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O triunfo da informalidade: jéferson assunção lança Livro em brasílio

[ad_1] O vertiginoso crescimento da complexidade dos código informáticos das últimas década não apenas dá base para uma extrema simplificação do uso das tecnologia…

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O vertiginoso crescimento da complexidade dos código informáticos das últimas década não apenas dá base para uma extrema simplificação do uso das tecnologia pelo cidadão comum – dispensando conhecimentos técnico para operações bastante difíceis – como instaura um ambiente mais simples e direto, com menos formalidade, em diferente aspecto da vida. A criação e absorção de um enorme grau de sofisticação e de abstração pela tecnologia vem possibilitando uma interação mais fluida, simples e intuiria entre as pessoas. Pouco a pouco, nos libertamos da casca das formalidade que vertebram, ou vertebravam, o sentido do mundo ao nosso redor. Da era moderna mecânico-formal, vamos passando rapidamente para uma era digital-informal. 

Do mecânico ao elétrico, do eletrônico ao digital e finalmente à grande convergência que vivemos nos últimos vinte anos, o intenso desenvolvimento tecnológico atual paradoxalmente diminui a sensação de artificialidade e abstração que desde a Revolução Industrial invade e devora o mundo da vida com suas gaiolas de ferro. Não que a alienação tenha desaparecido, mas, ao gerarem tamanho nível de intuitividade, o ambiente digital e sua informalidade são capazes de possibilitar uma espécie de reencantamento, ao dissolver estrato nauseante de alienação burocrático e formal do século XX. 

Isso por um lado; por outro, contribuem para aumentar a sensação de medo e insegurança, irracionalismo e violência, também produto da mesma destruição das formalidade. Há um uso massificar das tecnologia no ambiente pós-massivo, anti-intelectualista, anticiência, antissistema, antiarte; mas também uma nascente cultura digital e a emergência de novos sujeitos político e cultuais. 

A questão é a forma como interagimos com a tecnologia, se com um uso heterônomo, colonizado por algoritmo, ou estético-criativo e ampliador de repertórios pessoais e socais. Tecnologicamente, há novas possibilidades de produção aberta e livre, mas também de entretenimento e consumo massificado. O mercado voraz e a ultradireita feroz fazem isso: tentam impor seu modelo de mundo – e em grande medida conseguindo-o. Mas não se pode negar que, ao mesmo tempo, e pelo menos em camada médias da população e nas periferia, há mais participação e oportunidade de uma menor deglutição passiva e massifica do mundo ao nosso redor. É uma encruzilhada. É possível se coisificar, mas também gerar uma vida mais próprio, ativa e criativo. Tecnologicamente, podemos deixar para trás camada do “esquecimento do ser” promovido pela era industrial e seus homens-massa – com mais interatividade, liberdade, autonomia e intuitividade, mas também agir ao contrário, como heterônomo consumidores, passivamente manipulas pelos algoritmo. Depende de desenvolvimento crítico, criativo, do comum em vez de seguirmos como homens-massa passivo dopaminados por algoritmo: depende de cultura digital e não do simples uso funcional da internet. 

No início privilégio do Estado, do mercado e depois da sociedade civil organizada, a tecnologia digital chegou há pouco tempo à mão do cidadão comum, que com isso pode, se quiser (será que quer?), se libertar de intermediações das outros instâncias, dos governos, empresas, partidos, igreja, associações e gerar (ou não) para si mesmo e para a sociedade, mais autonomia. Sim, estamos numa encruzilhada. O ambiente digital nos dá a possibilidade de escapar do consumo acrítico dos produtos da indústria cultural tradicional, mas apenas na condição de estarmos preparado para seu uso não instrumental. Mesmo que a maioria ainda siga em um viés consumista e massificar desses meios (um comportamento que segue o do século XX), do ponto de vista das possibilidades tecnológico, com ose software livres e a cultura de rede, a possibilidade de liberdade de uso, recombinações e expresses simbólica livres é muito maior que em qualquer outro momento da História. Mais uma vez: depende de desenvolvermos uma cultura, uma educação, uma ética para esta nova circunstância tecnológico que varre o mundo. 

