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Politica

Moraes acusa Mendonça de usar PF para incluí-lo em delação, e ministro rebate

Bate-boca ocorreu em sessão que analisa mensagens que apontam Moraes como interlocutor de Vorcaro. Moraes afirma ainda que Mendonça agiu em prol de um grupo político 'que quis dar um golpe' no país

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma dura discussão durante a sessão do tribunal nesta terça-feira (15) que analisa o relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

 

Moraes acusou o colega de ter pedido, durante reunião com a PF, que ele fosse incluído em um acordo de colaboração premiada, a chamada delação, e de agir “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”. Mendonça negou as afirmações e disse que Moraes estava mentindo.

“Mentira. Mentira”, repetiu o magistrado mais de uma vez.

Segundo Moraes, a sessão é resultado de uma “investigação fraudulenta” contra ele. O ministro defendeu que “não dá julgar uma coisa sem outra”, em possível referência ao julgamento do processo que investiga supostas irregularidades por parte de Mendonça, marcado para o dia 23.

“Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada?”, disse Moraes, que é relator da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) -responsável por indicar Mendonça ao Supremo.

Os investigadores recusaram, em maio, uma proposta de delação de Vorcaro por considerar que as informações apresentadas pelo ex-banqueiro são insuficientes. A PGR (Procuradoria-Geral da República) também descartou um acordo do tipo.

Ao interromper Moraes, Mendonça afirmou que “não é questão de medo”. Nesse momento, a discussão escalou. “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”, disse o outro magistrado. “Mas eu estou lhe respondendo”, declarou, em réplica.

Moraes pediu então ao presidente do STF, Edson Fachin, a convocação de testemunhas, como agentes da PF e advogados, que poderiam, segundo ele, corroborar com sua versão. “Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam'”, disse.

Também sugeriu ouvir os investigadores responsáveis pelo relatório da PF que coloca ele como interlocutor do Vorcaro.

Mendonça novamente interveio e disse que poderia “chamar quem quiser”, mas que essas pessoas mentiriam. Ele declarou que não iria mais responder e que usará seu momento de fala durante a sessão para se pronunciar.

A análise foi suspensa por volta de 13h para retornar às 15h, segundo a assessoria do Supremo.

Após o intervalo, Fachin avisou que os ministros devem votar uma proposta defendida por Gilmar Mendes e Flávio Dino para suspender nesta terça e julgar, em conjunto, os casos de Moraes e Mendonça.

A ideia da ala próxima a Moraes é reunir as duas ações e sortear a relatoria.

LEIA A ÍNTEGRA DA DISCUSSÃO:

Moraes: Não há como julgar hoje, sem julgar terça. Porque eu pergunto: Quem tem medo da Polícia Federal, presidente [Edson Fachin]? Quem tem medo da Polícia Federal?
Mendonça: Não é questão de medo.
Moraes: Eu não estou perguntando a Vossa Excelência.
Mendonça: Mas eu estou lhe respondendo.
Moraes: Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? Vamos trazer aqui, presidente, vamos chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: “Peçam”
Mendonça: Isso é mentira. Mentira. Mentira.
Moraes: Então, vamos chamar as testemunhas?
Mendonça: É mentira, pode chamar quem quiser. Vão mentir. Vão mentir.
Moraes: Não há como julgar hoje sem julgar hoje sem julgar terça-feira. Chamou. “Inclua o ministro Alexandre.”
Mendonça: Mentira. Mentira.
Moraes: Por quê? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país.
Mendonça: Ah, senhor presidente Não vou responder. No meu momento de fala
Moraes: O que mais presidente? Não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é um relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados lá. É só pegar o registro, quem fez vamos chamar aqui neste Supremo Tribunal Federal, além de advogados que já se colocaram à disposição. Eu repito: tudo o que foi feito, essa investigação fraudulenta contra mim, começou lá atrás, não dá julgar uma coisa sem outra.

Fonte: Noticias Minuto.

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