O plano Punhal Verde e Amarelo foi um planejamento clandestino que, segundo a Polícia Federal (PF), previa o assassinato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em dezembro de 2022.
O caso voltou a despertar interesse nesta quinta-feira (22), em meio à repercussão de pesquisas relacionadas à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A expressão “o que foi o plano punhal verde e amarelo” apareceu entre as buscas em alta no Google Trends, com mais de 100 mil pesquisas.
O documento foi encontrado durante as investigações da Polícia Federal e atribuído ao general da reserva Mário Fernandes, que ocupava o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
A investigação identificou preparativos para a execução do plano, incluindo o monitoramento de autoridades, a utilização de armamentos e a possibilidade de envenenamento. O planejamento fazia parte das ações investigadas para impedir a posse do governo eleito.
O que previa o plano Punhal Verde e Amarelo?
Segundo a Polícia Federal, o plano tinha como objetivo eliminar autoridades consideradas obstáculos à manutenção do grupo político derrotado nas eleições presidenciais de 2022.
Os alvos identificados eram Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) naquele período.
O documento previa o uso de armas de fogo, explosivos e outras formas de ataque. No caso de Lula, os investigadores identificaram a possibilidade de assassinato por envenenamento.
O planejamento incluía levantamentos sobre a segurança das autoridades, os trajetos percorridos por elas e os recursos necessários para a operação.
A data prevista para a execução era 15 de dezembro de 2022, três dias depois da diplomação de Lula e Alckmin pelo TSE.
A Polícia Federal também identificou uma operação denominada “Copa 2022”, relacionada ao monitoramento e à possível captura ou execução de Alexandre de Moraes.
Quem criou o plano Punhal Verde e Amarelo?
O documento foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, ex-integrante da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro.
Em julho de 2025, durante interrogatório no STF, Fernandes admitiu ser o autor do arquivo, mas negou que tivesse apresentado o planejamento a outras pessoas.
“Esse arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado”, afirmou.
O general também declarou que o documento consistia em um estudo pessoal e que não havia sido compartilhado.
A versão apresentada por Fernandes foi confrontada com os elementos reunidos pela Polícia Federal, entre eles registros de impressão do documento no Palácio do Planalto e o deslocamento do militar ao Palácio da Alvorada.
Segundo os investigadores, o arquivo foi impresso em 9 de novembro de 2022, poucos dias depois da derrota eleitoral de Jair Bolsonaro.
O plano chegou a ser colocado em prática?
As mortes previstas no planejamento não ocorreram. Entretanto, a Polícia Federal identificou ações preparatórias e de monitoramento de autoridades.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), integrantes do grupo chegaram a executar etapas da operação clandestina em dezembro de 2022.
A investigação apontou que Alexandre de Moraes foi monitorado por militares em diferentes datas daquele mês.
A PGR sustentou que a execução final do planejamento não ocorreu porque os envolvidos não conseguiram obter o apoio necessário do comando do Exército.
A operação investigada envolvia integrantes das Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”, além de outros militares e ex-integrantes do governo federal.
Jair Bolsonaro sabia do plano para matar Lula?
A Procuradoria-Geral da República afirmou, na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, que Jair Bolsonaro tinha conhecimento do planejamento e havia concordado com as ações.
Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, o plano foi levado ao conhecimento do então presidente da República, que teria anuído à proposta.
A acusação sustentou que o planejamento previa ações violentas para impedir a posse do governo eleito e manter o grupo político no poder.
A defesa de Bolsonaro negou o envolvimento do ex-presidente no planejamento dos assassinatos.
O que aconteceu com os envolvidos no plano?
A Polícia Federal revelou o caso publicamente em novembro de 2024, durante a Operação Contragolpe.
A investigação resultou em denúncias apresentadas pela PGR e em processos no Supremo Tribunal Federal relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Em dezembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou cinco integrantes do chamado Núcleo 2 da trama golpista.
Entre eles estava o general Mário Fernandes, apontado como autor do documento Punhal Verde e Amarelo.
O militar recebeu pena de 26 anos e seis meses de prisão pelos crimes julgados na ação penal, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques também foi condenado, com pena de 24 anos e seis meses.
O delegado da Polícia Federal Fernando de Sousa Oliveira foi absolvido nesse julgamento.
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Notícias ao Minuto | 02:38 – 21/10/2026
Fonte: Noticias Minuto.
