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Matuto SA: “do interior para o interior” até o Grammy Latino

Indicado ao Grammy Latino, Matuto SA diz que a conquista é “histórica para o underground” e fala de política pública, viola e do sonho de uma escola de arte O post Matuto SA: “do interior para o interior” até o Grammy Latino apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Nicole Adler

Com um pé na rua e outro na roça, o rapper, trompetista e produtor Matuto SA transformou a terra vermelha de Franca, cidade paulista na divisa com Minas Gerais, em matéria-prima para um som que ele batizou de Regional Beat. A proposta mistura a cultura caipira, com sua viola e seus ritmos, a linguagens urbanas e universais, como o rap, o reggae e o jazz. O conceito dialoga com o Mangue Beat pernambucano e já virou também um filme documental.

O resultado é Terra Vermelha, álbum indicado ao Grammy Latino. Viabilizado pelo ProAC, o disco reúne referências que vão de Kool Herc a Tião Carreiro, do boombap à viola caipira, do reggae de sound system ao batuque de umbigada. A trajetória do artista inclui a vitória no concurso de bandas do João Rock de 2024, entre mais de 430 inscritas, e apresentações em palcos como o do Sesc.

Nesta conversa, Matuto SA fala sobre o significado da indicação para a cena independente e para quem faz música fora dos grandes centros. Também conta como a viola e o hip-hop passaram a dialogar em sua obra, comenta a importância das políticas públicas para a cultura, a campanha coletiva para levar a equipe à premiação em Las Vegas e os próximos passos do movimento Regional Beat.

Para começar, o que significa para você ser indicado ao Grammy Latino por um álbum tão ligado às suas origens?

Bom, acho que ser indicado ao Grammy Latino por um álbum que fala tanto das minhas origens é algo que diz muito sobre a forma como a gente se comunica, né? Acho que música, antes de tudo, é comunicação, seja ela com letra ou não. A expressão e o ato de se expressar de uma forma genuína do interior para o interior, que é o nosso grande lema, né? Acabam fazendo com que nossa arte, nossa música sejam reconhecidas por quem não está perto, por quem não está próximo, por quem não é daqui. Porque, quanto mais do interior, quanto mais profundamente a gente fala, acredito que mais comunicativos nos tornamos, né? Mais fácil de sermos reconhecidos como algo universal também.

Uma vez, eu vi o Marcelo D2 falar isso. Quanto mais nichado, quanto mais regional, quanto mais pro interior, não necessariamente com essas palavras que ele usou, mais universal também. Então, acho que esse reconhecimento é algo surreal, que a gente ainda está digerindo também, mas muito importante. Acredito que é muito importante para a história de quem faz música de coração, de quem faz música no interior do Brasil, de quem faz música ainda pensando em trazer algo que não seja única e exclusivamente sobre mercado, números etc.

“Terra Vermelha” coloca o interior paulista no centro da narrativa. O que você queria contar sobre esse território?

Eu venho de uma cidade que faz divisa com Minas Gerais, Franca. Literalmente na divisa mesmo. Então, a gente tem aqui um território muito marcado pela cultura mineira, apesar de estar geograficamente no estado de São Paulo. É um território muito específico, realmente no extremo oeste do estado de São Paulo, na divisa com o sul de Minas. É uma região muito fértil, de uma terra muito fértil, literalmente a terra vermelha, que compõe esse solo. Não à toa, há muitas plantações de café aqui na Alta Mogiana, nessa região, entre outras monoculturas e também algumas agriculturas familiares, assim como as do pessoal do movimento MST, tanto aqui perto de Franca quanto na região, enfim.

Esse território é muito rico, não só geograficamente falando, mas também humanamente. É uma terra com muitos músicos, muitos artistas. Aqui nasceu Abdias do Nascimento, por aqui passou Carolina Maria de Jesus, que trabalhou na Santa Casa de Franca, onde começou a escrever as primeiras páginas de Quarto de Despejo. Aqui nasceu Gurgel também, um cara visionário do carro elétrico nos anos 1970. Enfim, entre outros nomes. Então, fazer parte desse território é um orgulho para mim. Eu sempre gosto de falar de onde venho, porque acho que só de dizer de onde venho já digo muito sobre quem sou também.

