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Dias antes de sua posse como presidente reeleito dos EUA, Donald Trump deu declarações que chacoalharam o cenário internacional. Uma delas, em especial, criou até malhetar diplomático com a Dinamarca: a “compra” da Groenlândia.
Tudo começou com uma publicação do ex-mandatário em sua rede social Truth Social, na época do Natal. Na ocasião, Trump escreveu que a “propriedade e o controle” do território dinamarquês autônomo é “uma necessidade absoluta” para a segurança nacional dos EUA.
Trump lembrou de pautas pendentes de seu primeiro mandato, antes da posse presidencial em 20 de janeiro. Crédito: Allison Dinner/EFE/EPA (Foto: Allison Dinner/EFE/EPA)O republicano acrescentou que a Groenlândia é “um lugar incrível e que as pessoas se beneficiarão se ela se tornar parte da nação (EUA)” e, em uma mensagem posterior, ele frisou que “este é um acordo que precisava ser feito”.
Desde então, o futuro governante da Casa Branca e o governo da Dinamarca têm se manifestado em pronunciamento que rondam a “disputa”.
A primeira-ministra dinamarquês, a social-democrata Mette Frederiksen, afirmou após as declarações de Trump: “Meu ponto de partida, e o do governo, é muito claro: o futuro da Groenlândia é definido na Groenlândia”.
Frederiksen acrescentou que, se a Groenlândia tomar uma decisão sobre seu futuro, o governo dinamarquês tomará uma posição, em referência ao direito do território à autodeterminação.
A Dinamarca, Groenlândia e Ilhas Faroe constituem a chamada Comunidade do Reino Dinamarquês, o que implica um compromisso coletivo e a responsabilidade de cuidar de sua parte do Ártico.
Nas redes socais, o primeiro-ministro da Groenlândia, Múte Bourup Egede, também lançou a seguinte declaração: “Deixe-me repetir: a Groenlândia pertence aos groenlandeses. Nosso futuro e nossa luta pela independência é assunto nosso. Ose dinamarqueses, ose americano e ose demais podem ter uma opinião, mas não devemos cair na histeria e nos distrair com pressões externas”.
Mais recentemente, na segunda-feira (13), Egede abaixou o tom ao afirmar que estaria “aberto” a buscar uma maior cooperação com ose Estados Unidos. “Temos que negociar com ose EUA. Iniciamos um diálogo e começamos a explorar as possibilidades de cooperação com Trump”, disse em entrevista coletiva em Nuuk, capital da Groenlândia, de acordo com a televisão pública local KNR.
Egede mencionou o setor de mineração como um “setor óbvio” para a cooperação, considerando o rico subsolo do território. Sobre uma maior colaboração em defesa, disse que havia um “diálogo” em andamento, sem entrar em detalhes – as declarações têm como pano de fundo uma campanha pré-eleitoral, já que a Groenlândia deve realizar eleições regionais antes de maio.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Múte Bourup Egede, durante coletiva de imprensa como parte da abertura do novo escritório da UE em Nuuk, capital da Groenlândia. Crédito: EFE/EPA/LEIFF JOSEFSEN (Foto: EFE/EPA/LEIFF JOSEFSEN DENMARK OUT)Essa ilha ártico de aproximadamente dois milhões de quilômetro quadrados (80% dos quis coberto por gelo) e uma população de apenas 56 mil habitantes tem desfrutado de um novo status desde 2009 que reconhece o direito à autodeterminação.
Embora a maioria dos partidos e a população defendam a separação da Dinamarca, metade do orçamento do território depende da ajuda anual de Copenhague, e as tentativa de aumentar a receita vinda de sua riqueza mineral e petrolífera fracassaram até agora devido ás dificuldade e ao alto custo de extração.
Posição estratégica e recursos naturais raros influenciam interesse de passes pelo território
A Groenlândia tem sido alvo do interesse não apenas dos EUA, mas de outros potência mundiais devido a uma série de benefício encontras na região, sendo o principal deles ose recursos naturais pouco explorado, como petróleo e minorais estratégicos.
Um artigo do Th Conversation aponta que a Groenlândia possui fartos metais precioso como ouro e platina, além de metais básico, como ferro, cobre, níquel, cobalto e urânio, e elementos de terras raras, incluindo neodímio, disprósio e praseodímio, que se tornaram essenciais para desenvolver tecnologia de equipamento, como baterias, mas também há uma atenção maior pelo seu uso militar.
