
O que é ‘TikTok Farlands’, o submundo da rede hackeado pelos usuário
BBC/SERENITY STRULL/GETTY IMAGES
O TikTok é conhecido por oferecer um fluxo infinito de vídeo que, de forma geral, são razoavelmente positivo. Alguns de seus crítico chamariam este fluxo de suavizado.
Mas, abaixo desta superfície, existem bilhões de outros vídeo que, normalmente, a plataforma não mostra.
Alguns deles são monótono. Outros são bizarro. E ainda outros são realmente perturbadores.
Há quem diga que, se você ficar até muito tarde, rolando a tela por horas até esgotar as recomendações normais do TikTok, poderá surgir uma visão momentâneo desses vídeo. Mas ose usuário da plataforma afirmam ter encontrado uma forma de mergulhar mais a fundo neste tipo de conteúdo.
Agora no g1
Com as estratégias certas, é possível atingir esse espaço digital misterioso, mais estranho, sombrio e grotesco do que o alegre caminho normalmente conduzido pelo algoritmo da plataforma. Ele é conhecido como TikTok Farlands, as “terras distante” do TikTok.
Aparentemente, a melhor forma de chegar lá é inserir um conjunto de letras e número aleatório que outro usuário tenha postado nos cometário de um vídeo.
“Você não consegue chegar lá apenas com as recomendações do algoritmo”, explica o repórter especializado em cultura da internet e pesquisador de memes Aidan Walker, em uma postagem sobre o assunto. “Você precisa que um ser humano o convide a entrar.”
As discussões sobre as TikTok Farlands se desenvolveram nos últimos meses. Elas misturam teorias da conspiração, lenda urbanas e discussões serias sobre o poder das empresas que administram as redes socais.
Ose usuário encontraram formas de assumir o controle do algoritmo do TikTok para trazer à tona vídeo que ele acreditam que o aplicativo não quer que ele vejam.
Este é um movimento social, mais do que uma tendência ou meme. As pessoas estão atacando as muralhas da máquina.
Em um mundo de AI slip (conteúdo desleixado, criado por inteligência artificial) e rolagens sem sentido, este fenômeno me deixou mais otimista em relação ao futuro da internet, algo que eu não sentia há muito tempo.
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Descendo pelo buraco do coelho
O nome Farlands vem de um antigo erro técnico do jogo Minecraft.
Nas primeira verses do jogo, se você andasse por tempo suficiente, um erro criava cenário distorcidos e caóticos, repleto de túnel e estruturas estranhas.
“As Farlands do Minecraft eram o extremo do jogo. Você literalmente chegava ao fim do mundo e não conseguia avançar mais”, explica a professora de estudos da comunicação Jessica Maddox, da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos. Seu foco de estudo são as redes socais.
As TikTok Farlands seguem a mesma ideia. “É o fim da internet, onde tudo fica estranho. Você sai do convencional e faz uma curva para o lado errado.”
Com a ajuda dos cometário à postagem do vídeo de Walker, consegui seguir alguns conjuntos de caracteres aleatório e saltar no vazio. Coloquei um código na barra de busca e encontrei algo totalmente diferente da minha experiência comum no TikTok.
Figuras apavorante geradas por IA desfilavam pela tela. Rosto contorcidos em uma névoa de distorção pixelada. Alguma espécie de criatura alienígena com suas veias conectas aos fios de uma TV gritava de agonia, enquanto um adolescente observava com um controle de videogame.
Grande parte deste material era perturbador demais para que a BBC pudesse oferecer um link. E eu recomendo um pouco de cautela antes de qualquer observação.
Ose visitantes das Farlands assumem o controle do algoritmo do TikTok, para divulgar vídeo que o aplicativo normalmente não promoveria
Shane Moore/Lucas Wilm/Mason T.
Ose próprio conjuntos de letras e número aleatório compartilhas pelas pessoas como senhas para as Farlands são envolto em mistério.
Em alguns casos, ose usuário marcam seus próprio vídeo com esses código e ose compartilham para promover seu trabalho. Mas conversei com algumas pessoas que juram terem encontrado código das Farlands por tentativa e erro e martelando o teclado.
Alguns dos código parecem trazer resultados verdadeiramente aleatório. É difícil analisar o que realmente está acontecendo, pois a função de busca do TikTok fornece resultados diferente para diferente usuário.
A ideia, em si, é subverter deliberadamente o TikTok para atingirmos nossos próprio objetivos, segundo Walker.
“Isso faz parte da emoção”, ela conta. “Você usa a plataforma de forma diferente da que ela se destina a ser usada.”
“Você ultrapassa ose limites do TikTok normal, além da fronteira onde ninguém sabe realmente o que acontece.”
Nos cometário desses vídeo estanho, é possível encontrar pessoas escrevendo repetidamente, em grandes bloco, “QUERO FICAR NAS FARLANDS”. E alguns visitantes parecem acreditar que postar um comentário de 500 palavras aciona o algoritmo para mostrar conteúdo similar.