Você chama sua proposta de “Regional Beat”. Como você definiria esse conceito?

O Regional Beat é um pé na rua, outro na roça. É a mistura de ritmos universais, urbanos, com a cultura caipira. É, obviamente, uma referência ao movimento Mangue Beat, lá de Recife, onde eles têm o mangue, né? Uma terra fértil que, com uma antena parabólica fincada nela, capta os ritmos universais. Aqui, nossa terra fértil é a terra vermelha.

Então, a gente tem um filme chamado Regional Beat, uma antena parabólica fincada na Terra Vermelha, no qual contamos um pouco dessa história do nascimento desse movimento, por volta de 2023. É um filme bem legal e interessante. Ali, entrevistamos Kylie Jay, o Criolo, Renato Teixeira, o Rapadura e Ivan Vilela, que é o maior pesquisador de viola e música caipira do Brasil, entre outros grandes nomes.

E, basicamente, é isso: o Regional Beat é essa mistura entre a cultura caipira e ritmos universais urbanos, principalmente o rap, o reggae e o jazz. A partir dessa mistura, que não se prende apenas à música, mas também à estética e ao cinema, a gente tem construído esse movimento chamado Regional Beat.

Em que momento você percebeu que a viola caipira e o hip-hop poderiam dialogar dentro da sua música?

Foi quando começamos a experimentar o som da viola no boombap, algo para o qual eu tinha pouquíssimas referências, quase nenhuma. E, quando a gente começou a tentar, foi um desafio muito grande, pois a música caipira majoritariamente é feita em tonalidade maior, não que seja uma regra. E os raps também, não que seja uma regra, são feitos em tonalidade menor. O rap é um estilo que tem sua divisão rítmica em 4 por 4, e a música caipira, majoritariamente, em 3 por 4, como é o caso, por exemplo, de “Romaria”, entre outras músicas.

Então, para nós, foi um pouco desafiador e, ao mesmo tempo, empolgante promover uma sonoridade que fizesse a gente lembrar do cheirinho da roça com o peso do rap. Eu costumo dizer que é o peso do Tanquã com a viola do Tião Carreiro. É esse som que a gente queria ouvir, e fomos construindo isso.

Os produtores que trabalham comigo também participam desse processo. Eu acabo pré-produzindo muita coisa e, quando começamos a perceber que as duas culturas se comunicam muito, não só em relação às letras, mas também às características dos movimentos, fomos fazendo várias conexões. Quando a música caipira surge, ela também surge como um movimento que sofre marginalização e racismo, assim como a cultura hip-hop. Dentro da cultura caipira, já existem batalhas de rima chamadas de cururu; dentro da cultura hip-hop, também existem as batalhas de rima em cima do boombap. Enfim, fomos fazendo vários links, que inclusive estão no filme que citei na resposta anterior, e entendendo que as duas culturas e os dois universos dialogam mais do que imaginávamos.

Mas, falando de produção musical, foi a partir da gravação de uma música chamada “Terra Vermelha”, que não está no álbum. Ela é anterior ao álbum. Convidei o Ronaldo Sabino, que é um grande violeiro aqui de Franca e um dos primeiros professores titulados de viola caipira do Brasil, porque demorou para a viola caipira se tornar algo que fizesse parte do currículo de uma escola de música. Inclusive, esse professor, chamado Ronaldo Sabino, é um dos primeiros a ter esse título.

Ele gravou um riff de viola que eu cantarolei na cabeça e passei para ele, em cima de um boombap, nesse single de setembro de 2023 chamado “Terra Vermelha”. Então, foi a primeira vez que a gente conseguiu, depois de um tempo tentando e criando, chegar a uma sonoridade que a gente gostasse de ouvir e entendesse como Regional Beat.

O álbum passeia por rap, reggae, jazz, viola caipira e referências da música brasileira. Como foi construir essa mistura sem perder a identidade do projeto?

A identidade do projeto foi se construindo a partir dessas misturas. São coisas que realmente são muito novas. A gente não tinha muita referência de como fazer uma dupla caipira cantar em cima de um reggae, por exemplo, como na faixa “Nós Leva no Laço”, com o Jorge Antônio. Então, eu escrevi esse refrão, imaginei uma dupla caipira cantando com timbres bem agudos, convidei essa dupla e fomos construindo ao longo do processo.

