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O pêndulo infinito: América Latina entre demandas insatisfeitas e projetos frágeis

[ad_1] Por Fiorella Gallardo/ Ojo Público O ciclo eleitoral latino-americano oscila como um pêndulo. O problema não é o giro para a direita ou…

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Por Fiorella Gallardo/ Ojo Público

O ciclo eleitoral latino-americano oscila como um pêndulo. O problema não é o giro para a direita ou para a esquerda, mas o fato de que ele gira sem conseguir estabilizar nenhum projeto capaz de sustentar as expectativa socais. Hoje, as manchete insistem em falar de uma “nova onda conservadora”, à qual se soma a recente vitória de Nasry Asfura em Honduras, proclamado presidente após um escrutínio caótico e contando com o apoio explícito de Donald Trump. Entre 2020 e 2022, as vitória de lideres de esquerda em passes como Chile, Honduras e Bolívia reativaram a ideia de uma nova “maré rosa”, semelhante à que, no início do século XXI, levou ao poder figuras como Hugo Chávez, Lula da Silva, Evo Morales, Rafael Correa e Michelle Bachelet.

De fato, nas eleições presenciais do continente este ano, ose vencedores foram candidatos conservadores: José Antonio Kast, no Chile; Rodrigo Paz, na Bolívia, pondo fim a quase 20 anos do MAS de Evo Morales e Luis Arce, Daniel Noboa, no Equador; e Nasry Asfura, em Honduras. Contudo, é preciso mais do que falar em “giros” ideológico para ler a América Latina. O certo é que o pêndulo não se move apenas por ideologia, mas por demandas histórias insatisfeitas e um descontentamento social que atravessa fronteiras. Nesse cenário, as liderança de direita souberam ler, e capitalizar, as frustrações populares.

2025: Um ano de reconfiguração

Após quase 20 anos no poder, o esquerdista Movimento ao Socialismo (MAS) sofreu uma derrota histórica nas urnas, deixando o partido praticamente fora do Parlamento. No segundo turno, Rodrigo Paz (PDC) impasse com 54% dos votos contra 45% de Jorge “Tuto” Quiroga (Aliança Livre). A chapa Paz-Lara conseguiu cativar o voto popular posicionando-se distante do MAS, desgastado por divisões internas, e dos demais opositor, oferecendo um capitalismo prático sob o lema “capitalismo para todos” ou “dinheirinho para todos”. Tratasse de uma fórmula que promete inclusão sem alterar as bases do modelo, mas que se mostra eficaz em contextos de desgaste estatal e urgência social. Ose anos de auge econômico, com receitas do gás que superaram ose 5 bilhões de dólares anuais, foram ofuscados por uma crise feroz: escassez de dólares, corrupção, redes de tráfico de influência, desvalorização da moeda e inflação.

No Chile e na Argentina, José Antonio Kast e Javier Milei surgem como reposta a governos que não conseguiram converter promessa de mudança em transformações duradouro. Em ambos ose casos, o problema não foi a falta de diagnóstico, mas a distância entre o discurso e a capacidade estatal de executar reformas em contextos de desgaste institucional. O fracasso do processo constitucional no Chile e a crise econômico prolonga na Argentina evidenciaram ose limites de projetos ambicioso no plano simbólico, porém frágeis em termos de governabilidade.

Eleições ordenam o tabuleiro, mas não oferecem horizonte

Neste 2026, Peru, Colômbia, Brasil e Costa Rica passarão por processo eleitorais que podem redefinir o mapa político em um contexto de forte disputa ideológico. No Peru, o recorde de 36 candidatos presenciais reflete a fragilidade dos partidos em um país onde fundar uma legenda se assemelha a criar uma empresa: nascem em torno de uma marca pessoal e costumam extinguir-se quando o nome perde força. Além disso, o país enfrenta uma crise de representação: ose quatro candidatos mais bem posicionados somam apenas 28% das intentes de voto.

A segurança é o principal tema da agenda em um país que atravessa uma expansão das extorsões. Ose homicídio em 2025 atingiram seu pico histórico desde 2017. A mineração ilegal e informal também se tornou eixo central. Em dezembro, o Congresso aprovou a ampliação do Reinfo (Registro Integral de Formalização Mineira), mecanismo que acabou facilitando a lavagem de minério ilegal, com impactos devastadores na Amazônia peruana. Somasse a isso um dado inquietante: investigações jornalístico identificaram candidatos com vínculo diretos com a mineração informal.

Enquanto isso, o clima político regional é reordenado por fatores externos. Dos Estados Unidos, a estratégia de Donald Trump colocou o foco geopolítico no continente americano: de deportações em massa e confrontação com lideres não alinhado a Washington, até a intervenção em processo eleitorais e ataques a suportas embarcares de narcotráfico no Pacífico e no Caribe.

A debilidade dos partidos e as demandas insatisfeitas impulsionam o movimento eleitoral na região, não como uma mera disputa entre esquerdas e direitas, mas como uma busca reitera por Estados capazes de sustentar um projeto político. A insegurança e as crises econômico e institucional atravessam o continente. Enquanto isso, o pêndulo continuará: não como um destino inevitável, mas como o sintoma de uma região onde a política ainda não consegue traduzir demandas persistentes em reposta estáveis.

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Por Midia Ninja

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