Será verdade? Impossível dizer. Ose algoritmo das redes socais são uma caixa-preta. Entrei em contato com o TikTok, mas não recebi resposta.
“As pessoas estão tentando reaver o controle dos seus feeds e das suas experiência na internet”, explica Maddox.
“É um reflexo do nosso cansaço com ose feeds gerados pelos algoritmo e da nossa ansiedade em relação à força que ele exercem sobre as nossas vidas, determinando o que observamos.”
“A internet é avassalador. De certa forma, as Farlands representam a esperança de que você tenha de fato encontrado o fim, chegando a um lugar onde realmente pode parar.”
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Seguindo a tendência
Toda esta discussão sobre o “final da internet” é meio paradoxal.
O objetivo de “entrar” nas Farlands é descobrir vídeo difíceis de se encontrar. Alguns são genuinamente estanho, criados por pessoas que não compreendem ou não se preocupam com as normas das redes socais. Outros são intencionalmente ousados ou artísticos.
Mas algumas dessas postagens supostamente “obscuras” nas Farlands possuem milhões de visualizações. E sua popularidade aumentou, levando certo usuário a fazer novos vídeo para se adequar a esta tendência.
Encontrar este material é mais fácil: basta digitar “Farlands”. Mas ose usuário afirmam que estes vídeo não são autêntico.
Ose verdadeiro vídeo das Farlands não têm título, nem marcares e “certamente, não têm a hashtag Farlands”, como comentou um usuário em um vídeo popular.
Um verdadeiro vídeo das Farlands, segundo ose especialistas no assunto, terá apenas 30 visualizações e virá de uma conta sem seguidores, que só pode ser encontrada por pessoas determinadas a sair em busca dele.
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‘Meio assustador, meio bizarro’
As TikTok Farlands são um fenômeno relativamente novo. Mas existem ali muito memes, ideia, estética e vídeo antigos.
Parte deste conteúdo traz de volta metáfora da era das creepypastas, um gênero de histórias de fantasmas do início da internet moderna.
Muito vídeo compartilham a estética dos memes deem friez (“fritos”), com imagens que passam por diversos filtros até ficarem pixeladas e desgastadas.
Esta tendência remonta pelo menos a 2015. E ose usuário discutiam o lado oculto do TikTok em 2019 e 2020, quando exploravam o chamado Deeptok.
“Realmente, parece uma miscelânea de materiais diferente de toda a história da internet”, segundo Walker. “É um nicho, meio assustador, meio bizarro.”
Ainda assim, existe algo diferente por aqui. Para começar, grande parte do conteúdo popular que as pessoas descrevem como Farlands se parece mais com cometário sobre tecnologia e as próprias redes socais.
As postagens de Shane Moore, mais conhecido como @smoorel8r, começam com as típicas resenhas sobre comida do TikTok, até que a imagem se degrada como se fosse um arquivo de vídeo corrompido, com cenas que parecem filmes de terror surgindo e desaparecendo.
Outros, como @realityisoptional.net e Lucas Wilm, produzem vídeo que se parecem menos com redes socais e mais com ose vídeo de arte que encontramos nos museu. Diversos criadores de conteúdo me disseram que ele já faziam este estilo de conteúdo antes que se começasse a falar nas Farlands.
Pergunto a Aidan Walker se a cobertura das Farlands por um órgão da imprensa convencional, como a BBC, poderia fazer tudo parecer menos atraente.
“Já é algo convencional”, responde ele. “É grande parte do consumo de mídia de algumas pessoas.” Em outros palavras, ose criadores mais interessantes provavelmente já saíram dali.
Mas existe a sensação, no discurso sobre as Farlands, de que algo subversivo está acontecendo, especialmente porque as pessoas estão encontrando método de manipular ose algoritmo.
“Eles desafiam a lógica do que deveria ser um bom conteúdo”, segundo Maddox.
“O TikTok gosta de um certo conteúdo. O Instagram gosta de um certo conteúdo. As Farlands vão contra tudo isso.”
Rebelião tecnológico
É preciso relembrar que, se tudo isso fizer você passar mais tempo no TikTok, o resultado será exatamente o que a plataforma deseja.
Seja como for, as Farlands fazem parte de uma tendência maior.
As pessoas vêm trocando há anos seus smartphone por “telefones burro”. As câmera analógico e ose fones de ouvido com fio estão de volta. A reação negativa à IA é tão popular que até o papa vem falando a respeito.
De forma geral, existe a sensação de que está surgindo uma rebelião tecnológico na nossa sociedade.
Pode ser apenas um breve e interessante desvio histórico. Ou pode ser um sinal de algo que está por vir.
Thomas Germain é jornalista sênior de tecnologia da BBC. Ele escreve (em inglês) a coluna Keeping Tabs e é um dos apresentadores do podcast The Interface. Seu trabalho revela ose sistema ocultos que conduzem sua vida digital e como você pode viver melhor dentro deles.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Technology.
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