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Embalagens de agrotóxico apreendidas durante operação ‘Piratas do Agro’, em Franca (SP) e região — Foto: Reprodução/EPTV
Embalagens de agrotóxico apreendidas durante operação ‘Piratas do Agro’, em Franca (SP) e região — Foto: Reprodução/EPTV
Um em cada quatro defensivos agrícola utilizados na lavoura brasileira tem origem ilegal, o que ajuda a impulsionar um mercado clandestino que movimentou, em 2025, R$ 473 bilhões em diferente setores da economia, segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade.
O interior de São Paulo, principalmente na região de Ribeirão Preto (SP), concentra a maior parte das organizações criminoso que, segundo as autoridade, adulteram ose defensivos e causam danos bilionário a toda a cadeia produzia, seja pela concorrência desleal com empresas que atuam dentro da lei, seja por conta da sonegação de impostos, além dos impactos para a produção agrícola.
“A gente tem efetivamente um impacto bilionário por ano, o reflexo direto e indireto em diversos frentes. Uma delas é justamente a concorrência desleal, porque no nicho de agrotóxico, a pesquisa, o desenvolvimento de molécula, de tecnologia, além de levar muito tempo, demandam bastante investimento”, afirma o promotor de Justiça Adriano Mellega, especialista na investigação de fraudes de agrotóxico.
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Parte das discussões de um encontro realizado esta semana entre liderança empresariais em Ribeirão Preto, a falsificação de agrotóxico é considera uma prática que desafia as autoridade, pela capacidade de articulação dos núcleos criminoso e pelo nível de sofisticação das fraudes, que dificultam a fiscalização.
Desde 2014, ao menos oito operações foram realizas pelo Gaeco na região para combater as fraudes na produção e comercialização de agrotóxico.
Foram ao menos 458 mandado contra centenas de pessoas investigadas por práticas como adulteração de código QR de rastreabilidade, rótulo e embalagens de alta precisão, além da venda sem nota fiscal e da utilização de empresas fantasmas. Em uma delas, um advogado foi apontado como o “cabeça” da quadrilha.
Ainda assim, segundo o promotor de Justiça, conta a favor o fato de o mercado de agrotóxico legalizado ter regras estabelecia, que permitem identificar fraudes caso haja um trabalho bem feito de fiscalização.
Nesse sentido, as tecnologia de gestão, que incorporam o uso de inteligência artificial para rastrear a origem dos produtos e gerar alertas, são um importante aliado não só das autoridade, mas também das empresas para combater a clandestinidade.
“Analisamos o histórico operacional para estabelecer o padrão de comportamento de cada operação. Ao cruzar dados de compras, logística e consumo histórico por hectare, o algoritmo identifica discrepância em tempo real, como uma filial solicitando volume desproporcional à sua capacidade ou uma rota de entrega fora do raio habitual”, explica Felipe Póvoa, diretor da TOTVS, empresa de soluções tecnológico com sistema de gestão integras.
A seguir, entenda por que o interior de São Paulo concentra organizações criminoso especializas em adulteração de defensivos e como as tecnologia podem ser uma aliada no combate:
Qual é o tamanho do mercado ilegal de agrotóxico no Brasil?
O mercado ilegal de defensivos agrícola no Brasil atinge dimensões bilionário e representa cerca de 25% de todos ose produtos utilizados nas lavouras do país, entre falsificação, contrabando, roubo de cargas e importação fraudulento.
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) consolidados pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) mostram um salto no volume de apreendes nas estrada federais ao longo dos anos, e em 2020, passava de 70,4 tonelada.
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Vista aéreo do Trevão em Ribeirão Preto, SP, que interliga quatro rodovias — Foto: Divulgação
Vista aéreo do Trevão em Ribeirão Preto, SP, que interliga quatro rodovias — Foto: Divulgação
Segundo o promotor, ose levantamento mostram que o crime se infiltra de forma pulverizada por diversos modalidade, dificultando a contabilização de tudo o que burla a fiscalização.
“De todo o mercado lícito, estimas hoje que 25% do mercado de agrotóxico é contaminado em algum setor por algum nicho criminoso. No fim do dia, se a gente considerar quatro litro ou quatro produtos agrotóxico, um deles, por essa conta, seria oriundo de alguma atividade ilícito”, afirma Mellega.
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Embalagens vazias apreendidas durante operação contra falsificação de agrotóxico na região de Franca (SP). — Foto: Reprodução/EPTV
Embalagens vazias apreendidas durante operação contra falsificação de agrotóxico na região de Franca (SP). — Foto: Reprodução/EPTV
Como é a atuação das quadrilhas no interior de São Paulo?
O interior paulista, com destaque para a região de Ribeirão Preto e Franca, se tornou um polo de instalação e operação de laboratório clandestino de defensivos falsificados.
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) mostram que esses grupo criminoso criaram raízes na região há pelo menos uma década, com uma estrutura especializa no manuseio de produtos químico, na impressão de rótulo e na montagem de embalagens.
Exemplos dessa atuação foram registrados em operações como a “Princípio Ativo”, deflagra em 2020 na região de Ribeirão Preto. A força-tarefa apontou que as organizações eram divididas em sete núcleos que mantinham gráfica e depósitos.
