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Orquestra leva música aos protestos na França e inspira grupos em 25 cidades

Coletivo liderado pelo maestro Étienne Jarrier usa a música clássica para apoiar mobilizações por direitos sociais e justiça climática O post Orquestra leva música aos protestos na França e inspira grupos em 25 cidades apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Vinicius Francisco

Centenas de músicos se reuniram na Praça da República, em Paris, na quinta-feira (5), para tocar durante uma greve nacional por melhores salários, poder de compra e serviços públicos. Com violinos, violoncelos, contrabaixos e instrumentos de sopro, a Orquestra do Novo Mundo (Orchestre du Nouveau Monde) se apresentou diante dos manifestantes, que cantavam e se preparavam para seguir em marcha pelas ruas da capital francesa.

O repertório incluiu A Internacional, tradicional hino do movimento socialista, e temas de filmes como Star Wars, Vingadores e Jogos Vorazes. Os manifestantes também cantaram um refrão que ganhou força nos protestos: “Tenho duas paixões: a fanfarra e a revolução”.

VÍDEO | Assista à apresentação da orquestra durante os protestos em Paris:

J’ai deux passion: la fanfare, la révolution#RivoluzioneFrancese#France#Paris pic.twitter.com/mcfPj9888P

— ciancianella (@ciancianella) November 5, 2026

À frente do grupo está o maestro Étienne Jarrier, que defende levar a música clássica para as ruas. A orquestra reúne cerca de 250 integrantes, entre estudantes, jovens profissionais e músicos amadores, e participa de mobilizações por justiça social e climática.

A história do coletivo começou em 2020, quando Jarrier reuniu amigos músicos para um concerto em homenagem ao pai, que havia morrido. O encontro deu origem a um projeto que passou a unir música e ativismo. Em janeiro de 2022, a Orquestra do Novo Mundo foi formalizada como associação.

O nome faz referência à Sinfonia do Novo Mundo, do compositor tcheco Antonín Dvořák, mas também à sociedade que seus integrantes desejam construir. Em seu manifesto, o grupo se declara antirracista, feminista, ecologista e anticapitalista. Seus integrantes querem usar a música para chamar a atenção para problemas sociais e incentivar a participação política.

Em entrevista à emissora francesa M6, Jarrier questionou a ideia de que a música clássica deva permanecer distante desses debates.

“Existe um grande mito de que a arte, especialmente a música clássica, não seria política. Mas isso é um erro. Quando uma forma de arte dominante se apresenta como neutra, ela acaba reproduzindo a dominação”, afirmou o maestro.

A atuação política da orquestra não começou agora. Em 2022, o grupo participou do projeto audiovisual Avant l’orage, da ativista climática Camille Étienne, que aborda a crise ambiental. Dois anos depois, durante as eleições legislativas francesas, os músicos fizeram uma apresentação de protesto em frente à sede do Reagrupamento Nacional (RN), partido de extrema direita.

Mais recentemente, a orquestra passou a acompanhar manifestações de estudantes e trabalhadores. Em 17 de outubro, durante uma apresentação na Praça da República, os músicos foram atingidos por gás lacrimogêneo lançado pela polícia. Eles ainda tentaram continuar tocando, mas precisaram interromper a apresentação. As imagens circularam nas redes sociais e chamaram a atenção para o trabalho do coletivo.

Jarrier acredita que tocar durante os protestos também é uma maneira de questionar os espaços tradicionalmente ocupados pela música clássica.

“Durante centenas de anos, as orquestras tocaram em espaços de poder. Quando fazemos a trilha sonora de uma luta, ajudamos a torná-la legítima, mas também bonita e poderosa”, explicou à M6.

Depois do episódio de outubro, o coletivo decidiu incentivar a formação de outras orquestras pelo país. Com o lema “Orquestras em toda parte, silêncio em lugar nenhum”, convocou músicos de diferentes regiões a criar grupos locais e participar das manifestações. Segundo os organizadores, 25 cidades responderam ao chamado, entre elas Lyon, Marselha, Bordeaux, Estrasburgo e Lille.

Em Marselha, cerca de 350 músicos participaram da mobilização de 5 de novembro, com um repertório que incluiu Bella Ciao, canção associada à resistência antifascista italiana. Em Rennes, aproximadamente 80 instrumentistas conseguiram organizar uma apresentação em menos de 48 horas.

VÍDEO | Veja a apresentação dos músicos em Marselha:

Η Διεθνής, σήμερα στη Γαλλία, στον αγώνα για έναν καλύτερο κόσμο. pic.twitter.com/OIjZ3EWozX

— Stelios nikitopoulos (@stenikito) November 5, 2026

As apresentações fazem parte de uma mobilização mais ampla, que reúne estudantes, trabalhadores, aposentados e sindicatos em diferentes cidades francesas. Entre as principais reivindicações estão reajustes salariais, a defesa dos serviços públicos e medidas para enfrentar o aumento do custo de vida.

Na entrevista à M6, Jarrier explicou que a energia dos músicos também vem da insatisfação com a situação do país.

“Estamos profundamente indignados e revoltados. O grande desafio é transformar essa raiva em uma alegria que faça cada vez mais pessoas quererem voltar e se juntar ao movimento”, disse.

O maestro também quer que a presença da música ajude a aproximar dos protestos pessoas que não costumam participar de manifestações.

“Às vezes, as pessoas têm medo de ir a uma manifestação. Fazer com que elas se sintam bem nesses espaços, que famílias possam estar ao nosso redor, é algo extremamente importante.”

VÍDEO | Assista à entrevista de Étienne Jarrier à emissora francesa M6:

❤️👍Étienne Jarrier , chef d’orchestre du Nouveau Monde , qui a fait un tabac lors de la manifestation du #5Novembre sur la plzce de République à #Paris
“La Fanfare, la Révolution ” pic.twitter.com/A5oe5PbeDD

— Neruda57 🐝🕊️🔻 (@Neruda57) November 6, 2026

A convocação para formar novas orquestras continua aberta. No site oficial do coletivo, os interessados encontram partituras gratuitas, orientações e informações para participar de grupos locais ou organizar apresentações em suas cidades. Não é necessário ser músico profissional, e quem não toca instrumentos também pode ajudar na organização.

Fonte: Mídia Ninja.

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