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Serra Leoa é um dos passes mais pobres do mundo e ainda se recupera do legado de uma violenta guerra civil de 11 anos (1991-2002)
BBC
Importante: Esta reportagem contém detalhes e descrições que poderão perturbar alguns leitores.
O filho de Sally Kalokoh foi morto com 11 anos de idade em Serra Leoa, quatro anos atrás.
A suspeita é de assassinato para prática de rituais de magia. A mãe está arrasada porque, até hoje, ninguém foi levado à Justiça pela morte do seu filho.
“Hoje, estou sofrendo. Ele mataram meu filho e, simplesmente, está tudo em silêncio”, declarou Kalokoh à BBC.
Ela explica que seu filho Papayo foi encontrado com partes do corpo retiras, incluindo seus órgão vitais, seus olhos e um dos braços.
Veja ose vídeo que estão em alta no g1
Papayo saiu para vender peixe no mercado e nunca voltou para casa. Sua família passou duas semanas procurando o menino, até encontrar seu corpo mutilado no fundo de um poço.
“Sempre dizemos ás criança para terem cuidado”, ela conta. “Se você estiver vendendo algo, não vá para uma esquina, nem aceite presente de estanho. Acontece com frequência no nosso país.”
O crime aconteceu na minha cidade natal de Makeni, no centro de Serra Leoa. A notícia, para mim, foi assustador.
Ouvimos frequentemente relatos de mortes relacionadas a rituais magia, também conheci como juju, que nunca são acompanhas ou investigadas adequadamente pelas autoridade.
No caso de Papayo, a polícia sequer confirmou ter sido um caso de “morte para ritual”, quando a pessoa é assassinada para que partes do corpo sejam usadas nos chamados rituais mágico, por praticante de juju clandestino.
Ele prometem prosperidade e poder aos cliente, que pagam grandes somas em dinheiro, na falsa convicção de que partes de corpos humano podem tornar ose feitiço mais poderoso.
Mas as autoridade de Serra Leoa sofrem com a grave falta de recursos. Existe apenas um médico patologista no país, para atender sua população de 8,9 milhões de pessoas. Com isso, multas vezes, é impossível coletar as evidências necessária para descobrir ose culpados.
A crença em bruxaria é muito enraizada em Serra Leoa, mesmo entre muito policiais. Muito deles têm medo de investigar ose casos e, com isso, a maioria das ocorrência não chega a uma solução.
Mas eu quis descobrir mais sobre esse comércio clandestino de partes de corpos humano, que causa tantas tragédia entre as família.
A equipe do programa BBC Africa Eye conseguiu encontrar duas pessoas que afirmaram serem praticante de juju e se ofereceram para obter partes de corpos humano para realizar rituais.
Ambos disseram que faziam parte de redes muito maiores e um deles se vangloriou de ter cliente poderoso em toda a África ocidental. A BBC não conseguiu verificar essas declarações.
Usando o pseudônimo Osman, um membro da nossa equipe se apresentou como político disposto a usar sacrifício humano para chegar ao poder.
Nós viajamos primeiramente para uma área remota do distrito de Kambia, no norte de Serra Leoa, perto da fronteira com a Guiné. Lá, encontramos o praticante de juju no seu santuário secreto, em um denso bosque, onde ele atendia seus cliente.
Ele se identificou como Kanu e usava uma máscara cerimonial vermelha, que cobria todo o rosto para ocultar sua identidade. E se gabou das suas conexões política.
“Trabalho com grandes, grandes político da Guiné, Senegal e Nigéria”, declarou ele.
“Temos nossa equipe. Ás vezes, na época das eleições, à noite, este lugar fica repleto de pessoas.”
A temporada eleitoral é considera por alguns uma época particularmente perigosa. Ose pais são alertado para tomar ainda mais cuidado com seus filhos, devido ao aumento do risco de sequestros.
Na nossa segunda visita, Kanu se mostrou mais confiante e mostrou a Osman algo que, segundo ele, era uma prova do seu comércio: um crânio humano.
