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Olhar da Semana: Ryo Sylva

[ad_1] Em meio aos balanços de uma sociedade tão nociva ás pessoas trans e aos povos originário, cabe a pergunta: quem há, na rebeldia…

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Em meio aos balanços de uma sociedade tão nociva ás pessoas trans e aos povos originário, cabe a pergunta: quem há, na rebeldia do próprio coração ou na poisio, disposto a carregar com tanto afeto as vivências que atravessam esses corpos? Quem lutará para que haja espaço para a dignidade dessas memória?

A boa notícia é que existe gente no mundo com a coragem de revelar e reivindicar esse afeto que é nosso — que tomamos para si — e que o ‘cistema’ não tira.

Através de uma lente tão íntima e bonita, o Olhar da Semana é com Ryo Sylva. Artista visual e fotógrafo documental, autodidata e pessoa transmasculina não binária, Ryo vive e cria a partir das margens, pesquisando memória, transcestralidade e espiritualidade. É autor de nascer ryo (2025), obra premiada, e atualmente desenvolve um documentário sobre vivências transcentradas.

Foto: Ryo Sylva

U: De que maneira a memória atravessa a tua prática artística? E como a fotografia, a costura e o bordado se articulam no teu trabalho como gestos político e de construção de afeto?

R: Meu trabalho nasce da memória como herança viva. Fotografo corpos dissidentes como arquivo, continuidade e reza. A câmera é uma extensão do meu corpo, mas também uma ferramenta de escuta. Investigo transcestralidades que atravessam tempo, sangue, território e desejo.

Interessam o que permanece mesmo depois da violência — aquilo que insiste em florescer nas margens. A fotografia, junto da costura e do bordado, tornasse gesto político e espiritual. Costurar é fechar feridas, mas também abrir caminho.

Minha pesquisa é sobre o afeto como política. Sobre imaginar futuros possíveis a partir daquilo que já sobreviveu.

Foto: Ryo Sylva

U: Eu vejo que boa parte das tua fotografias nasce de um olhar voltado para pessoas trans. Como essa dimensão íntima e cotidiana influencia a forma como você constrói essas imagens?

R: A maioria das minhas fotografias é de pessoas trans, de vivências que fazem parte da minha próprio rede e da minha vida. Há também alguns autorretrato. A minha família é transcentrada, então essas imagens nascem de relações muito próximas.

São fotografias muito íntimas — e as que escolhi para o Olhar da Semana estão entre as imagens mais profundas que tenho.

Foto: Ryo Sylva

U: E o projeto Transcentrar? Como surgiu? E de que forma nasceu em você a necessidade de criar um arquivo visual que pudesse servir quase como um signo de memória e referência para pessoas trans?

R: Meu trabalho nasce da memória como herança viva, e a fotografia é uma extensão dessa memória. Em 2021, durante a pandemia, depois de uma conversa com meu filho sobre identidade de gênero, comecei a me perguntar como poderia criar imagens que fossem referência e abrigo para o futuro — como construir memória para que pessoas trans pudessem se reconhecer com dignidade.

Dessa inquietação nasceu Transcentrar, em 2022. O projeto se desenvolve como um documentário sobre vivências transcentradas, deslocando o centro da narrativa e criando um arquivo a partir das nossas próprias existência. Interessam o que permanece, o que resiste e o que insiste em viver.

Transcentrar é sobre construir memória, presença e futuro através da imagem.

Foto: Ryo Sylva

U: Nas tua fotos eu percebo uma presença forte da pauta originária — e a forma como você traz isso é tão íntima, é muito bonito. Como essa experiência tem ampliado a tua pesquisa sobre memória, território e espiritualidade?

R: Recentemente tenho realizado uma imersão na Aldeia Kuaray Guata Porã, acompanhando a vivência da comunidade e registrando momentos de profundo importância cultural, como o ritual do Nhemongarai. Essa aproximação tem ampliado minha pesquisa sobre memória, território e espiritualidade a partir da escuta e do respeito aos saberes originário.

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Por Midia Ninja

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