(FOLHAPRESS) – Senadores do PP se incomodaram com o lançamento da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, marcado para esta quarta-feira (4), e com ataques, supostamente feitos por bolsonaristas, em banners e nas redes sociais, cobrando que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) desista de concorrer à chefia da Casa.
Há um acordo entre ela e Marinho para uma candidatura única contra a reeleição do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas eles não chegaram a um entendimento sobre quem deve ser o candidato. A ideia é que, em janeiro, o congressista considerado menos viável abra mão da disputa para que o outro concorra.
Senadores do PP afirmam que a pressão pela desistência da candidatura incomodou Tereza, em especial as críticas nas redes sociais e os banners espalhados pelas ruas, cobrando que a senadora “pare de atrapalhar a oposição”.
Segundo dois congressistas do PP, a insatisfação de Tereza Cristina não deve levar a uma mudança de votos na sigla a favor de Alcolumbre, por enquanto. Se os ataques continuarem, entretanto, uma negociação com o candidato à reeleição na Mesa Diretora pode ser aberta.
A sigla terá seis votos na próxima legislatura e será um dos fiéis da balança, por contar com integrantes que gravitam entre a base do governo Lula (PT) e a oposição.
Desses, dois são dados como certos para Alcolumbre e dois para a candidatura da oposição. Os outros dois estão indecisos por pressão das próprias bases eleitorais, relação de amizade com o presidente do Senado e indefinição sobre quem serão os candidatos.
A bancada do PL se reunirá nesta quarta-feira para definir a estratégia para a eleição para o comando do Senado, que ocorrerá em 1º de fevereiro. O ato também deve contar com a participação do Novo e de senadores de oposição de outros partidos que pretendem declarar voto em Marinho.
O PP deve boicotar o ato de lançamento da candidatura do senador à chefia da Casa, conforme esses congressistas. O líder da oposição se sustenta nos 29 senadores eleitos pelo PL e nos três do Novo para argumentar que a candidatura parte de um patamar mais alto e que, portanto, deve ser ele o candidato, não Tereza.
A senadora, ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PL), tenta construir a candidatura com base em uma rede de apoios alavancada pela bancada feminina e por políticos de centro, mas parte da oposição a pressiona para desistir agora e já declarar voto em Marinho. Ela resiste.
Em entrevista a jornalistas, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou, na terça-feira (3), ser “absolutamente legítimo” que Tereza Cristina se lance candidata e que, mais próximo das eleições, o bloco de oposição ao atual chefe do Senado poderá avaliar qual candidatura tem o que chamou de mais densidade eleitoral na disputa. “Não tenho a menor dúvida que haverá uma composição no final”, disse.
“Tereza Cristina participa das conversas do nosso núcleo, da oposição, inclusive de forma mais assídua, desde antes do primeiro turno das eleições. A senadora é uma liderança feminina importantíssima para o projeto da direita e certamente por isso ela tem espaço garantido junto a todos nós”, completou Portinho.
Na avaliação dele, o PL terá uma composição mais favorável para enfrentar Alcolumbre do que em 2023. O partido elegeu a maior bancada para a Casa a partir de 2027.
O voto para a presidência do Senado é secreto, mas parte da oposição defende que os senadores divulguem as cédulas de votação antes de depositá-las nas urnas. A ideia é que a pressão popular constranja os eleitos pela direita e evite um voto escondido em Alcolumbre, criticado por travar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e por ter auxiliado na vitória de Lula.
Já o presidente do Senado aposta em traições dentro da oposição e em senadores de direita eleitos por partidos do centrão, mas com quem mantém boas relações. A federação formada por PP e União Brasil já declarou apoio à reeleição do congressista, em um movimento para esvaziar Tereza, mas os senadores dos dois partidos não foram consultados previamente e evitaram endossar publicamente a nota.
Alcolumbre cobrava o anúncio de PP e União Brasil para destravar a adesão de outras legendas, como MDB, PSD e PT. Ele conta também com a ajuda do governo Lula para evitar que a presidência do Senado caia nas mãos da oposição por dois anos.
Líderes do PL se reuniram na noite de terça-feira, em Brasília, para discutir também o comando da Câmara dos Deputados, mas o encontro terminou sem definição. O líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a decisão será tomada após ouvir os novos deputados da sigla, na próxima quarta-feira (11).
Ele negou que um eventual isolamento do PL, caso decida lançar um candidato próprio na disputa, como defende uma ala composta por nomes como Nikolas Ferreira (MG), seja uma “má estratégia”. Também declarou que o partido não abrirá mão de reivindicar a presidência de sete comissões permanentes, por ser a maior bancada da Casa.
“Tem muitos parlamentares recém-eleitos que ainda não foram ouvidos. Seria precipitado falar qual é a posição que nós teríamos, mas logicamente temos convicção de que hoje o PL é uma grife nacional e que não vamos jogar o nome do PL na lama, sem nenhum tipo de contrapartida”, afirmou Sóstenes.
O atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já reuniu apoio de partidos do centrão e de esquerda, como o PT. O movimento de se antecipar se deu justamente para tentar esvaziar a possibilidade de o PL conseguir articular uma candidatura competitiva.
O número de congressistas que integram legendas pró-Motta chegou a 361, mais da metade dos 513 deputados e número maior que os 257 votos necessários para reelegê-lo.
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Notícias ao Minuto | 04:17 – 04/11/2026
Fonte: Noticias Minuto.