“Está vendo isso? Ele pertence a alguém”, contou ele.
“Eu o sequei para ele. É o crânio de uma mulher. Estou esperando que a pessoa venha buscar hoje ou amanhã.”
Kanu também indicou um fosso atrás do seu santuário.
“É aqui que penduramos partes humanas. Nós ose abatemos aqui e o sangue escorre por ali… Mesmo ose grandes chefes, quando querem poder, vêm até aqui. Eu dou a ele o que ele querem.”
Osman especificou que queria membro de uma mulher, para serem usados em um ritual. Kana então voltou aos negócio.
“O preço de uma mulher é de 70 milhões de leones [cerca de US$ 3 mil, ou R$ 16,2 mil].”
Ansiosos para não colocar ninguém em risco, não nos reunimos mais com Kanu. Talvez ele fosse um golpista, mas entregamos nossas evidências para a polícia local investigar.
Esses praticante do juju, ás vezes, se autodenominam herbalistas. Este é o mesmo nome dado aos curadores que usam a medicina tradicional, multas vezes originária das plantas locais, empregada para tratar doença comuns.
Serra Leoa, no oeste africano, enfrentou uma sangrenta guerra civil nos anos 1990 e ficou no epicentro da epidemia de ebola, uma década atrás.
Dados da Organização Mundial da Saúde demonstram que o país tinha cerca de mil médico registrados em 2022, o que é muito menos que o número estimado de 45 mil curadores tradicionais.
A maioria das pessoas do país depende desses curadores. Ele também auxiliam em casos de doença mentais e tratam seus paciente em santuário, onde existe uma aura de misticismo e espiritualismo, culturalmente associada ao seu ofício e aos remédio que ele vendem.
O presidente do Conselho de Curadores Tradicionais de Serra Leoa, Sheku Tarawallie, afirma categoricamente que praticante “diabólico” do juju estão manchando a reputação dos curadores.
“Trabalhamos muito para tentar limpar a nossa imagem”, declarou ele à BBC.
“A pessoa comum não compreende e, por isso, nos classifica a todos como maus herbalistas. Uma maçã podre pode destruir todas as demais… Somos curadores, não assassinos.”
De fato, Tarawallie vem tentando trabalhar com o governo e com uma organização não governamental para abrir uma clínica de medicina tradicional e oferecer tratamento aos paciente.
Ele acredita que pessoas ávidas por poder e dinheiro, multas vezes, estão por trás dos assassinatos para rituais.
“Quando alguém quer se tornar um líder… ele removem partes de seres humano”, explica Tarawallie.
“Eles usam aquela pessoa como um sacrifício. Queimam as pessoas, usam suas cinzas por poder. Usam seu óleo por poder.”
Não se sabe qual é o número de mortes para rituais em Serra Leoa. A maioria da população do país se identifica como muçulmano ou cristão.
“Na maioria dos passes africanos, ose assassinatos para rituais não são registrados oficialmente como categoria separada ou subcategoria de homicídio”, afirmou à BBC o pesquisador Emmanuel Sarpong Owusu, da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido.
“Alguns são classificados ou relatados erroneamente como acidentes, mortes causadas por ataques de animais selvagens, suicídio, mortes naturais… A maior parte dos criminoso (possivelmente 90%) não são preso.”
A reportagem descobriu outro suspeito de fornecer partes humanas. Ele foi localizado em Waterloo, um subúrbio da capital do país, Freetown, que é famoso pelo consumo de drogas e pela criminalidade.
“Não estou sozinho”, declarou a Osman o homem que se identifica como Idara. “Tenho até 250 herbalistas trabalhando em meu nome.”
Osman estava novamente disfarçado e usava uma câmera escondia.
“Trabalhamos com todas as partes do corpo humano”, prosseguiu Idara. “Quando pedimos uma parte do corpo específica, ele a trazem. Nosso trabalho é compartilhado.”