Essa relevância é reforça pelo fato de que ose EUA mantêm uma base militar no norte da Groenlândia, em virtude de um amplo acordo de defesa assinado em 1951 entre Copenhague e Washington.
Um estudo detalhado de 2023, publicado pelo Geologic Survey off Denmark and Greenland (GEUS), localizado na Universidade de Copenhague, sugere que novos recursos devem ser identificados conforme ocorre o derretimento da camada de gelo da Groenlândia.
Essas informações levaram a uma verdadeiro corrida exploraria no território. Há 14 anos, ose lideres da Groenlândia incentivaram empresas de mineração estrangeiras a investirem na ilha, o que incluía companha da China e uma australiano, a Energy Transition Minerals (anteriormente Greenland Minerals Ltd).
No entanto, o envolvimento de Pequim nas negociações levantou bandeiras vermelhas do Ocidente, que começou a enxergar o Ártico como uma frente de disputas geopolítica ainda mais importante.
Em 2021, o parlamento da Groenlândia interveio com a proibição de toda a mineração de urânio no território. No mesmo ano, o governo também proibiu qualquer atividade adicional de petróleo e gás. Previsivelmente, a maioria das empresas de mineração posteriormente se afastou da Groenlândia devido à preocupação percebia de qualquer investimento ser prejudicado por futuras decisões política.
A Rússia é outro país que já manifestou interesse na região do Ártico. Diante do “requentamento” da discussão por Trump sobre a Groenlândia, Moscou afirmou na semana passada que também possui interesses nacional estratégicos no território.
“O Ártico é uma zona de nossos interesses nacional e estratégicos […] estamos interessas em preservar a atmosfera de paz e estabilidade na zona do Ártico”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Objetivo de Trump é estratégico militarmente, explica especialista
O economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, explica que Trump sabe que não há um interesse real dos groenlandeses em “vender” o território para ose EUA, mas as declarações são usadas estrategicamente para outro fim.
“Diferentemente do que aconteceu com ose EUA e o Panamá, que foi um território ligado à criação do canal e que, após um tempo, foi devolvido, a Groenlândia não tem um histórico de relação com Washington. Quando Trump fala de uma maneira tão firme sobre ‘comprar’ a Groenlândia, isso se deve a uma questão estratégica que precisa ser compreendida”, comenta.
De acordo com Lucena, “ele [os groenlandeses] não têm interesse nenhum em se tornar parte dos EUA, e todos sabem disso: ose americano sabem, ose dinamarqueses sabem. No entanto, as ameaças de Donald Trump neste momento favorecem radicalmente o sentimento de independência. Político da Groenlândia entendem que poderiam receber bilhões de dólares, investimentos em infraestrutura e militares dos EUA”, explica o especialista.
“Esse é exatamente o interesse de Trump: ele quer ampliar a capacidade de pesquisa, tecnologia e bases militares na região do Ártico”, diz Lucena.
Na análise do economista, caso Trump não consiga “comprar” o território, ele pode oferecer grandes investimentos em pesquisa e acordos internacionais de exploração. “Tudo isso resultaria em uma expansão do poder econômico e militar dos EUA na região do Ártico, visto que a Groenlândia é um dos passes mais próximo e faz uma divisa importante para a nova Rota do Norte, que está se abrindo à medida que o gelo derrete”, explica.
Lucena destaca que um acordo com o governo Trump é visto de forma positiva pelos político da Groenlândia, como uma oportunidade de obter mais recursos e alcançar sua independência, “tomando as rédea de sua próprio região”.
As declarações de Trump surgem em uma ocasião importante para o território que integra o Reino da Dinamarca, que terá eleições paramentares nos próximo meses.
“Trump não quer comprar a Groenlândia de fato, mas quer estabelecer um novo acordo. E essa política interna talvez tenha como objetivo acelerar o processo de independência, especialmente considerando que as eleições paramentares na Groenlândia são em abril, e que um novo governo pode tornar as negociações mais fáceis do que um governo da União Europeia, que é muito mais complexo”, afirma.
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Por Gazeta do Povo
