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Muito além das capitais, atos por Lula se espalham pelo Brasil e levam multidões às ruas

Mobilizações iniciadas por estudantes ganham adesão de trabalhadores e movimentos populares, com protestos também em cidades do interior O post Muito além das capitais, atos por Lula se espalham pelo Brasil e levam multidões às ruas apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Vinicius Francisco

Uma multidão ocupou a Avenida João Naves de Ávila, uma das principais vias de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, na noite de quinta-feira (8). A caminhada em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e reuniu estudantes, professores, trabalhadores e movimentos sociais. Os organizadores estimaram 50 mil participantes. Embora não haja uma contagem independente, as imagens mostram a avenida tomada por manifestantes.

Uberlândia não foi um caso isolado. Na mesma noite, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, outra manifestação percorreu mais de quatro quilômetros entre a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Parque Halfeld, no Centro. O Diretório Central dos Estudantes (DCE), responsável pela organização, estimou a presença de até 20 mil pessoas. Em Uberaba, cerca de 500 manifestantes também saíram às ruas, segundo os organizadores.

Os atos fazem parte de uma mobilização que ganhou força após o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). A primeira onda veio dos estudantes, mas a participação logo se ampliou. Trabalhadores, sindicatos, fandoms, movimentos populares e moradores sem ligação direta com as universidades passaram a ocupar as ruas. Na quinta-feira (8), houve manifestações em pelo menos 13 estados e no Distrito Federal.

As primeiras caminhadas começaram na segunda-feira (5), quando estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) saíram do campus do Gragoatá e percorreram ruas de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. No dia seguinte, mesmo debaixo de chuva, voltaram a se manifestar, acompanhados por trabalhadores e moradores. Na quarta-feira (7), milhares de pessoas caminharam da Candelária até a Cinelândia, no Centro do Rio, em um protesto que reuniu reivindicações pela educação pública, pela democracia e pelo fim da escala de trabalho 6×1.

Ato “Juventude na Rua pela Democracia”
Foto: Michele Gomes / CC Mídia NINJA

Parte dessa mobilização começou sem depender de orientações da campanha nacional de Lula. Grupos regionais de estudantes, influenciadores e comunidades de fãs (fandoms) já organizavam atividades próprias enquanto a coordenação petista ainda definia sua estratégia para o segundo turno. Muitas dessas iniciativas partiram de entidades e coletivos que já atuavam politicamente e encontraram novas adesões depois da votação.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) explicou à Tribuna de Minas que a mobilização estudantil já vinha sendo organizada antes da eleição, mas ganhou força depois do primeiro turno. A caminhada também reuniu famílias, trabalhadores e moradores da cidade sem ligação direta com a universidade.

Uma delas foi a enfermeira aposentada Zélia Severino, de 65 anos. Preocupada com o futuro dos dois filhos e cinco netos, ela decidiu participar do protesto, mesmo com problemas de saúde que limitaram sua caminhada. Zélia trabalhou no atendimento a pacientes durante a pandemia de Covid-19, perdeu colegas de profissão e também contraiu o vírus. “Fui ontem porque sempre considerei que a política influencia em todas as áreas da nossa vida”, contou à Tribuna de Minas.

O envolvimento de pessoas de diferentes gerações também apareceu em outras regiões. Em Curitiba, milhares de manifestantes percorreram o Centro da cidade, da Praça Santos Andrade até a Boca Maldita. A Polícia Militar estimou 10 mil participantes, enquanto os organizadores falaram em mais de 30 mil.

No interior paranaense, a mobilização começou a ganhar outra forma. Em Ponta Grossa, cerca de mil pessoas participaram de uma assembleia estudantil na sexta-feira (9). O encontro reuniu representantes de universidades públicas e privadas e definiu ações para as semanas seguintes. Entre elas estão panfletagens em terminais de transporte, visitas a fábricas, conversas de porta em porta e atividades nos bairros. A proposta dos organizadores é levar as ações para além dos espaços universitários.

No sábado (10), centenas de apoiadores de Lula também caminharam pelo Centro de São José dos Campos, no interior paulista, onde Flávio Bolsonaro (PL) havia recebido mais votos no primeiro turno. Os participantes levaram bandeiras e cartazes, e registros da manifestação foram publicados pela imprensa local.

Em outras partes do país, as caminhadas seguiram reunindo estudantes e trabalhadores. Em Salvador, universitários da Universidade Federal da Bahia (UFBA) saíram do bairro do Canela em direção ao Porto da Barra. Em Fortaleza, estudantes se concentraram na Universidade Federal do Ceará (UFC) antes de percorrer a Avenida 13 de Maio. Já em São Luís, no Maranhão, estudantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) marcharam até a Praça dos Catraieiros, no Centro da capital.

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No Norte, centenas de pessoas participaram de um ato no Marco Zero do Equador, em Macapá, com a presença do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Também houve mobilizações estudantis em Palmas, na Universidade Federal do Tocantins (UFT), e em Brasília, na Universidade de Brasília (UnB).

Em Belém, estudantes, trabalhadores e representantes de movimentos sociais se reuniram na Praça da República, na sexta-feira (9). A Casa NINJA Amazônia acompanhou o ato e ouviu participantes como Vanuza Cardoso, liderança do Quilombo do Abacatal, que relacionou sua presença à defesa dos territórios tradicionais e dos direitos das comunidades quilombolas. A manifestação ocorreu no mesmo dia do Auto do Círio, mas foi organizada de forma independente do cortejo cultural.

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A mobilização também alcançou profissionais da cultura e da comunicação. No Recife, cerca de 30 trabalhadores do audiovisual se reuniram para criar 14 frentes de atuação durante o segundo turno, incluindo produção de vídeos, exibições em cineclubes e atividades presenciais. Nas redes sociais, artistas, influenciadores e páginas de fãs passaram a divulgar posicionamentos e organizar iniciativas próprias.

Apesar do tamanho de algumas manifestações, a cobertura não foi igual em todas as cidades. Atos nas capitais apareceram em veículos nacionais, mas boa parte dos registros mais detalhados do interior circulou na imprensa regional e nas redes sociais. Em Uberlândia, Juiz de Fora e São José dos Campos, jornais locais publicaram imagens, estimativas de público e entrevistas que deram visibilidade à participação dos moradores.

E a programação ainda não terminou. Para segunda-feira (12), sambistas, integrantes de escolas de samba e representantes da cultura popular convocaram uma manifestação nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, às 15h. Entre os nomes anunciados estão Teresa Cristina, Neguinho da Beija-Flor e Leandro Vieira, além de baterias de escolas de samba.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, novas atividades continuam sendo organizadas. Em Ponta Grossa, os estudantes já definiram os próximos passos: conversar com trabalhadores nos terminais, nas fábricas e nos bairros. Em outras cidades, sindicatos e movimentos locais também preparam ações. Depois das primeiras caminhadas puxadas pelas universidades, a mobilização passou a ocupar outros espaços e a reunir pessoas que não estavam à frente das convocações iniciais.

Fonte: Mídia Ninja.

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