Então, foi um álbum muito interessante de fazer, como se a gente estivesse literalmente pesquisando algo e fosse encontrando pelo caminho aquilo de que gostava e aquilo de que não gostava. Foi algo muito bom. A gente foi experimentando, apesar de já ter feito algumas coisas antes do álbum sair relacionadas a essa mistura. Mas o disco em si foi se formando muito a partir de experimentações, ideias, propostas e ousadia, né? Então, acredito que talvez isso faça com que o álbum seja tão interessante também.

“De Kool Herc a Tião Carreiro” é uma faixa que sintetiza bastante essa proposta. Por que esses dois nomes precisavam estar juntos?

O Kool Herc, junto com sua irmã, é considerado um dos pioneiros da cultura hip-hop. E é interessante que ele sai da Jamaica, junto com sua irmã, e vai para o Bronx, nos Estados Unidos, em Nova York. E ali, no dia 11 de agosto de 1973, acontece a festa, né? A Black Party, que dá o start nesse movimento chamado hip-hop.

O fato de ele ser jamaicano comunica muito com essa ideia que a gente traz de juntar a cultura sound system, a cultura hip-hop com a cultura caipira. Então, ela foi colocada inclusive depois dessa faixa “Nós Leva no Laço”, que é um reggae bem característico das produções musicais que a gente escuta no sound system, né? É um reggae diferente, muitas vezes side, são músicas bem específicas para colecionadores que colecionam os vinis e tocam ali os vários estilos e vertentes do reggae.

Então, eu gosto muito dessas vertentes, da cultura sound system, do reggae. Trazer um nome que é jamaicano e que vai para os Estados Unidos, que basicamente é um dos responsáveis por criar a cultura hip-hop, juntamente com Tião Carreiro, que também foi um nome responsável por mudar completamente, revolucionar a música caipira e a viola caipira, faz muito sentido.

Muita gente compara Tião Carreiro ao Jimi Hendrix, pela capacidade que os dois tiveram de se reinventar enquanto artistas e instrumentistas: no caso de Jimi Hendrix, com a guitarra; no de Tião Carreiro, com a viola caipira.

Então, colocar os dois juntos ali traz essa viagem sonora: Jamaica, Bronx e Minas Gerais, interior de São Paulo, interior do Brasil, representado por Tião Carreiro, que acaba sendo talvez um dos nomes principais da música caipira, o mais reconhecido, vamos falar assim.

Trazer esses dois nomes para essa faixa é justamente fazer uma viagem no tempo e também geográfica, né? Colocando aí esses pontos que ligam os dois nomes, como citei: Jamaica, periferia de Nova York e interior de São Paulo, sul de Minas, interior do Brasil como um todo. Acaba reconhecendo Tião Carreiro como um dos nomes mais expressivos da música caipira, justamente para juntar isso que deixa de ser, basicamente, a essência do Regional Beat.

Você é MC, trompetista e produtor. Como essas diferentes frentes se encontram na construção do seu trabalho?

Acredito que elas se constituem de maneira bem uniforme. O MC é o que eu sou desde que me considero parte da cultura hip-hop. É algo que me formou, não é algo que eu utilizo só na música. Tem aquela frase, né? O rap é o que se canta, o hip-hop é como se vive, né? Então, acredito que a cultura hip-hop se manifesta na minha vida, na forma como enxergo a realidade ao meu redor, na forma como me visto, como dialogo e como me relaciono com as pessoas que estão próximas a mim. Então, o MC acredito que seja o cerne disso tudo, a espinha dorsal disso tudo.

O trompetista foi uma aventura. Eu comecei a tocar trompete justamente para trazer esse instrumento para o palco. Tinha essa pretensão de tocar trompete e rimar ali na mesma faixa, muito inspirado por uma faixa específica que assisti no Manos e Minas, do grande mestre MC Marechal, juntamente com o Projeto Nave, na qual o Daniel, que é o trompetista do Projeto Nave, faz um solo de trompete na música “Vamos Voltar à Realidade”. Eu gostava muito daquele rap e daquele trompete. Falei: “Você já pensou se eu conseguisse misturar essas duas coisas na minha arte?”. Então, comecei a estudar o trompete.

