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Meta na berlinda: 410 milhões de views de Nikolas no Instagram levantam suspeitas

Três organizações acionam o Ministério Público Eleitoral após estudo comparar 300 vídeos de políticos e famosos O post Meta na berlinda: 410 milhões de views de Nikolas no Instagram levantam suspeitas apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Vinicius Francisco

Dez vídeos do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) somaram 410,5 milhões de visualizações no Instagram. É quase o triplo das 141,4 milhões registradas nos 90 vídeos de outros nove deputados analisados pelo Sleeping Giants Brasil. A diferença levou a organização, junto com a ARTIGO 19 e a CTRL+Z, a acionar o Ministério Público Eleitoral (MPE), na sexta-feira (16), para pedir uma investigação sobre possível favorecimento ao parlamentar pela Meta, dona do Instagram.

O Sleeping Giants analisou 300 Reels de 30 perfis: dez deputados federais, incluindo Nikolas, dez brasileiros entre os mais seguidos da plataforma e dez personalidades com grandes audiências internacionais. Entre os nomes estão Neymar, Anitta, Virginia Fonseca, Selena Gomez, Beyoncé e Cristiano Ronaldo. De cada conta, foram selecionados os dez vídeos mais recentes, publicados há mais de 24 horas. Os vídeos fixados no topo dos perfis ficaram de fora. Os dados foram coletados em 11 de outubro.

Com cerca de 23 milhões de seguidores, Nikolas registrou uma mediana de 38,25 milhões de visualizações por vídeo. O cálculo considera o valor central das reproduções, sem deixar que uma única publicação muito popular distorça o resultado. Nesse indicador, o deputado ficou à frente de Neymar, Selena Gomez, Beyoncé e Kim Kardashian. Apenas Cristiano Ronaldo e Lionel Messi tiveram números maiores.

A diferença aparece em todos os vídeos analisados. Até o menos assistido de Nikolas chegou a 23,3 milhões de reproduções, superando sua própria base de seguidores. Nenhum dos outros 29 perfis conseguiu repetir esse desempenho nas dez publicações. Dos 300 vídeos da pesquisa, apenas 24 tiveram mais visualizações do que seguidores nas respectivas contas. Dez eram de Nikolas.

André Janones (Rede-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) também tiveram vídeos que ultrapassaram suas bases de seguidores, mas com menos frequência. Na comparação proporcional com os demais deputados, o desempenho de Nikolas foi 17,2 vezes superior ao valor central do grupo. O resultado levou os pesquisadores a questionar se o Instagram estaria ampliando a distribuição de seus conteúdos de maneira diferenciada.

Na representação apresentada ao MPE, as três organizações pedem informações sobre a origem das visualizações, possíveis impulsionamentos pagos e eventuais interferências na distribuição dos vídeos. Querem saber, por exemplo, quanto dessa audiência veio de recomendações do Instagram e quanto chegou por compartilhamentos ou outras formas de divulgação.

O Sleeping Giants não encontrou anúncios patrocinados recentes no perfil principal de Nikolas. Uma reportagem da Agência Pública, porém, identificou R$ 312,5 mil gastos com publicidade por meio de outra conta ligada ao deputado. Não há comprovação de que esses investimentos tenham influenciado os vídeos analisados.

As suspeitas surgem durante o segundo turno das eleições presidenciais. Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Meta apresentasse, em 48 horas, informações sobre as medidas aplicadas ao perfil de Nikolas desde 16 de agosto. A ordem faz parte de outro processo, movido pela campanha de Lula (PT), que acusa a empresa de prejudicar conteúdos do presidente enquanto beneficiaria seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

Na sexta-feira (16), o TSE confirmou por unanimidade a decisão que exige tratamento igualitário aos dois candidatos, sob pena de multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. A Folha de S.Paulo também revelou mensagens internas da empresa sobre problemas que afetaram o impulsionamento de publicações da campanha de Lula.

Durante a campanha, as regras eleitorais restringiram a recomendação automática de conteúdos dos candidatos. Em 9 de outubro, porém, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, autorizou as plataformas a recomendar publicações de políticos já eleitos no primeiro turno, como Nikolas. Dos dez vídeos analisados, quatro foram publicados até a votação de 4 de outubro e seis depois. O levantamento não permite identificar quando cada visualização ocorreu nem concluir que houve descumprimento das regras eleitorais.

Em comunicado divulgado na sexta-feira (16), a Meta negou interferência política nas eleições e atribuiu os problemas relatados a falhas técnicas. Procurada pela Folha sobre a pesquisa e a representação ao Ministério Público Eleitoral, a Meta informou que não comentaria casos específicos.

O estudo não comprova manipulação do algoritmo, mas mostra que os vídeos de Nikolas tiveram um desempenho muito acima do observado nos demais perfis. Para esclarecer se houve favorecimento, as organizações querem acesso aos registros internos do Instagram, que podem revelar de onde vieram as visualizações e como os conteúdos foram distribuídos.

Fonte: Mídia Ninja.

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