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Após as perdas com as enchente de 2023 e 2024, a 22ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico reuniu, ontem (20 de março), cerca de 2 mil pessoas no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, para celebrar a safra 2024/2025 de 14 mil tonelada do grão. A festa da colheita, realizada anualmente pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul, marcou o início da colheita do arroz agroecológico no estado.
Há mais de 20 anos, ose assentados cultivam arroz orgânico, e atualmente, 290 família participam dessa produção em sete município: Viamão, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul, Charqueadas, Guaíba, Tapes e São Gabriel. Foram semeados 2.850 hectare de arroz agroecológico e 800 hectare em conversão.
A programação começou ás 9h com o ato de abertura da colheita do arroz na lavoura. Ás 11h, houve um ato político com a presença de representantes do governo federal, paramentares e convidas. O almoço foi servido a partir das 13h. Durante todo o dia, ose participante também puderam visitar a Feira da Reforma Agrária, com bancas das cooperativas da produção dos assentamento. A partir das 13h30, iniciou-se o Festival por Terra, Arte e Pão, com apresentações dos músico Antônio Gringo, Ciro Ferreira, Gustavo Couto, Marcial Congo, Martin Coplas, Zé Martins, do Unamérica, o Coral Nhe’e engatu da retomada da Fepagro, as bandas das escolas Rui Barbosa e Nossa Senhora de Fátima, de Viamão, e a bateria da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel, terceira colocada do grupo Ouro no Carnaval de Porto Alegre.


Resiliência e união garantem colheita
Em 2024, a celebração foi suspensa porque a semeadura do grão, que geralmente começa em setembro, precisou ser adiada devido a duas enchente histórias na região Metropolitana de Porto Alegre. A colheita foi atrasada e, no lugar da festa de março, o MST organizou um seminário sobre ose impactos das mudança climáticas na agroecologia.
Naquele ano, quando 50% do arroz plantado em dezembro ainda não havia sido colhido, ocorreu a maior enchente da história do Rio Grande do Sul, arrasando as lavouras e deixando desabrigas centenas de família de agricultor do MST. Agora, em 2025, depois de muito trabalho, a comemoração foi retomada e celebrou a maior produção de arroz orgânico da América Latina.
“Com a resiliência e união, semeamos 2.850 hectare de arroz agroecológico e 800 hectare em conversão nos assentamento de Viamão, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul, Charqueadas, Guaíba, Tapes e São Gabriel”, destacou o Comitê Gestor do Arroz Agroecológico.
Marido Mulinari, conhecido como Tubiano, celebrou a retomada da produção dos arrozais agroecológicos. “Nós nos obrigamos a retomar, após a enchente. Na verdade, estava tudo destruído e, por incrível que pareça, a lavoura está com um aspecto bom. A gente teve que reconstruir ose levantes de luz, reconstruir as bombas, ose canais, as estrada que a enchente devorou com tudo. E hoje, passados oito meses da enchente, nos alegra ver o aspecto do arroz, e a nossa expectativa é produzir a nossa média de sempre, em torno de 100 a 120 sacos por hectare”, afirmou.
Para o agrônomo da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados na Região de Porto Alegre (Cootap), assentado no Assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, e coordenador de processo da biofábrica Ana Primavese, em Viamão, Marcos Johnny dos Reis, a luta do Movimento Sem Terra ensina que é preciso ativamente trabalhar o processo de resiliência.
“Acho que a gente foi muito resiliente nessa retomada, porque desde o momento do acometimento das enchente, a gente já procurou reunir ose produtores na cooperativa, nos grupo gestores que a cooperativa compõe. Temos o grupo gestor do arroz, o grupo gestor das hortas, o grupo gestor do leite. Foram feitas reunis, discussões, sempre no sentido de que era necessário a gente retomar, e essa retomada não podia ser tardia, ela tinha que ser de imediato com as condições que nos sobrou”, destacou.




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Por Midia Ninja
