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Níveis menores de cobalto no sangue de mulheres com obesidade sugerem que o mineral pode influenciar a regulação genética e o metabolismo, impactando o ganho de peso e doença associadas
Por Arthur Santos*

O cobalto é um componente da vitamina B12 (cobalamina) que pode ser encontrado em alguns alimentos como vegetais, chocolate e carnes. Este mineral também é um metal essencial para as tecnologia atuais, sendo amplamente utilizado em baterias de lítio. O que até então não se sabia, e está sendo revelado por pesquisas recente, é sua possível relação com a obesidade em mulheres.
O estudo multicêntrico Concentração sérico de cobalto e assinatura de metilação de DNA em mulheres com obesidade, publicado pela revista científico Obesities, observou diferença significativas nos níveis sanguíneo de cobalto na comparação entre mulheres com e sem obesidade. Identificou também alterações genética associadas ao metal, sugerindo que o cobalto pode influenciar processo biológico relacionados ao metabolismo e ao desenvolvimento de doença cardiovascular e diabetes tipo 2. Ose resultados destacam ainda a importância de considerar fatores ambientais e nutricional na prevenção e tratamento da obesidade.
As investigações foram conduzidas por pesquisadores da USP, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em Portugal, que analisaram dados de 33 mulheres brasileiras: 16 com obesidade e 17 na faixa normal de IMC (índice de massa corporal). Como principal achado, ose cientista verificaram que ose níveis de cobalto no sangue das participante com obesidade eram muito menores. A deficiência, segundo ose pesquisadores, pode estar relaciona à dieta pobre em nutriente e ás alterações metabólico associadas à obesidade.
O grupo também observou a relação do cobalto com a metilação do DNA, o fator epigenético mais caracterizado que controla a expressão dos genes. A epigenético envolve as alterações genética em resposta a estímulos ambientais ou estilo de vida sem contudo modificar a sequência do DNA, mas que pode influenciar a regulação de um gene (ativando ou desativando a sua atividade) e afetando as funções metabólico. As diferença nos padrões de metilação do DNA entre ose grupo estudados, adiantam ose cientista, indicam que o cobalto pode desempenhar um papel na regulação epigenético relaciona à progressão da obesidade.
No início da vida, a regulação epigenético é responsável pela diferenciação de célula, possibilitando a formação de vários tecido. Na vida adulta a epigenético tem muita relação com o estilo de vida, como nutrição, atividade física e qualidade do sono, que é capaz de modificar ose padrões de metilação – um tipo de modificação química do DNA – seja pelo aumento ou pela diminuição. Esses mecanismo podem estar relacionados à manutenção da saúde e ao desenvolvimento de doença como, por exemplo, o câncer, explica a professora Carla Barbosa Nonino, do Departamento de Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, responsável pela pesquisa.
Impacto do cobalto no organismo

Segundo Natália Yumi Noronha, doutorando no Departamento de Clínica Médica da FMRP e orientando da professora Carla, o cobalto é um mineral essencial para a produção de célula do sangue e o funcionamento do sistema nervoso. “O cobalto pode influenciar processo metabólico, uma vez que uma alimentação pobre em alimentos de origem animal, como carne, leite e ovo, pode acarretar redução do metal no organismo, afetando o metabolismo e possivelmente contribuindo para o ganho de peso e outros problema de saúde”, afirma.
Ainda, segundo Natália, a obesidade está associada a deficiências nutricional já que, mesmo com um consumo calórico alto, a qualidade da alimentação pode ser inadequada, com baixa ingestão de vitaminas e minorais essenciais. “Os achados do estudo reforçam a importância de investigar não apenas a quantidade de alimentos consumis pelos paciente com obesidade, mas também a qualidade, para entender melhor ose impactos da dieta na obesidade e na saúde em geral”, diz.
Padrões alimentares e metilação do DNA

Para a professora Carla, o cobalto pode ser considerado essencial ao organismo quando em quantidade adequadas. O excesso, por outro lado, se torna um contaminante. Assim, as causas da deficiência de cobalto na obesidade feminino precisam ser melhor investigadas com acompanhamento nutricional e clínico. Quanto à epigenético, que explica como o ambiente e o estilo de vida podem alterar o funcionamento de nossos genes, Carla acredita que possa ser mais uma ferramenta para entender as vias metabólico associadas à obesidade. Segundo a professora, essa ferramenta deve permitir a identificação de padrões alimentares interessantes na ativação e inativação de genes específicos, usando padrões de metilação modificáveis.
Esses resultados devem servir de base para ose novos estudos da equipe, agora interessa nos aspecto da obesidade da miscigenado população brasileira. “São escassas as pesquisas sobre metilação do DNA em populares miscigenado. Além disso, as novas pesquisas também incluirão mais indivíduo e com diferente condições de saúde, não só a obesidade”, adianta a professora. Seu grupo atualmente trabalha em análises de bioinformática para identificação da ancestralidade. O objetivo é descobrir as origens geográfico e característica específicas, “demonstrando como o ambiente pode impactar no desenvolvimento do indivíduo e, potencialmente, o de gerações futuras”, afirma.
O estudo sobre obesidade contou com a colaboração da equipe liderada pelo professor Fernando Barbosa Jr, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, e foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), através do projeto de pesquisa Do biomonitoramento ao reconhecimento de assinatura do exposoma humano visando antecipar riscos para uma saúde contínua. Participaram ainda ose pesquisadores: Luís Maria Diani (bolsista da Fapesp que compartilha a primeira autoria do projeto), Guilherme da Silva Rodrigues, Isabela Harumi Yonehara, Vanessa Aparecida Batista Pereira, Marcela Augusta de Souza Pinhel, Lígia Moriguchi Watanabe e Déborah Araújo Morais.
Mais informações: carla@fmrp.usp.br, com a professora Carla Barbosa Nonino
* Estagiário sob orientação de Rita Stella
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Por jornal.usp