E, obviamente, os samples de rap têm grandes clássicos de timbres de trompete, como “Vida Loka, Pt. 2”, vários timbres, vários samples, “Perdão”, do Sabotage, entre outros, né? Então, quis trazer esse elemento também para a minha arte e acabou sendo algo interessante, basicamente para os shows ao vivo. É bem interessante ver as pessoas que estão ali sendo surpreendidas com um trompete no meio de uma música. Acabo trazendo esse lado mais para o ao vivo mesmo.

A produção acaba fazendo parte de quase todo o processo de que participo. Eu gosto de pré-produzir junto, gosto de dar algumas ideias. O álbum tem várias produções diferentes, mas acabei pré-produzindo muitas coisas junto com os produtores ali. Também produzi faixas sozinho, obviamente convidando músicos para gravar, mas produzindo.

Então, é isso. O produtor, tenho até um pouco mais de dificuldade de dizer que sou, porque não me considero um produtor musical, mas acabo pré-produzindo e construindo muita coisa junto com os produtores. Mas é basicamente isso. O MC é a espinha dorsal. O trompetista é uma coisa com a qual eu também nem me considero tão identificado como um ótimo trompetista, né? De estúdio, né? Não leio partitura. É algo bem intuitivo mesmo, que gosto de trazer para o palco e, em algumas gravações, obviamente. E o produtor é essa coisa de querer estar próximo, participar das construções das músicas, pensar junto, ter ideias. Então, é basicamente isso.

O álbum foi viabilizado pelo ProAC. Qual foi a importância das políticas públicas para que esse projeto pudesse existir?

As políticas públicas são muito importantes, principalmente para a arte brasileira. O Brasil é um país muito carente de políticas públicas. É um país que não valoriza a arte, não valoriza os artistas. Então, ter esse projeto aprovado pelo ProAC foi fundamental para que ele existisse da forma como existiu. Com certeza, ele não teria saído da forma como saiu se eu não tivesse tido esse incentivo.

Então, espero que cada vez mais tenhamos políticas públicas fomentando a cultura, para que possamos ter mais possibilidades no Brasil de trabalhar, de fazer o nosso trabalho, de produzir a nossa arte. Foi de suma importância.

Você já passou por palcos como João Rock e Sesc. O que muda quando uma música tão ligada ao interior chega a públicos de diferentes lugares?

O João Rock a gente conseguiu a partir do concurso de bandas, né? Em 2024, com mais de 430 bandas, acabamos ficando em primeiro lugar. E foi uma honra participar desse festival, que é o maior festival de música brasileira. Tirando os grandes festivais que têm músicas estrangeiras, como Lollapalooza e Rock in Rio, o João Rock é o maior festival. E, inclusive, acontece aqui em Ribeirão Preto, uma cidade vizinha à minha, né? Então, acho que muita gente se reconheceu no meu trabalho lá. Muita gente começou a me seguir, a me acompanhar a partir desse festival.

E o Sesc é uma coisa bem interessante, porque a gente acaba encontrando vários públicos. Uma vez, fiz um show no Sesi para pessoas de outra faixa etária, pessoas mais velhas, que talvez não consumam cultura hip-hop, e tive um feedback muito legal. O pessoal ficou até o fim, veio conversar comigo, se identificou com algumas letras, com a sonoridade.

O Regional Beat é algo que engloba muitas faixas etárias. Nos meus shows vêm crianças, pessoas jovens, de meia-idade e até pessoas idosas. Elas se identificam muito, inclusive por essa questão da viola. Escuto muitos relatos de jovens que vão aos meus shows e falam que apresentaram a música para o pai e até voltaram a conversar com ele, com a mãe, com o avô, a partir desse diálogo. Enfim, é algo intergeracional.

E é muito importante para a gente estar se comunicando com esses públicos, com essas pessoas, e ver essa identificação, até mesmo de pessoas que não são do interior. Tem pessoas de São Paulo, da capital, do Rio de Janeiro, que se identificam com a nossa arte de uma forma tão potente e tão grande quanto as pessoas que são daqui também. Então, isso é muito legal, muito interessante.

O que a indicação ao Grammy Latino representa para a cena independente e para artistas que produzem fora dos grandes centros?

