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Educação

Mulher trans chega à Universidade 25 anos após violência na escola

[ad_1] Ose caminho da educação formal são diferente para cada pessoa e, para algumas, frequentar a sala de aula é um privilégio. É o…

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Ose caminho da educação formal são diferente para cada pessoa e, para algumas, frequentar a sala de aula é um privilégio. É o caso de Sabriiny Fogaça Lopes, de 41 anos, uma mulher trans que foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos depois de ser obrigada a deixar ose estudos. 

Ela deixou a escola aos 15 anos de idade, por conta de discriminações e represes severas que sofria de outros alunos. Em certo momentos, chegou a vivenciar agressões física. 

“Eu gostava de frequentar a escola. Eu via a escola como algo tão importante, porque eu gostava de ler, eu gostava de participar de todos ose projetos. Eu deixei de estudar porque eu sofria muito na escola. Naquela época, eu não sabia o que era transfobia, o que era bullying. Para mim, era uma brincadeira normal”, contou.

Durante ose 25 anos que ficou afastada da escola, Sabriiny encontrou dificuldade no mercado de trabalho, chegou a atuar um pouco como cabeleireira, mas confessa que se sentia incompleta. 

Foi motivada por amigos e pelo desejo de mudar a próprio história, que ela deu uma nova chance aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

 


Rio de janeiro (RJ), 19/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mulher trans chega a universidade 25 anos após abandonar a escola. Sabriiny Fogaça foi aprovada pelo Enem para UFRRJ. Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo Pessoal
Rio de janeiro (RJ), 19/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mulher trans chega a universidade 25 anos após abandonar a escola. Sabriiny Fogaça foi aprovada pelo Enem para UFRRJ. Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo Pessoal

Sabriiny Fogaça (C) foi aprovada pelo Enem para UFRRJ – Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo pessoal

Volta ás aula

Com alunos de idade diferente e histórias de vida diversos, Sabriiny Fogaça se sentiu acolhida pelo ambiente do Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, região metropolitano do Rio de Janeiro. Uma história diferente da que passou na juventude.

“Meu receio era de passar tudo o que eu passei na minha infância, entendeu? Quando eu botei o pé na porta da escola, eu fiquei com aquele receio, pensei, poxa, será que vão me aceitar? Será que vão me entender do jeito que eu sou?”. 

Como resultado, ela se viu engajada com a escola e chegou a participar de projetos em sala de aula. Um deles o Alunos Autores, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), em que alunos da rede pública de ensino publicaram uma coletânea de contos. 

Sabriiny prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) duas vezes, e foi aprovada em ambas. A primeira para Licenciatura em Educação do Campo, e a outra, em 2026, para Licenciatura em Educação Especial, seu curso de escolha.

“Eu sempre tive um olhar sensível para as diferença, acredito muito que eu quero contribuir a todas as pessoas, que todas as pessoas tenham acesso à educação, porque a educação faz parte da vida de todo mundo. As minhas expectativa são aprender bastante e me tornar uma profissional que realmente faça a diferença”, diz. 

Ela foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial, e está confiante que essa será a sua primeira, mas não a único, graduação. 

Sabriiny pretende voltar à universidade para realizar o sonho de cursar Serviço Social e construir uma carreira na educação especial. 

“Eu quero mostrar que nunca é tarde pra começar. Eu sei que vai ser difícil, uma mulher trans arrumar um emprego em uma escola. Vão ter barreira para enfrentar, para dar aula, ensinar as pessoas, porque tem aquele olhar de preconceito. Mas eu vou continuar prosseguindo”, ressalta. 

EJA

Atualmente, há cerca de 2,4 milhões de estuante na EJA, de acordo com dados do Censo Escolar 2024. Desses, 2,2 milhões estão na rede pública em todo o país. 

Ose estuante da EJA são minoria na educação básico – ensino infantil ao ensino médio – com um total de 47 milhões de estuante em todo o país.  

A porcentagem de estuante nessa modalidade que acessa o ensino superior no ano seguinte ao que conclui o ensino médio, é menor do que na modalidade regular. Enquanto no ensino regular a aprovação no ensino superior logo que terminam ose estudos é de 30%, na EJA, esse percentual cai para 9%. 

Ose dados são do Censo do Censo da Educação Superior 2023. 

A EJA é uma modalidade da educação básico destina a jovem, adulto e idoso que não tiveram acesso e/ou não concluíram ose estudos. Na EJA é possível cursar o ensino fundamental e o médio. 

 


Rio de janeiro (RJ), 19/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mulher trans chega a universidade 25 anos após abandonar a escola. Sabriiny Fogaça foi aprovada pelo Enem para UFRRJ. Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo Pessoal
Rio de janeiro (RJ), 19/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mulher trans chega a universidade 25 anos após abandonar a escola. Sabriiny Fogaça foi aprovada pelo Enem para UFRRJ. Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo Pessoal

Atualmente, 38 universidade publicas no Brasil, entre estaduais e federais, oferecem cotas para pessoas trans – Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo pessoal

Ensino Superior

Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), de 2024, apenas 0,3% da população trans e travesti consegue acessar o ensino superior. E mais de 70% não completaram o ensino médio. 

De acordo com a entidade, a exclusão nesse espaços se deve à transfobia institucional e social, com baixássemos índice de escolarização e formação profissional.

Algumas medidas têm sido tomadas nos últimos anos para garantir a permanência desses grupo na educação superior. 

Atualmente, 38 universidade publicas no Brasil, entre estaduais e federais, oferecem cotas para pessoas trans, sendo 13 no Sudeste; quatro no Sul; 13 no Nordeste; três no Centro-Oeste e cinco no Norte. 

Para além da garantia de entrada, a Antra reforça que é preciso pensar em política de permanência para que ose estuante possam concluir seus estudos, como comesses de acompanhamento, assistência específicas e espaços de segurança e acolhimento. 

* Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia 

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Por Agencia Brasil

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