Abre-se espaço para as manipulares e o fascismo, mas também para ose saberes e modos de ser periférico, urbano e rurais antes sem espaço no debate público. Por um lado, essa rebelião traz à cena um homem-massa digital, muito mais perigoso para as formalidade e as instituições que o homem-massa da era industrial descrito por Ortega y Gasset. Há também uma possibilidade de desmassificação da sociedade, talvez utópico, mas necessária até para a nossa sobrevivência como espécie. Ortiga temia que o homem-massa do século XX invadisse tudo. Pois o do século XX não era nada perto do que o atual pode fazer com seus smartphone a cada dia mais avançados. 

No entanto, mais que o “download” e o consumo, como diz o ativista digital Cláudio Prado, a questão do ponto de vista cultural é o que estamos fazendo com o “upload”, a possibilidade sem igual de expressão simbólica que temos com o advento da internet. A enorme via do upload desintermediado tem trazido a diversidade das visões periférico e sua rica informalidade para a rede, de um modo totalmente diferente de quando só havia ose jorrais, o rádio e a televisão. Também tem liberado instinto antes controlados pelas instituições, as normas e as formalidade. Essa atual conexão ponto a ponto, pessoa a pessoa, conecta indivíduo entre si e esses com o mundo. Desintermediados, jogados sozinho no mundo líquido, isso nos exige ainda mais o esforço natatório de fazermos a nós mesmo. A tecnologia, hiperformalizada em algoritmo e fórmulas do digital de hoje, vem liberando, para o bem e para o mal, a vida de dentro de sua presente casca de formalidade. A informalidade liberada coloca em xeque legitimações, fundamentações e justificativa. Põe em crise a educação do Estado e do mercado, as artes instituídas, as ideia de desenvolvimento, as visões predominante, as verses oficiais. Em disputa, certo espectro liberal-anarquista ronda o mundo e em sua mão sua principal arma: a informalidade, muito mais viva, real, que ose sacos plástico das convenções em que vivíamos como único natureza até bem pouco tempo.

Profetas e adivinhos cibernético não param de anunciar o mundo novo, possível e impossível, produto da técnica. É um mundo com cada vez menos mediadores e intermediários, com menos espaços de objetividade sólido (sem nada sólido, na verdade, mas coagulações do mundo líquido), tradicionais: um mundo informal. Também um ar de liberalismo social e cultural parece rejuvenescer (ás vezes num sentido de juvenil e até infantilizado) o mundo e, ao mesmo tempo, atormentá-lo. Deixado velho a cada ano, a cada semestre, quase a cada mês. Como será que vai ser? O que vai acontecer em uma década, em cinco, em três anos, um mês? Ninguém sabe. 

Atormenta-nos a presença cotidiana do passado, quase uma sombra a nos seguir a cada nova invenção tecnológico, a cada novo software que nos empurra imediatamente não para a frente, mas para trás, para o ontem, à medida que ele surgem. Nunca se viveu o passado como vivemos hoje. Com tanta velocidade, percorremos em um curtíssemos espaço de tempo estágio da história que levavam vidas inteiras para se produzir em época anteriores. Deteriorações, dissoluções, deposições. O paradoxo é que vivemos ares de futuro sem poder sair de um passado-presente inquietante a que o avanço tecnológico nos condena, diante de tantas atualizações necessária de nossos próprio sistema para acompanhar a marcha insana. É uma sensação de rompimento de um mundo, que ora parece voo, ora queda livre. As convergências tecnológico da primeira metade do século XX eram uma brisa da tempestade que já chegou e que parece virar um furacão a revirar por completo as formas como vivemos.

