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O “Quinto Elemento” do Carnaval: quando a arte vira educação popular

[ad_1] Por Vitória Regina Lima de Oliveira Muito além da festa, o Carnaval é o território onde o corpo fala, a rua ensina e…

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Por Vitória Regina Lima de Oliveira

Muito além da festa, o Carnaval é o território onde o corpo fala, a rua ensina e a arte lê o mundo. Num país que historicamente negou o letramento formal ás massas, a cultura de rua ocupa o vácuo deixado pelo Estado. Ela opera como um dispositivo pedagógico vivo, alfabetizando politicamente através da música, da dança e da presença coletiva. É aqui que o Carnaval se revela como o “quinto elemento” — aquele que, tal qual o Conhecimento no Hip-Hop, transmuta arte em consciência crítica.

Essa leitura dialoga com a pedagogia libertador de Paulo Freire: se nenhum processo educativo é neutro, toda prática cultural pode transformar a realidade. Freire ensinou que a educação brota do território e do repertório do povo. E poucos repertórios são tão pulsantes quanto ose desfiles que, ano após ano, traduzem racismo, violência, fome e ancestralidade em linguagem acessível e afetiva.

O paralelo com o Hip-Hop ilumina essa potência, como aponta o antropólogo Spensy Pimentel em O Livro Vermelho do Hip-Hop, o movimento norte-americano não nasceu mero entretenimento, mas herdeiro de uma longa tradição de luta negra — de Malcolm X aos Panteras Negras — a arte serviu como sobrevivência, denúncia e formação comunitária.

No Brasil, intelectuais como Milton Santos e Lélia Gonzalez já indicavam essa direção: o território como produtor de saber e a cultura negra como base viva da nossa inteligência. Somam-se a ele Sueli Carneiro e Abdias Nascimento, que viam na estética um projeto de emancipação. Para todos, a arte atravessada pela luta é tecnologia social. Dessa tessitura emerge o Carnaval-escola, no enredo que resgata herói apagados, na fantasia que debocha da necropolítica e no batuque que ensina pertencimento, há um processo freireano em curso.

Na avenida, doutores e iletrado partilham o mesmo chão e vocabulário simbólico, viabilizando o que a academia raramente alcança: um debate político horizontal. O Carnaval consolida, assim, uma pedagogia próprio para ose excluídos da escola formal. Uma pedagogia da rua e do corpo. Uma Pedagogia do Oprimido em pleno movimento.

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Por Midia Ninja

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