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Onda azul nos EUA: democratas conquistam Congresso e podem tornar a vida de Trump um inferno até 2028

A alta do custo de vida, a guerra contra o Irã e a rejeição às políticas migratórias impulsionaram uma onda de insatisfação que mudou o cenário do país. O post Onda azul nos EUA: democratas conquistam Congresso e podem tornar a vida de Trump um inferno até 2028 apareceu primeiro em Mídia NINJA.

A chamada “onda azul” superou as projeções eleitorais e mudou o equilíbrio de forças em Washington. A insatisfação com o custo de vida, a guerra contra o Irã e as políticas do governo republicano impulsionaram a oposição, que agora terá maior poder para conter a agenda de Donald Trump.

O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3), impondo uma das maiores derrotas políticas ao presidente Donald Trump nas últimas décadas. Com a apuração ainda em andamento, os democratas garantiram 228 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, contra 139 dos republicanos, e pelo menos 54 dos 100 assentos do Senado.

A vitória, impulsionada por uma mobilização eleitoral superior às expectativas, altera o equilíbrio político em Washington e representa um obstáculo para os dois últimos anos do segundo mandato de Trump. A chamada “onda azul”, como ficou conhecida a expansão democrata pelo país, alcançou inclusive estados tradicionalmente republicanos.

Diante do resultado, Trump tentou minimizar a derrota. Em sua rede social, afirmou que seu nome não estava nas cédulas e que, caso estivesse, os republicanos teriam vencido com ampla vantagem. Horas depois, em entrevista ao The New York Times, declarou estar “absolutamente disposto” a aceitar os resultados e trabalhar com a oposição.

Democratas avançam em redutos republicanos

A dimensão da vitória democrata surpreendeu até mesmo analistas que já projetavam perdas para o partido governista.

No Texas, estado historicamente conservador, James Talarico, de 37 anos, conquistou uma cadeira no Senado, tornando-se o primeiro democrata eleito para o cargo pelo estado em quase quatro décadas. Seu adversário, o republicano Ken Paxton, recebeu apoio financeiro expressivo do empresário Elon Musk.

Outras vitórias importantes ocorreram em Ohio, onde Sherrod Brown derrotou Jon Husted; no Kansas, com Adam Hamilton superando Roger Marshall; e em Iowa, onde Josh Turek venceu Ashley Hinson.

Na Carolina do Sul, Annie Andrews conquistou uma cadeira que os democratas não venciam desde 1998. Já na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper derrotou Michael Whatley, candidato apoiado por Trump.

A eleição também abriu espaço para representantes de grupos historicamente sub-representados. Em New Hampshire, Chris Pappas se tornou o primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado norte-americano. Em Michigan, Abdul El-Sayed conquistou uma cadeira e se tornou o primeiro senador muçulmano da história do país.

Custo de vida e guerra contra o Irã pesaram nas urnas

O desgaste de Trump foi impulsionado principalmente pela insatisfação econômica.

O aumento dos preços dos combustíveis, dos alimentos e da moradia afetou o poder de compra das famílias, enquanto as tarifas comerciais impostas pelo governo republicano e os impactos da guerra contra o Irã ampliaram as críticas à política econômica da Casa Branca.

O conflito iniciado em fevereiro elevou os custos da energia e pressionou a inflação, transformando a economia em um dos principais temas da campanha.

A política externa também entrou no centro da disputa. A aliança de Washington com Israel e o apoio militar norte-americano foram questionados por setores do eleitorado, especialmente em estados como Michigan.

Durante a votação, Trump afirmou que pretendia interromper a ajuda anual de US$ 3,8 bilhões destinada a Israel, embora não tenha explicado como poderia suspender os repasses previstos em legislação vigente até 2028. A declaração ocorreu em meio ao crescimento das críticas à política internacional de seu governo.

Uma derrota que muda os rumos do governo Trump

O resultado representa uma das maiores derrotas eleitorais de um presidente norte-americano desde as eleições legislativas de 1974, realizadas após o escândalo de Watergate, que provocou a renúncia de Richard Nixon.

Com o controle da Câmara e do Senado, os democratas passam a ter maior capacidade de bloquear iniciativas do Executivo, fiscalizar o governo e abrir investigações parlamentares.

O ex-presidente Barack Obama comemorou o resultado e afirmou que os norte-americanos enviaram uma mensagem clara nas urnas. Segundo ele, o desafio agora é promover mudanças, impedir novos retrocessos e preparar o terreno para o futuro.

A votação também foi marcada por falhas em equipamentos eleitorais em estados como Geórgia, Iowa, Mississippi e Nova York, que provocaram atrasos pontuais.

O Departamento de Justiça mobilizou cerca de mil fiscais e observadores eleitorais nos 50 estados, medida criticada por democratas, que alertaram para possíveis tentativas de intimidação de eleitores.

Apesar dos incidentes, não foram apresentados elementos que indicassem comprometimento generalizado dos resultados.

A vitória democrata acontece em um momento de crescente rejeição ao governo Trump e de mobilização de setores sociais contrários às políticas migratórias, ao aumento do custo de vida e à agenda internacional da Casa Branca.

Com a maioria nas duas Casas do Congresso, os democratas passam a ocupar uma posição central na disputa pelos rumos dos Estados Unidos, enquanto Trump enfrenta um cenário político muito mais adverso para a segunda metade de seu mandato.

Fontes: Folha de S.Paulo (4/11/2026), reportagem de Isabella Menon, Mayara Paixão e Gabriel Barnabé; The New York Times; Reuters; Pew Research Center.

Fonte: Mídia Ninja.

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