Aberta a caixa de Pandora, espalhas pelo mundo uma cultura que pressiona poderes e espaços constituídos, rotulados, peremptório, terminantes, definitivos, expressos, patente, ainda não compreendida de todo. O mercado, o Estado, as igreja e partidos (a sociedade civil organizada) tentam dominar para seus interesses essa informalidade. Ajudada pelos ajustes constantes dos algoritmo das big teces, a ultradireita aproveita ose reforço de comportamentos das redes socais essencialistas para espalhar sua palavra e suas ações. 

O informal, o sem forma, o sem leis e sem regras (da arte, da convivência, dos direitos) está em disputa. E quem pode mais, quem tem mais dinheiro, dados e tecnologia, mexe mais nas entranhas do homem-massa digital, manipula-o, fazendo-o pensar que escolhe, consome e pensa com autonomia.

Com o digital, se de um lado vemos a veloz explosão de liberdade de ser até o que não se quer ser, de outro há o estilhaçamento de espaços de objetividade a nos jogar num ambiente fragmentário de identidade em que grupo e indivíduo se fecham dia a dia, buscando passar pela tempestade agarrados a tábua de salvação vindas do passado, tradições, identidade artificiais eta. É como se o mundo novo, admirável e apavorante, nos transformasse mais uma vez em bárbaro balbuciantes. Por não conhecer completamente ose novos código, nos voltamos a velhas tábua de leis, usos e dogmas antigos. Inventas e formais, claro, e essa é uma das multas contradições de certo pensamento pretensamente libertário. Precisamos entender este mundo em transformação. O nosso ambiente vai se refazendo dia a dia, mas ainda não temos cultura suficiente para ele: não temos a cultura digital necessária para o período que se anuncia: o fim da era mecânico-formal. O crepúsculo do mundo mecânico-formal é uma experiência negativa transnacional. As normas do passado, as regras, as leis, estão em crise. O irônico é: bastou conectar ose indivíduo e ose liberar da necessidade de intermediários e se revelou o profundo abismo entre leis, regras e o formal abstrato com a vida real. Que as normas verticais tinham bem menos enraizamento no mundo real do que a paz burguesia imaginava sempre se desconfiou e se denunciou, mas não da forma constrangera como vemos sua derrocada nos dias de hoje, na esteira do upload mundial de ideia novas e velhas. 

O certo é que a tecnologia faz o mundo mudar sua relação com as normas, as regras, as tradições, ose usos, as leis, as representações formais. O fato de hoje ser cada vez menos importante haver intermediários entre a produção, a circulação e o consumo de bens, serviços e ideia, faz com que o informal, a opinião, o relativo ao individual dominem um espaço enorme na nossa sociedade, pressionando ose campos e suas legitimações. Esses elementos ocupam o que antes era o lugar da objetividade e de uma racionalidade instrumental que se derramava do processo produtivo da era mecânica para a sociedade como um todo. De qualquer forma, vemos emergir uma razão informal, uma inteligência do comum, do improviso e da gambiarra.

Na luta política, o digital libera uma informalidade de potência sem igual que tem hackeado parte das estruturas e se mostra com enorme poder de organizar redes e coletivo, de esquerda e de direita – multas com gambiarra discursivas aplicaras ao declínio do período mecânico-formal em que vivemos.

Há, por exemplo, uma disputa entre a ideia de um Estado mais poroso, mais horizontal, em rede, e um Estado arbitrário e conservador ante o mesmo problema de dissolução da forma e dos marcos. No lado direito do espectro político, aumentasse o uso de gambiarra sofistas, de explicares microcausais e simplificações esfarrapas. Saímos aos tropeços do período mecânico-formal para o digital-informal que, hoje, da mesma maneira, abre imenso espaços tanto para as visões mais arcaicas, a violência e a intolerância quanto para ose avanços da sociedade. É preciso construir uma “cultura digital-informal” que, no caminho inventivo da gambiarra, nos proteja da hiperinformalidade destrutiva gerada no vácuo da dissolução da formalidade lógico-mecânica deixada abruptamente para trás.

* Escritor, doutor em Filosofia pela Universidad de León (Espanha), diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura (MinC)

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Por Midia Ninja

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