
Começa a apuração na Hungria em eleição que decide futuro de Orbán
Viktor Orbán admite derrota na Hungria: “Resultado da eleição é claro e doloroso”, afirmou, em discurso a apoiadores neste domingo (12).
O partido de oposição Tisza, da Hungria, é projetado para conquistar 135 cadeiras no Parlamento de 199 assentos, com 45,71% dos votos apurados, segundo projeções oficiais. O resultado põe fim aos 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán.
Orbán, líder do partido Fidesz e um dos principais nomes da direita nacionalista na Europa, vê sua legenda ficar com 57 cadeiras no cenário atual, enquanto o Mi Hazánk teria 7 assentos, de acordo com o órgão eleitoral nacional (NVI).
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As urnas para as eleições na Hungria foram fechadas às 14h deste domingo (12) no horário de Brasília (19h no horário local). O pleito, considerado o mais importante da Europa neste ano, registrou uma participação recorde de 66% dos eleitores.
Com o avanço da apuração, o líder da oposição, Péter Magyar, afirmou que o primeiro-ministro Viktor Orbán o parabenizou pela vitória nas eleições.
▶️ Contexto: Orbán é um dos principais nomes da extrema direita atual. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo.
O partido de Orbán, o Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma “democracia cristã iliberal”.
As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+.
Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular.
A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos.
Viktor Orban e Peter Magyar votam na Hungria
AP/Petr David Josek e AP/Denes Erdos
Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados.
Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço.
Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza.
O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido.
Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal.
O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que “enfrenta o sistema”.
O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes colocam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán.
Uma estimativa baseada em cinco pesquisas de opinião realizadas entre fevereiro e março indica que o Tisza pode conquistar entre 138 e 142 das 199 cadeiras do Parlamento.
Com esse número, o partido da oposição alcançaria dois terços das cadeiras e poderia promover reformas constitucionais.
O Fidesz, de Orbán, deve conquistar entre 49 e 55 cadeiras. Já outro partido de extrema direita, conhecido como Mi Hazank, deve obter cinco ou seis assentos.
Eleições na Hungria
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G1
Orbán admite derrota na Hungria: 'Resultado da eleição é claro e doloroso'
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