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Pesquisa aponta que 95% das mães querem ir ao cinema, mas não têm tempo após a maternidade

Levantamento do CineMaterna e da NOZ Inteligência ouviu 1.138 mulheres com filhos de até dois anos e revela como a sobrecarga dos cuidados e a falta de rede de apoio limitam o acesso ao lazer e à cultura O post Pesquisa aponta que 95% das mães querem ir ao cinema, mas não têm tempo após a maternidade apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Helô Alves

Quase todas as mulheres com filhos de até dois anos ouvidas em uma pesquisa nacional querem assistir a filmes nas salas de cinema. A maioria, porém, não encontra espaço na rotina para isso. Segundo o estudo “Mulher e Agora Mãe – Volume II”, 65% das respondentes afirmam que raramente ou nunca têm tempo para si.

O levantamento foi feito pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência. Participaram 1.138 mães ou responsáveis legais por crianças de até dois anos. O questionário on-line ficou aberto entre 10 de novembro de 2025 e 31 de janeiro de 2026 e foi divulgado nas redes sociais e nas bases do CineMaterna.

O interesse pelo cinema segue alto. Entre as respondentes, 63% dizem ter muita vontade de ver filmes na sala de cinema e 32% têm vontade moderada, somando 95%. Na escolha do filme, o gênero é o fator mais citado (61%). Em seguida, vêm o tema da história (48%) e a estreia de um lançamento aguardado (35%).

O desejo esbarra na falta de tempo. Quando conseguem um momento livre, 70% das mães preferem descansar ou dormir. Outras 53% assistem a filmes ou séries em casa. Ir ao cinema aparece em apenas 7% das respostas, enquanto ir ao teatro ou a shows corresponde a 5%.

Assim, os filmes chegam a essas mulheres principalmente dentro de casa. Segundo o estudo, 24% assistem a filmes ou séries em plataformas digitais todos os dias e 32%, algumas vezes por semana. Quase metade (46%) aproveita o horário em que o bebê dorme.

As preferências apontam para histórias leves. A comédia romântica lidera (44%), seguida por animação (41%) e comédia (36%). Para os autores, isso indica a busca por relaxamento e distração no pouco tempo disponível.

“Para muitas mulheres, voltar ao cinema depois da chegada de um filho é uma conquista importante”, afirma Mirian Rodrigues, presidenta da Associação CineMaterna. “É a oportunidade de sair de casa, encontrar outras mães, conversar e voltar a fazer algo de que gostavam antes.”

A sobrecarga ajuda a explicar a falta de tempo. Segundo a pesquisa, 77% das mães concentram a maior parte dos cuidados com os filhos. Desse total, 19% cuidam sozinhas na maior parte do tempo e 58% são as principais responsáveis. Outras 17% afirmam não ter nenhum apoio na rotina.

A concentração aparece mesmo entre quem trabalha fora. Entre as mulheres que não estão atuando profissionalmente, 88% são as únicas ou principais cuidadoras. Entre as que trabalham em período integral, o índice cai para 56%, mas segue sendo maioria.

As participantes deram notas de zero a 10 para os desafios da maternidade. O tempo para a vida pessoal teve média de 7,5 e ficou como o maior deles. Em seguida, vieram os cuidados com a própria saúde (7,2) e a conciliação com o trabalho (6,9). Na edição de 2019, o tempo para a vida pessoal havia recebido nota 7,8.

Sair de casa com o bebê também é um obstáculo. Do total, 56% saem para atividades de lazer com a criança ao menos uma vez por semana. Outras 23% fazem isso raramente e 5% não costumam sair. Entre as mães de bebês com menos de três meses, 26% não saem para atividades de lazer. A proporção cai para 1% entre as que têm filhos de 18 a 24 meses.

A dificuldade com transporte, horários, sono e alimentação é a barreira mais citada, por 60% das respondentes. Só 4% dizem não ter nenhuma dificuldade para sair. Ainda assim, 21% afirmam ir ao cinema regularmente com o bebê.

O estudo também registra o peso emocional desse período. Após o nascimento do bebê, 67% das mulheres disseram ter se sentido sobrecarregadas. Além disso, 16% receberam diagnóstico de ansiedade e 5%, de depressão pós-parto. Em relação aos amigos, 20% dizem se sentir pouco acolhidas e isoladas.

“O lazer é uma dimensão importante da qualidade de vida, mas muitas mulheres acabam abrindo mão dessas experiências depois da maternidade”, avalia Juliana Vanin, economista e consultora executiva da NOZ Inteligência. “Os dados mostram que o interesse continua existindo, mas nem sempre há tempo ou condições para transformar essa vontade em realidade.”

Quando perguntadas sobre o que as ajudaria a se aproximar de outras mães e pais, 74% apontaram atividades presenciais culturais e de lazer com bebês. Eventos presenciais sobre maternidade e paternidade foram citados por 58%.

O perfil das participantes ajuda a entender os resultados. A maioria mora em São Paulo (39,4%), é casada ou vive em união estável (80,5%) e tem ensino superior completo ou mais (65,5%).

Na conclusão, a NOZ Inteligência aponta um descompasso: a maternidade é valorizada socialmente, mas as mulheres contam com pouco apoio para vivê-la de forma equilibrada. Para a consultoria, isso torna urgente fortalecer redes de apoio e criar espaços onde essas mulheres possam existir para além do papel de mãe.

A pesquisa completa está disponível aqui.

Fonte: Mídia Ninja.

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