Eu ouvi de um grande amigo, que é músico, produtor e artista, que essa indicação é histórica para o underground. E concordo muito com ele, realmente. Estar nesta categoria, ao lado daqueles nomes específicos, é realmente algo histórico.

Acredito que traz mais respiro, traz esperança, acho que traz potência para esse nicho, vamos falar assim, chamado underground, né? Então, acho que muitas das pessoas que se consideram parte do underground acabam vendo nessa indicação uma possibilidade. A possibilidade de que ainda é possível, de que fazer arte com o coração, fazer arte do interior, fazer música com propósito te leva a lugares grandiosos, independentemente de você ser de uma gravadora ou não, independentemente de ter grandes contatos na indústria musical ou não.

Então, isso eu acho que realmente pode ser definido como algo histórico.

Você está fazendo uma vaquinha para conseguir viajar para a premiação em Las Vegas. Como tem sido mobilizar essa rede em torno desse momento?

Eu confesso que tenho um pouco de dificuldade de fazer esse tipo de movimento, de pedir dinheiro, de fazer alguma vaquinha específica para o meu trabalho. Mas, nesse caso, é para viabilizar a viagem não só minha, mas também da equipe que trabalhou nesse álbum. Não toda a equipe, obviamente, mas parte dela.

Então, acho que é válido as pessoas terem se reconhecido nessa nossa vitória, que, para nós, só de estarmos indicados já é uma vitória. Tem sido legal, interessante. A gente tem recebido várias mensagens de várias pessoas contribuindo com aquilo que podem, e estamos tentando também viabilizar empresas e grandes áreas que possam nos ajudar. Estamos nessa luta aí.

Por enquanto, ainda não conseguimos uma boa parte do dinheiro de que precisamos, mas temos algum tempo. Estamos tentando e estamos nessa luta aí.

Depois de “Terra Vermelha”, que caminhos você quer explorar na sua música?

Eu quero continuar fazendo música, quero continuar trabalhando em prol do movimento Regional Beat, que, como eu disse, também não é só um movimento pautado pela linguagem musical. Penso em fazer outros documentários, tenho o sonho de fazer um filme um dia com essa temática. Já estou pensando no próximo álbum. Tem algumas faixas que não entraram nesse disco e que provavelmente vão estar no próximo. É um campo muito fértil, né? Enfim, tem muita coisa.

Acabei de mandar um projeto para fazer um EP também sobre batuque de umbigada com rap, que, no caso, tem a faixa do disco chamada “Baile na ZR”. “Baile na ZR” é uma mistura do batuque de umbigada com o rap. Então, quero muito fazer algo com os grandes mestres do batuque de umbigada ali de Tietê e Piracicaba. Quero me aproximar mais deles. Fui muito bem recebido quando lancei essa faixa, então quero estar mais próximo também dessa cultura específica, que é o batuque de umbigada, uma cultura caipira.

Enfim, tem muitas ideias ainda, né? Nosso grande sonho é fazer uma escola na qual a música e a arte sejam tão valorizadas quanto a matemática, o português e a física. Eu também sou arte-educador, tenho amigos que são arte-educadores. Minha companheira é assistente social, e a gente tem esse sonho também de, no futuro, se Deus quiser, não tão distante, fazer esse centro educacional, esse centro cultural na nossa cidade.

A música independente brasileira é muito marcada pela diversidade de territórios e linguagens. O que você acha que ainda falta para artistas do interior terem mais espaço e circulação na cena nacional?

Eu acho que é principalmente oportunidade de apresentar seus trabalhos. É muito difícil, às vezes, a gente conseguir estar nas line-ups de festivais ou em casas de shows, uma vez que um artista talvez não tenha um grande público formado ainda.

Mas, basicamente, os festivais deveriam ser para isso. Deveriam ser, obviamente, espaços para que grandes artistas se apresentem. Eu entendo que é necessária a venda de ingressos, mas também é muito interessante você estar num festival e conhecer um artista que nunca ouviu falar, que talvez não seja tão famoso, que talvez ainda esteja em formação de público.

Então, acredito que, quanto mais oportunidades, quanto mais fomento a festivais locais e editais públicos para que artistas possam se inscrever e ser remunerados para apresentar seus trabalhos, melhor.

Fonte: Mídia Ninja.

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