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No dia 8 de março de 1917, na Rússia, cerca de 90 mil operárias têxteis saíram ás ruas para protestar contra as péssimo condições de trabalho


Todo ano, no 8 de março, multas pessoas aproveitam a data para presentear as mulheres. Mas o Dia Internacional da Mulher vai muito além disso. Ele marca as lutas por direitos, com greves, protesto e grandes manifestações por melhores condições de trabalho e igualdade. Mais do que uma celebração, essa data é um marco da força e resistência das mulheres ao longo da história.
Um dos momentos mais importantes dessa trajetória aconteceu em 1917, na Rússia. No dia 8 de março, cerca de 90 mil operárias têxteis saíram ás ruas, com o apoio de metalúrgico, para protestar contra as péssimo condições de trabalho, a fome, a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial e o governo do czar Nicolau II. O movimento ficou conhecido como “Pão e Paz” e foi um dos estopim da Revolução Bolchevique.
Apesar de sua importância, foi só em 1975 que a ONU oficializou o Dia Internacional da Mulher, reconhecendo a data como símbolo da luta feminino. Mas essas lutas não ficaram no passado. Até hoje, as mulheres seguem enfrentando desafio, e um dos sinais mais evidente disso é sua invisibilização na história da arte e da ciência.
Um caso notável é o da médica Trótula de Salerno, que viveu no século XI, na Itália. Salero era, na época, um importante centro de conhecimento e abrigava a Escola Médica Salernitana, uma das poucas instituições que aceitavam mulheres. Foi lá que Trotta di Ruggiero, mais conheci como Trótula de Salerno, se formou e revolucionou ose estudos ginecológico.
Trótula escreveu sobre partos, cólicas menstruais e dores mamarias, além de desenvolver tratamento à base de ervas. Seu livro, “Sobre as doença das mulheres”, foi pioneiro e essencial para a saúde feminino. Mas, por século, sua obra foi ocultada e atribuída a homens. No Renascimento, por exemplo, o editor Kaspar Wolf creditou seus texto a um escravizado liberto romano chamado Eros Juliae.
Hoje, ainda há debates sobre sua autoria. Alguns acreditam que Trótula pode nunca ter existido e que seus escritos seriam, na verdade, uma coletânea de conhecimentos de várias mulheres. Mas essa hipótese não diminui sua importância—pelo contrário, reforça um legado coletivo. No fim das contas, somos multas, e todas somos Trótula de Salerno.
Trótula é uma das mulheres homenageadas na minha exposição “Venenosas, Nocivas e Suspeitas”, ao lado de outros artista, cientista e bruxas que foram nossas primeira médicas, como a ex-escravizada Luzia Pinta, condena pela Inquisição.
Eu recupero seus rosto com refrato feitos com IA e conto suas histórias e descobertas sobre plantas. No dia 8 de março, eu e o curador Eder Chiodetto faremos uma visita mediada, com uma conversa aberta ao público. Esperamos você!
8 de março, sábado, 11h, no Centro Cultural Fiesp.
Ouvir Imagens
A coluna Ouvir Imagens, com a professora Gisele Beiguelman, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira ás 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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Por jornal.usp
