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Marcha Trans & Travesti reúne milhares de pessoas no Centro do Rio em defesa da democracia

Mobilização transforma as ruas em espaço de resistência e celebração da diversidade O post Marcha Trans & Travesti reúne milhares de pessoas no Centro do Rio em defesa da democracia apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Em um dia histórico para o movimento de transexuais e travestis, milhares de pessoas se reuniram neste sábado (19), no Centro do Rio de Janeiro, em defesa da democracia. A quinta edição da Marcha Trans & Travesti do Rio de Janeiro ocupou a Rua da Quitanda em um dia de luta por direitos e cidadania, contra as violências e o apagamento promovidos por forças reacionárias.

A tarde começou com a promoção de direitos e cidadania. A van da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro ofereceu ao público o serviço de retificação civil, garantindo o fundamental direito ao nome de acordo com a identidade de gênero. A oportunidade foi abraçada por Nerissa Iolanda de Alencar Gomes, 23 anos.

“Ter a identidade com meu nome significa uma prova da minha existência contra as pessoas que dizem que eu não existo. Eu vou poder acordar e dizer que sou a Narissa, de fato”, definiu a jovem mulher trans, moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Foto: Felipe Martins

Pela primeira vez na Marcha, os irmãos gêmeos Juca Maia e Sofia Maia, 21 anos, estavam encantados com um evento em que se sentiam livres para se expressar sem medo do olhar de censura cisheteronormativo. Fizeram o teste rápido para ISTs na van da Secretaria Municipal de Saúde (Vanbora) e, depois, curtiram os shows de artistas que transformaram a manifestação em um grande “Baile da Democracia”.

“Nossa comunidade é muito excluída. Ter um espaço para que a gente possa se encontrar e celebrar a nossa existência é muito importante”, disse o homem trans.

A noite chegava, e a multidão que se formou diante do Queerioca, espaço de luta e resistência LGBTQIA+, estava eufórica com a apresentação de grandes artistas trans. Foi da sacada do casario que a cantora Bixarte fez a apresentação que levantou o público ao falar da realidade vivida por muitas das pessoas que admiravam a força simbólica da artista.

“Estar na Marcha do Rio de Janeiro, sendo uma travesti da Paraíba, significa para mim que é necessário ocupar todos os territórios, levar a cura através da música e formar uma geração disposta a não cair. O Rio tem uma energia que atravessa meu axé e é sempre uma emoção diferente cantar aqui.”

Foto: Felipe Martins

Fundador da Marcha Trans & Travesti e da Liga TransMasculina João W. Nery, Gab Van refletiu sobre a importância da realização de uma manifestação pelos direitos da população trans e travesti, faltando quinze dias para o primeiro turno das eleições.

“As pessoas estão aqui para afirmar e reafirmar as nossas existências. Para dizer: nenhum direito a menos. Queremos mais respeito. Mais cidadania”, disse o ativista. “Estamos aqui, em milhares de nós, na Marcha Trans & Travesti do Rio de Janeiro, fazendo história e gritando para quem quiser ouvir que não há força reacionária que irá nos parar. A força da nossa ancestralidade é muito maior”, concluiu.

Era pouco mais de oito da noite quando uma das artistas mais aguardadas pelo público surgiu na sacada do Queerioca, sob gritos e até lágrimas de quem via diante dos próprios olhos uma referência do que é ser, existir e resistir sendo travesti no Brasil. A cada música, a plateia cantava com mais força cada um dos versos. Linn não resistiu, desceu para a rua e subiu ao palco em formato de passarela para desfilar hits que misturam dor, ironia, desejo, fúria, afeto, amor e sonho.

O público reagia batendo no chão do palco, produzindo um som que ecoava longe dali, como se todas, todos e todes quisessem dizer ao mundo quem são, pelo direito de existir e de ter garantidos todos os direitos.

“O show foi lindo. O público carioca sempre entrega muito. Eu tenho uma história de amor com o Rio. Foi nessa cidade, há dez anos, que eu fiz as fotos do meu álbum de estreia, Pajubá, na Casa Nem (abrigo e casa de direitos para pessoas trans e travestis). Eu amo estar aqui e foi muito especial cantar na Marcha Trans & Travesti pelo direito de viver e de sonhar.”

Fonte: Mídia Ninja.

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