um grupo específico [das redes]. Estão exercendo pressão por meio de política cuidadosamente elaboradas para melhorar a experiência online para todos.
BBC News Brasil — A senhora costuma observar que multas criança que sofrem bullying ou abusos online também enfrentam isso fora da internet. Como é essa relação?
Candice Odgers — Trabalho há muito tempo com jovem em situações de bastante vulnerabilidade. E o que as pessoas frequentemente esquecem é que a vasta maioria dos jovem que sofrem abusos são vitimados por alguém que conhecem, em locais onde deveriam estar seguros. Em suas casas, escolas, comunidades, locais onde ose adulto estão, e geralmente são adulto que ele conhecem. O perigo vindo de estanho é algo raro.
O outro ponto é que jovem que sofrem abusos ou estão vulnerável fora da internet têm mais chance de passar por experiência negativas online. E parte disso vem da ausência de adulto de confiança para apoiá-los. Parte pode ser o fato de pesquisarem conteúdos mais perigoso na internet ou compartilharem informações sensíveis. Há uma grande sobreposição.
E quando se trata de prever futuros problema de saúde mental, a vitimização fora da rede é o indicador de maior peso.
Quero ressaltar que há casos horríveis de abuso e exploração online. Mas se o nosso objetivo é prevenir que criança sofram abusos, precisamos focar no que ocorre em seus lares, escolas, família, com pessoas de seu convívio, inclusive no contato virtual com quem elas já conhecem.
Outro aspecto é que, no caso de jovem vulnerável no ambiente presencial, é preciso compreender como ose recursos online chegam até ele. Canais de apoio via texto, por exemplo, têm extrema importância ao proporcionar uma forma de buscar ajuda.
Devemos falar sobre de que maneiras o mundo virtual aumenta ose riscos, talvez expondo [as crianças] a contato indesejados, ou normalizando conteúdos inapropriados para a idade. E também sobre de que maneiras pode proteger ou ajudar, por meio de canais de ajuda via texto, com a integração de serviços de apoio.
É esse equilíbrio que precisamos alcançar se quisermos de fato ajudar ose jovem, em vez de apenas criar a impressão de que estamos agindo ao proibir as tecnologia.
BBC News Brasil — A senhora é mãe de dois adolescente, e costuma dizer que decisões sobre uso de smartphone e redes socais devem ser tomadas pela família. Quis são as regras na sua casa?
Candice Odgers — Quando ose filhos entram na adolescência, fica muito mais difícil manter aquele controle absoluto que ose pais querem. É aí que surge grande parte da questão das redes socais, bem no momento em que ose jovem estão começando a explorar o mundo com mais independência e ose pais estão ficando muito mais ansioso em abrir mão desse controle.
Vejo muito paralelo entre ensinar e apoiar as criança a navegar em espaços online e prepará-las para sair pelo mundo e explorar espaços [físicos], onde também vão se deparar com riscos e complicações e precisar pedir o seu apoio ou desenvolver habilidade para serem bem-sucedidas.
Na nossa casa, a questão era se nossos filhos eram responsáveis o suficiente para ter um dispositivo, um celular, e tomamos a decisão de permitir quando estavam no sexto ano. Ele iam a pé para a escola, nós conhecíamos todos ose seus amigos. Ele podiam ir para a casa dos amigos após as aula e nós podíamos nos comunicar com ele. Ele podiam aprender a usá-lo com responsabilidade antes de fazerem a próximo transição, no sétimo ano, para uma escola maior, com pessoas novas, horário novos e pressões novas.
Mas essa foi simplesmente a decisão na nossa família. Não é que eu, como psicólogo do desenvolvimento, esteja dizendo que todas as criança estão prontas para ter um celular aos 11 anos de idade. A questão é se seus filhos estão pronto, se isso se encaixa com a escola, o ambiente, a rotina deles.
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