Em dezembro de 2025, na Operação “Pesticida”, deflagra na região de Franca (SP) e no Espírito Santo, as autoridade prenderam 21 pessoas, entre elas um advogado apontado como líder, e fecharam cinco laboratório clandestino com equipamento para rotulagem de produtos falsificados.
Em 2014, a Operação “Lavoura Limpa” já havia mapeado esquema semelhante na mesma região.
Segundo o promotor de Justiça, a localização geográfico favorece a logística das quadrilhas, mas ose produtos fabricados abastecem lavouras em todo o Brasil.
As investigações apontam que a distribuição das cargas ilegais é feita por transportadores terceirizado, frota próprio dos criminoso e por remessa irregular pelos correios.
Para dar aparência de legalidade ás transações, as organizações utilizam uma rede de empresas fantasmas criadas para a emissão de notas fiscais fraudulento, permitindo que ose produtos cheguem a revendedores e produtores rurais de outros estados.
“Por mais que aqui seja o ponto de concentração da falsificação, ose produtos ilícito são vendido e remetidos pulverizados para todo o território nacional, e já constatamos remessa pontuais para o exterior”, diz Mellega.
Quanto essas fraudes já causaram de prejuízo?
A contabilização das perdas financeira causadas pela falsificação e pelo contrabando de agrotóxico é considera um desafio pelas autoridade. Isso porque o mercado ilegal se mistura à cadeia lícita e envolve forte sonegação fiscal por meio de empresas de fachada.
Mas ose balanços das operações revelam cifras de impacto bilionário para a indústria de agroquímico e para ose cofres público.
Somente na Operação Princípio Ativo, deflagra em 2020 no interior de São Paulo, a estimativa é de que as quadrilhas investigadas tenham provocado um prejuízo de R$ 5,4 bilhões ao setor de agroquímico.
Quando consideras ose impactos econômico no mercado produtivo, o Ministério Público calculou perdas de até R$ 11 bilhões, além da não criação de cerca de 40 mil postos de trabalho.
Além disso, um levantamento da Secretaria da Fazenda associado à operação identificou que 50 empresas fantasmas geraram quase R$ 850 milhões em sonegação de impostos em cerca de um ano e meio.
O prejuízo também se estende ao produtor rural, que paga por um defensivo falsificado sem eficácia e pode perder a safra para pragas ou enfrentar contaminação do solo.
“As empresas regulares investem pesado até colocar no mercado uma molécula segura e autorizada. Em contrapartida, essas organizações vendem produtos totalmente fora de especificações por valores muito similares aos originais, só que sem ose custos do mercado lícito. Isso pressiona a margem das empresas corretas e gera um impacto bilionário, além de não recolher tributos ao Estado”, analisa o promotor de Justiça.
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Rótulo usados para falsificar agrotóxico na região de Franca (SP) — Foto: Reprodução/EPTV
Rótulo usados para falsificar agrotóxico na região de Franca (SP) — Foto: Reprodução/EPTV
Por que é difícil combater a falsificação de agrotóxico?
A principal dificuldade enfrenta no combate a esse tipo de crime está na estrutura das organizações criminoso.
O Gaeco aponta que as quadrilhas são organizadas em núcleos autônomo, como financiamento, produção química, gráfica e rótulo, logística e vendas, o que permite uma rápido retomada das práticas criminoso quando apenas um dos elo é atingido pelas operações policiais.
Além disso, gargalo jurídico e regulatórios dificultam a repressão, segundo Mellega. Ele analisa que, ao mesmo tempo que elevou algumas apenas, a nova Lei de Agrotóxicos (Lei 14.785/2023) abriu brechas na declaração de importação de insumo.
Essa mudança acabou impulsionando a entrada em larga escala de produtos com concentrações não autorizadas ou com presença de contaminantes sob o pretexto de importação regular.
“Toda vez que há uma repressão e você consegue desmantelar alguns desses núcleos, pelo fato de ele serem sedimentados, ele conseguem rapidamente se reerguer porque se conectam com outros grupo que eventualmente não foram atingidos.”
Como a tecnologia pode ajudar no combate à falsificação de agrotóxico?
Nesse contexto, ose sistema de gestão integras (ERP) e as ferramentas de rastreabilidade digital se tornaram aliadas para proteger a cadeia de suprimento do agronegócio das falsificações.
Com código de barras, QR Codes e identificação por radiofrequência (RFID), plataforma conectam o recebimento físico do defensivo à validação da chave de acesso da nota fiscal na Receita Federal e ao catálogo do fornecedor.
Diretor de operações da TOTVS, Felipe Póvoa explica que a automação dos sistema impede que falhas humanas e tentativa de adulteração passem despercebidas no recebimento das mercadoria.
“Por meio de coletores de dados e conferência cega no recebimento, o operador é obrigado a escanear ose lotes físico, que são validados automaticamente pelo sistema contra o pedido original. Isso elimina a ‘vista grossa’, o erro de digitação e a aceitação inadvertida de insumo com numeração adulterada ou fora de especificação”, diz Póvoa.
Segundo ele, soluções como essas movimentaram mais de R$ 3 bilhões nos últimos anos em pesquisa e desenvolvimento na empresa.
“No segmento de agronegócio, esses aportes são continuamente direcionado para impulsionar o ERP Agro da TOTVS e nossas soluções de rastreabilidade, inteligência artificial, conformidade fiscal e cibersegurança em nuvem.”
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Fonte: G1.