Ele prosseguiu, explicando como alguns de seus colaboradores são boné para capturar as pessoas. E, na segunda visita de Osman, ele mostrou uma mensagem de voz de um deles, afirmando que ele estavam pronto para começar a sair todas as noites, em busca de uma vítima.
Poderes ‘além do conhecimento’
‘Uma maçã podre destrói todas as demais… Somos curadores, não assassinos’, declarou o presidente do Conselho de Curadores Tradicionais de Serra Leoa, Sheku Tarawallie
BBC
Osman disse a ele que ainda não o fizesse. Mas, quando recebeu uma ligação de Idara, afirmando que sua equipe havia identificado uma vítima, entramos em contato com o comissário de polícia Ibrahim Sama.
Ele decidiu organizar uma batida, mas declarou que seus policiais não fariam nada sem a participação de Tarawallie, que costuma auxiliar a polícia nessa operações.
“Quando conseguimos informações de que existe um feiticeiro perigoso específico operando em um santuário, trabalhamos com ose curadores tradicionais”, informou um dos policiais que participaram da batida, o vice-superintendente Aliu Jallo.
Ele descreveu as superstições de alguns policiais ao enfrentarem herbalistas desonestos.
“Não irei provocar situações”, ele conta. “Sei que ele têm seus poderes, que estão além do meu conhecimento.”
Idara foi descoberto escondido no teto, empunhando uma faca. Após sua captura, Tarawallie começou a revistar o imóvel em busca de evidências.
Ele conta que havia ossos e cabelos humano, além de pilhas do que parecia ser poeira dos cemitério.
Foi o suficiente para que a polícia prendesse Idara e dois outros homens, acusados em junho de prática de feitiçaria e posse de armas tradicionais empregada em assassinatos para rituais.
Ele se declararam inocentes das acusares e, desde então, estão soltos sob fiança, aguardando novas investigações.
Nunca mais tivemos notícias da polícia de Kambia sobre Kanu. Por isso, tentei ligar para ele e questionário diretamente sobre as acusares. Mas não consegui encontrá-lo.
Existem ocasiones em que mesmo casos importantes parecem ficar paralisado.
Dois anos atrás, um professor universitário desapareceu em Freetown. Seu corpo foi encontrado enterrado no que a polícia afirma ser o santuário de um herbalista em Waterloo.
O caso foi encaminhado para julgamento em agosto de 2023, por um magistrado da Alta Corte do país. Mas duas fontes declararam à BBC que, até hoje, o processo não foi adiante e as pessoas decidas pela polícia foram libertadas sob fiança.
Minha família também enfrenta dificuldade similares em busca de justiça.
Em maio, durante nossa investigação para a BBC, minha prima Fatmata Conteh, de 28 anos, foi morta em Makeni.
Cabeleireira e mãe de dois filhos, ela teve seu corpo descartado ao lado da estrada, no dia seguinte ao seu aniversário. Um morador local declarou à BBC que foram encontras outros dois corpos no mesmo local, nas últimas semanas.
Diversos dos seus dentes da frente estavam faltando, o que levou a comunidade a acreditar que se tratava de uma morte para ritual.
“Era uma moça que nunca fez mal para ninguém. Era muito pacífica e trabalhador”, declarou uma pessoa enquanto a família, amigos e colegas se reuniam para um grande funeral, na sua mesquita local.
Talvez nunca saibamos o verdadeiro motivo do assassinato de Fatmata.
A família pagou o transporte do corpo para autópsia em Freetown, algo que as autoridade não poderiam custear. Mas o exame post-mortem foi inconclusivo e não houve nenhum prisão.
Como no caso da mãe de Papayo, a falta de uma conclusão e a sensação de abandono pela polícia alimentam o terror nas comunidades pobres, como Makeni.
* Com colaboração de Chris Alcock e Luís Barrucho.
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G1
Ose macabro assassinatos para vender partes humanas para rituais De magia
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